José Gonçalves esteve no parlamento, mas não foi ouvido

PorAndre Amaral,11 out 2018 15:11

Primeira sessão parlamentar, primeira polémica. José Gonçalves, que tutela a pasta dos transportes, devia ter sido ouvido ontem na sessão de perguntas ao governo, chamado pelo PAICV. Devia, mas não foi porque durante toda a tarde foi a ministra das Infraestruturas que esteve a ser ouvida, a pedido do MpD.

O PAICV queria ouvir do ministro José Gonçalves qual a situação actual dos transportes em Cabo Verde, especialmente depois da polémica recente entre a Agência de Aviação Civil e Binter Cabo Verde. No entanto, o ministro, que esteve na Assembleia Nacional, acabou por não ser questionado pelo maior partido da oposição.

Na origem desta situação esteve a diferente leitura que os partidos fazem do novo Regimento da Assembleia Nacional.

Agora, para que José Gonçalves volte ao Parlamento terá de ser feito um novo agendamento, porque, como explicou fonte parlamentar ao Expresso das Ilhas, “as sessões de perguntas ao governo que não sejam feitas no dia em que foram agendadas não transitam para o dia seguinte”. Ou seja, o ministro dos Transportes só poderá ser ouvido no Parlamento, na melhor das hipóteses, na próxima sessão parlamentar.

No final do primeiro dia de sessão, ontem, Rui Semedo, vice-presidente do PAICV, comentava a situação dizendo que os partidos ainda estão “a calibrar a questão do regimento, mas o que é perigoso é uma interpretação criativa e fora do regimento, feita pela maioria, e tentando impor uma leitura que não está na letra nem no espírito da lei”. E lançava igualmente críticas ao MpD: “tudo indica que a maioria não estava e não está interessada em que a questão dos transportes, tanto marítimos, como aéreos, seja esclarecida”.

Também a UCID queria ter questionado José Gonçalves. António Monteiro, presidente daquele partido, dizia no final do dia que foi usado “um ‘expediente’ pedindo a suspensão e impedindo, desta forma, que as questões que iam ser colocadas ao ministro da Economia Marítima e dos Transportes pudessem ser devidamente clarificadas”.

O MpD negou as acusações dizendo que o “PAICV foi vítima da má gestão que fez. Logo no início da inauguração deste novo regimento houve um apelo da parte do nosso grupo parlamentar para que o regimento fosse utilizado de forma correcta, mas mesmo tendo sido feito este apelo estamos a assistir ao PAICV a manter o comportamento de antes e a fazer desvios na interpretação dos vários institutos do regimento”.

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Autoria:Andre Amaral,11 out 2018 15:11

Editado porNuno Andrade Ferreira  em  18 out 2018 3:23

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