João Santos Luís fez esta crítica durante a sua declaração política no parlamento, que acusa os sucessivos executivos da Câmara Municipal da Praia, liderados pelo MpD e pelo PAICV desde 1991, de terem permitido o crescimento desordenado dos bairros a norte da capital.
Nesse sentido, o deputado apontou a multiplicação de construções informais sem planeamento, casas erguidas em zonas de risco e famílias a viverem sem água regular, sem saneamento digno, sem arruamentos adequados, sem protecção civil eficaz.
“Basta subir ao Monte Gazel Afonso, ou ao ponto mais alto do Alto da Glória, para ver um labirinto humano, cinzento, coberto de chapas azuis e vermelhas, mas sem garantias mínimas de segurança caso ocorra uma situação extrema”, indicou.
Para o presidente da UCID, o problema não se resume a desorganização urbana ou falhas técnicas.
“É claramente abandono político...Alternaram-se os discursos, alternaram-se as maiorias, alternaram-se as promessas. Mas os bairros continuaram a crescer de forma desordenada, sem visão estratégica e sem antecipação do futuro”, declarou.
Segundo afirmou, a ausência de saneamento adequado, espaços seguros de lazer e organização urbana limita o acesso ao emprego e reforça a exclusão.
“Sem endereço formalizado, sem transporte estruturado, o cidadão começa já excluído”, disse.
Para a UCID, a dignidade não se improvisa a três ou seis meses das eleições, mas sim com acção continuada.
João Santos Luís defendeu ainda que o país não pode continuar refém da bipolarização partidária.
“Cabo Verde não pode continuar refém de uma bipolarização confortável que empobrece a democracia e normaliza a medicriocidade na gestão urbana. A UCID apresenta hoje um compromisso claro com Santiago Sul e com os bairros da Praia” discursou.
O partido propõe um programa nacional de requalificação urbana de emergência, saneamento e levantamento técnico urgente das construções em zonas de risco.
Também propõe a regularização fundiária faseada e o fundo especial de requalificação urbana, arruamentos, drenagem, saneamento e mitigação de riscos climáticos.
“Não se trata de demolir bairros. Trata-se de devolver dignidade a quem construiu a vida com o que tinha”, argumentou.
A UCID também defendeu o estatuto da moradia digna, para garantir que água, energia e saneamento sejam direitos efectivos, com prazos claros para ligação às redes públicas e mecanismos simplificados de legalização habitacional.
Consta igualmente das propostas um plano de requalificação massiva de espaços públicos, centros juvenis e policiamento de proximidade articulado com acção social.
“Santiago Sul não pede privilégios, pede respeito. Os moradores dos bairros informais não pedem esmolas políticas, pedem reconhecimento, pedem planeamento e pedem dignidade”, afirmou.
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