UCID critica política de investimentos públicos da última década

PorLourdes Fortes, Rádio Morabeza,10 mar 2026 15:21

​A UCID critica a falta de visão estratégica e de equilíbrio territorial na política de investimentos públicos e de infra-estruturas dos últimos dez anos. A deputada Dora Pires apresentou a posição, em conferência de imprensa, realizada hoje, antes da sessão parlamentar de quarta-feira, que inclui uma interpelação ao Governo sobre o tema.

A UCID considera que a política de investimentos públicos dos últimos anos tem sido marcada por fragmentação e, em alguns casos, condicionada pelo calendário político.

“O balanço dos últimos dez anos mostra que Cabo Verde teve obras, mas não teve sempre uma política coerente de infra-estruturas, à altura dos desafios nacionais. Teve investimento, mas nem sempre teve transformação, teve anúncios, mas muitas vezes faltou execução com impacto real. A UCID continuará a defender uma política de investimento público mais justa, mais eficiente, mais centralizada e mais humana, porque o desenvolvimento não se mede apenas pelo número de obras lançadas”, afirma.

Dora Pires recorda que, em vários casos, as obras demoraram anos a serem concluídas, tornaram-se mais dispendiosas ou acabaram por não produzir o impacto económico previsto.

“O Governo gosta de apresentar obras, inaugurações e anúncios como prova de progresso. Mas a pergunta essencial que o país deve fazer é esta: os investimentos públicos realizados nestes 10 anos transformaram, de facto, a vida dos cabo-verdianos? E a resposta, infelizmente, é não na medida esperada, nem com a justiça territorial que o país exige”, assegura.

Perante este cenário, os democratas-cristãos defendem uma nova geração de investimentos públicos baseada em cinco princípios.

“O primeiro, a prioridade económica e social: investir no que irá melhorar efectivamente a vida das pessoas e fortalecer a economia. A equidade territorial: as ilhas não podem continuar a desenvolver-se a velocidades diferentes. Transparência e avaliação: cada grande investimento deve ser acompanhado de metas, resultados e escrutínio público. Quarto, parceria com o sector privado e com os municípios: o Estado não pode continuar agindo sozinho e muitas vezes sem eficiência e, às vezes, concorrendo com o privado e com as câmaras. Quinto, manutenção e sustentabilidade, não basta construir, é preciso conservar, gerir e garantir a utilidade duradoura”, enumera.

Para a UCID o investimento público não deve ser confundido com propaganda política.

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Autoria:Lourdes Fortes, Rádio Morabeza,10 mar 2026 15:21

Editado porAndre Amaral  em  10 mar 2026 18:19

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