"A CPLP nunca será uma comunidade de povos e cidadãos se não houver a possibilidade de circulação" - PR

PorExpresso das Ilhas, Lusa,11 jun 2019 7:42

O Presidente da República desafia Portugal a abolir os vistos para os cabo-verdianos e pediu apoio para a comunidade residente em São Tomé e Príncipe e que vive numa situação “muito difícil”.

Durante o discurso oficial das comemorações do Dia de Portugal, de Camões e das Comunidades, ontem, na Escola Portuguesa de Cabo Verde (EPCV), na cidade da Praia, Jorge Carlos Fonseca sublinhou a excelência das relações entre os dois países.

“Para nós, e sempre o disse antes de ser Presidente da República, a CPLP nunca será uma comunidade de povos e cidadãos se não houver a possibilidade de circulação destes povos sem a necessidade dos vistos”, adiantou ontem à noite.

Jorge Carlos Fonseca acredita que “Portugal está tão apostado” como Cabo Verde nesta mobilidade.

E partilhou com a audiência o que disse a um jornalista que o recentemente: "Se Cabo Verde aboliu os vistos para os cidadãos da União Europeia, porque não um acordo entre Portugal e Cabo Verde?”.

“Sabemos que não é fácil. Sabemos que a proposta portuguesa resulta de uma ginástica legal, mas convencional, por pertencer à União Europeia. Mas sabemos que, com vontade política, criatividade e imaginação sempre podemos chegar às soluções que correspondem aos nossos anseios”, prosseguiu.

Outra medida que, na opinião de Jorge Carlos Fonseca, poderia aproximar ainda mais os dois povos seria um acordo para Portugal e Cabo Verde, juntamente com São Tomé e Príncipe, arranjarem “uma solução para a dolorosa situação para muitos cabo-verdianos que foram para São Tomé e Príncipe nos anos 1960 e se encontram numa situação social muito difícil”.

O chefe de Estado, que participou nas comemorações do 10 de Junho em Portalegre, disse que a escolha de Cabo Verde para parte das comemorações do 10 de Junho “traduz um relacionamento entre dois países, entre dois Estados, mas sobretudo entre dois povos, que é particular, é especial”.

“É como se nós partilhássemos os nossos percursos, os nossos valores e quiçá as nossas almas”, adiantou.

Jorge Carlos Fonseca confessou que viveu uma grande sensação ao assistir um pelotão das Forças Armadas cabo-verdianas a desfilar juntamente com as Forças Armadas portuguesas em Portalegre, nas cerimónias oficiais do 10 de Junho.

Germano Almeida, padre Campos, João Branco, Luís Morazzo e Baptista de Sousa condecorados pelo Presidente português

As comemorações oficiais do 10 de Junho, Dia de Portugal, passam este ano por Cabo Verde. Dividido entre Portalegre (Portugal), Praia e Mindelo, o programa oficial inclui desfiles militares, com as Forças Armadas dos dois países, encontros com a comunidade portuguesa radicada no arquipélago, um programa cultural e desportivo e condecorações.

Por sua vez, o Presidente da República de Portugal, Marcelo Rebelo de Sousa, agradeceu aos cabo-verdianos residentes em Portugal e deixou uma mensagem especial para os emigrantes portugueses que vivem em países atravessados por guerras ou crises.

O Chefe de Estado referiu que nem todos os emigrantes portugueses "têm a felicidade de poder viver num país irmão que é excepcionalmente bom anfitrião" como Cabo Verde.

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Autoria:Expresso das Ilhas, Lusa,11 jun 2019 7:42

Editado porNuno Andrade Ferreira  em  12 nov 2019 23:21

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