Estado da Nação: PAICV e UCID criticam governação do governo e MpD defende que a "COVID-19" comprometeu tudo

PorAndre Amaral,31 jul 2020 12:12

Para a Presidente do PAICV, Janira Hopffer Almada, os quatro anos de governação de Ulisses Correia e Silva foram anos de promessas por cumprir. Joana Rosa, líder parlamentar do MpD, por seu lado, lembra os "tempos historicamente difíceis" que o país atravessa enquanto o Presidente da UCID, António Monteiro, aponta que Cabo Verde vive "um momento muito preocupante".

Janira Hopffer Almada começou por lembrar que este último debate do Estado da Nação serve para acompanhar "tudo o que este governo fez e tudo o que não fez".

Os quatro anos e meio de governo suportado pelo MpD permitiram, segundo a presidente do PAICV, "avaliar a forma de governar de uns e de outros e vislumbrar as diferenças entre um governo de esquerda progressista e um governo neo-liberal". Acrescentando que este mandato "permitiu que os cabo-verdianos vissem que os modelos de governação, as visões e as políticas são diferentes".

"Somos diferentes", lembrou Janira Hopffer Almada recuperando parcialmente o slogan usado pelo MpD durante a campanha de 2016 e dizendo que é importante ter em conta que os partidos "não são todos iguais nem na visão nem nas políticas".

A presidente do PAICV destacou que "enquanto um governo neo-liberal como este defende o Estado mínimo e desmantela a governação, um governo progressista reconhece o papel do Estado e não tem medo de promover a regulação com a necessária independência; enquanto um governo neo-liberal e sem rosto humano, como este, é contra o Estado social um governo progressista assume as responsabilidades sociais e actua para aumentar as oportunidades e reduzir as desigualdades sociais".

Mas para o PAICV os quatro anos de governação liderada por Ulisses Correia e Silva foram, essencialmente, anos de promessas que ficaram por cumprir.

Recordando as promessas feitas para Santiago Sul, para Santiago Norte, Santo Antão, São Vicente e Fogo, a presidente do maior partido da oposição foi rasgando as páginas do programa de governo onde se abordavam os projectos de investimento a serem feitos durante a legislatura.

"Cabo Verde precisa, como de “pão para a boca”, de um modelo de governação que sirva melhor as pessoas e promova o desenvolvimento mais equilibrado de todo o território nacional", avançou a líder do PAICV.

Já do lado do MpD, Joana Rosa, lembrou que Cabo Verde vive hoje "tempos, historicamente, muito difíceis".

"Cabo Verde que, com a liderança deste Governo, poderia concluir esta legislatura com particular sucesso e brilho e pleno de êxitos, viu-se forçado a redefinir prioridades e a encarar esse novo desafio, tendo em conta o impacto desse flagelo mundial, imposto por essa crise sanitária inesperada, com consequências económicas, ainda, entre nós e no mundo, imprevisíveis", prosseguiu a líder parlamentar do MpD.

Alinhando o seu discurso com o do primeiro-ministro, recordou o país 'herdado' em 2016 após a vitória nas legislativas em que, segundo o MpD Cabo Verde vivia com "uma economia a crescer de forma rasteira, a 1%, com o desemprego a atingir 15,7% da população, com 41% de jovens desempregados, com uma dívida pública a situar-se a 130% do PIB".

E atacando a governação do PAICV entre 2001 e 2016, especialmente no que respeita ao sector rural, Joana Rosa destacou os "quase 45 milhões de contos gastos na agricultura e milhões de contos investidos em barragens" e que "não conseguiram nem livrar o país do êxodo rural, e nem impediram que mais de 40 mil pessoas abandonassem o campo entre 2004 – 2015".

Para a líder parlamentar do MpD o governo, ao longo destes últimos quatro anos, "garantiu aumento do rendimento às famílias; garantiu medidas de proteção aos idosos e deficientes, com o aumento da pensão social, de 5 mil para 6 mil escudos; introduziu o rendimento social de inclusão a milhares de famílias carenciadas; introduziu o rendimento solidário a milhares de famílias; isentou todos os alunos do pagamento de propinas, e para o próximo ano letivo atingiremos a meta de isenção até o 12º ano".

No entanto, reconheceu, a "pandemia do coronavírus veio interromper a boa dinâmica da economia, e isso é dado adquirido e o bom senso recomenda; problemas sanitários obrigaram a que os cabo-verdianos se vissem obrigados ao confinamento" e como consequência deu-se o "encerramento das empresas, a imobilização dos aviões, com o encerramento das fronteiras e o turismo, como nossa joia de ouro, desmoronou-se".

"A COVID-19 comprometeu tudo", acrescentou ainda a líder parlamentar do MpD a concluir.

Por último, o líder da UCID, António Monteiro.

Cabo Verde, na visão do líder daquele partido, "vive um momento muito preocupante" em que a COVID-19 "acabou por mexer com o mundo inteiro" desde os mais poderosos aos países mais frágeis. "E de certeza que Cabo Verde, um país muito dependente das ajudas externas, incapaz de gerar os seus próprios recursos financeiros não podia ficar alheio e nem tão pouco sem sofrer os efeitos" da pandemia.

A crise que se abateu sobre Cabo Verde e sobre o mundo "é uma crise muito séria e, como tal, não se consegue entender que os nossos governantes entendam que o país está bem. Não está, porque temos vários problemas sociais e económicos" que, defendeu "são, por demais, evidentes para estarmos tranquilos, para batermos palmas à governação e para dizermos que o país está bem".

Ainda assim o presidente da UCID afirmou no seu discurso que o partido que lidera "não atribui culpa directa aos nossos governantes, porque pensamos que aqui, nesta pandemia, ninguém é culpado de absolutamente nada". 

"Quando dizemos que o país não está bem, significa dizer que as pessoas, as famílias, as empresas e as instituições também não podem estar bem", acrescentou António Monteiro que destacou a população jovem "viu os empregos fugirem-lhe por entre os dedos" e esperam que "os políticos, de uma forma geral, encontrem uma solução na resolução dos seus problemas".

Para a UCID o esforço realizado pelo governo para fazer face a esta situação "não tem sido suficiente", porque, reforçou, "as pessoas continuam com graves problemas. Problemas que tinham de antes e problemas que a COVID-19 veio agudizar".

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Autoria:Andre Amaral,31 jul 2020 12:12

Editado porSara Almeida  em  9 ago 2020 19:19

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