O posicionamento surge após o acórdão do TC, divulgado na tarde de sexta-feira (28). A decisão foi tomada na sequência de um pedido de impugnação da candidatura de Francisco Carvalho, feito por um militante que alega a emissão irregular de uma declaração de regularização de quotas por uma entidade incompetente e fora do prazo estatutário.
“Sou o único candidato que defendeu uma sondagem, porque sabia que depois íamos ter este tipo de situação que temos hoje – situação de ataque a camaradas e à instituição PAICV. Já sabia que isto ia acontecer. Por isso, no dia 3 de Fevereiro, defendi que se escolhesse cientificamente quem estava melhor posicionado para liderar o PAICV e evitar esta digladiação entre camaradas”, afirma.
Francisco Carvalho considera lamentável que uma situação já resolvida a nível interno, esteja agora a ser questionada.
“Cresci dentro do PAICV e sempre ouvi dizer que dentro do PAICV há um lugar próprio para discutir os problemas do partido. Sempre ouvi que dentro do PAICV não existe o lavar da roupa suja na rua. Mas há pessoas que saem do lugar próprio para lavar roupa suja na rua. O Tribunal Constitucional é fora do partido”, diz.
O candidato afirma que defende um PAICV plural, aberto e onde todas as gerações têm voz. Francisco Carvalho garante que vai continuar em campanha e a apresentar novas propostas para Cabo Verde, incluindo uma nova ideia de Estado.
“Tenho outra ideia de Estado. Um Estado que seja amparo para os cidadãos, que assuma que a ligação interilhas e a liberdade de circulação são da sua responsabilidade. Um Estado que garanta que o acesso à saúde e à universidade pública seja gratuito. Um Estado que defenda que o sector primário deve ser industrializado para gerar mais emprego, mais produtividade e mais rendimento para as famílias”, aponta.
Carvalho reafirma que a sua situação de quotas está regularizada e que entregou todos os documentos exigidos, tendo o Conselho de Jurisdição do PAICV aprovado a sua candidatura.
No acórdão, o TC “permite que os órgãos competentes do PAICV remarquem, em querendo, as eleições para outra data, desde que considerem os prazos que o Tribunal Constitucional tem para promover a instrução do processo, garantir o contraditório, apreciar e decidir a questão de fundo”.
Na corrida à presidência do PAICV estão Francisco Carvalho, presidente da Câmara Municipal da Praia; Francisco Pereira, deputado pelo círculo eleitoral da Europa; Jorge Spencer Lima, empresário; e Nuias Silva, presidente da Câmara Municipal de São Filipe.