Jorge Carlos Fonseca alerta para importantes desafios de África

PorFretson Rocha, Rádio Morabeza,25 mai 2018 7:31

Jorge Carlos Fonseca
Jorge Carlos Fonseca

África continua a enfrentar importantes desafios, nomeadamente a nível da democracia, crescimento económico e justiça social. Também muitos problemas afectam o continente nas áreas da saúde, educação, nutrição e do próprio funcionamento do aparelho do Estado, diz Jorge Carlos Fonseca neste Dia de África.

A posição do Presidente da República consta da sua mensagem alusiva ao Dia da África, comemorado esta sexta-feira, 25. Essas situações, segundo o chefe de Estado, tornam muito complexas as condições de vida de grande parte das populações africanas.

Em Cabo Verde, Jorge Carlos Fonseca defende que se deve prosseguir na senda do aperfeiçoamento do sistema democrático, do estreitamento das relações com os países do continente e do aprimoramento dos mecanismos de integração “dos nossos irmãos africanos que procuram o nosso país para viver e trabalhar”.

“Todos os estudos e dados mostram, inequivocamente, que a grande maioria dos cabo-verdianos, querendo embora e, de forma legítima e natural, uma progressiva qualificação da democracia, não quer viver noutro regime que o não o das liberdades e da democracia”, diz.

De acordo com o chefe de Estado, em razão das inúmeras dificuldades existentes, as consequências de problemas de ordem planetária, como as referentes às mudanças climáticas e as relacionadas com as distorções decorrentes das assimetrias regionais, repercutem-se de forma muito intensa no continente.

“Esta realidade tem dificultado, de modo acentuado, o acesso de milhões de pessoas a bens e serviços essenciais e contribuído para a instabilidade em algumas regiões do continente e para a criação de condições que favorecem o recrutamento de jovens para intervenções radicais”, lamenta.

Por outro lado, Fonseca aponta o desenvolvimento como outra faceta da realidade africana que, na sua perspectiva, tende a impor-se. O Presidente da República sublinha que o continente é percebido como uma das áreas do globo com maior potencial de crescimento e, por isso, visto como uma espécie de território emergente.

“Para este quadro contribui a demanda de matéria prima por países emergentes, mas também o desempenho de economias que não se baseiam no aproveitamento dessas matérias, como atesta o facto de oito das doze economias que mais cresceram no continente não dependerem directamente do petróleo ou de minérios”, diz.

O grande aumento demográfico, aliado à intensa urbanização da população, não obstante as dificuldades imediatas que acarreta, é apontado como um dos importantes factores de desenvolvimento do continente.

Segundo o chefe de Estado, prevê-se que, em 2030, cerca de 500 milhões de africanos pertencerão à classe média e que 680 milhões, cerca de 60% da população, terão menos de 25 anos.

“As pressões sobre o acesso a bens e serviços serão ainda mais acentuadas mas, também, uma mentalidade mais inovadora e empreendedora estará bastante presente”, afirma.

A realidade actual de África, lembra Jorge Carlos Fonseca, têm proporcionado o aumento do investimento estrangeiro. Essa conjugação de factores contribui para que quatro das cinco economias que mais crescerão em 2018 sejam africanas, com Gana em primeiro lugar com 8.3%, seguida por Etiópia com 8.2%, Côte d´Ivoire com 7.2% e Djibuti com 7%.

O Presidente da República alerta, contudo, que é importante não perder de vista que esse crescimento não é homogéneo, “pois perspectiva-se que, em termos globais, ele seja de 3.6% em 2018 e de 3.9 em 2019”.

“Os desafios que se colocam à África, nas diferentes esferas, são de grande complexidade, mas as perspectivas são, também, auspiciosas. Esta realidade implica uma responsabilização cada vez maior dos agentes políticos, especialmente os líderes africanos, que têm a obrigação de tudo fazer para que as expectativas se concretizem e os seus frutos sejam equitativamente aproveitados por todos”, defende.

“A democratização e o aprofundamento da democracia nas nossas sociedades, a par da intensificação dos processos de integração regional, surgem como essenciais para o nosso devir colectivo”, acrescenta.

Neste sentido, Jorge Carlos Fonseca pede uma atenção particular à juventude que, na sua perspectiva, a cada dia adquire importância inestimável”.

“A sua capacitação e organização autónoma devem ser por ela assumidas e consideradas pelos poderes públicos como uma das grandes prioridades”, defende.

O dia do continente africano foi instituído em 1972 pela Organização da Nações Unidas para assinalar a criação da Organização da Unidade Africana (OUA) em 1963, e a luta de libertação do continente.

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Autoria:Fretson Rocha, Rádio Morabeza,25 mai 2018 7:31

Editado porNuno Andrade Ferreira  em  18 nov 2018 3:23

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