Declaração feita à imprensa após a tomada de posse dos novos membros do Governo.
“O termo correto é aquele que está no Conselho Estratégico de Defesa e Segurança, que é uma aproximação, uma possibilidade de parceria com a NATO, chamada parceria personalizada, porque dá várias possibilidades de escolha, de quais são as opções, mas orientada para a segurança marítima”, afirmou o chefe do Governo.
Ulisses Correia e Silva salientou que a vasta Zona Económica Exclusiva (ZEE) do país e a sua localização estratégica tornam essencial a cooperação internacional para enfrentar desafios como o tráfico de droga, o tráfico de pessoas e a pesca ilegal.
“Nós temos uma zona económica exclusiva muito vasta, estamos no cruzamento entre o Brasil, a África Ocidental, a Europa e as Américas. Os Estados Unidos da América, particularmente, são zonas onde nós temos que ser seguros”, sublinhou.
Segundo o Primeiro-ministro, nenhum país consegue, sozinho, garantir a protecção total do seu espaço marítimo, pelo que Cabo Verde procura alianças que reforcem a sua segurança e, simultaneamente, permitam ao arquipélago desempenhar um papel activo na segurança cooperativa.
“A ideia é encontrar e procurar alianças que protejam Cabo Verde e, ao mesmo tempo, Cabo Verde ser um agente, um actor útil na segurança cooperativa”, acrescentou.
“Esta abordagem que nós temos estado a fazer e que eu creio que vamos avançar”, frisou.
De referir que o PAICV pediu esclarecimentos ao Governo sobre a possível integração de Cabo Verde na NATO, após declarações do Primeiro-ministro de Portugal sobre o assunto no âmbito da VII Cimeira Cabo Verde–Portugal.
Rui Semedo alertou ainda para as questões de soberania nacional e recordou que a Constituição da República de Cabo Verde, no artigo 11.º, número 4, estabelece que “o Estado de Cabo Verde recusa a instalação de bases militares estrangeiras no seu território”.
Na sequência, a secretária de Estado dos Negócios Estrangeiros e Cooperação, Miryan Vieira, em conferência de imprensa, negou a intenção de adesão de Cabo Verde à NATO e questionou a posição do PAICV.