PAICV acusa governo de querer transferir a conta dos seus falhanços para o povo

PorEdisângela Tavares,19 mar 2026 13:52

O PAICV acusou, hoje, o governo de pretender transferir para os trabalhadores os custos das suas políticas, ao avançar com a proposta de aumento da idade de reforma, numa altura em que, segundo afirmou, o sistema de previdência social enfrenta pressões resultantes de “falhanços” governativos.

Em conferência de imprensa, centrada na sustentabilidade do Instituto Nacional de Previdência Social (INPS) e na proposta do executivo relativa ao aumento da idade de reforma, o cabeça de lista por Santiago Norte e secretário-geral adjunto para economia e finanças do PAICV, João Brito, considerou “inaceitável” que os cabo-verdianos sejam chamados a suportar as consequências dos “erros” do governo.

O dirigente do PAICV disse que as promessas de criação de emprego, crescimento económico e melhoria salarial não se concretizaram, apontando como consequência a saída de jovens do país.

“O Governo do MpD está, mais uma vez, a tentar fazer os cabo-verdianos pagar a factura dos seus próprios falhanços. E isso é inaceitável. Prometeram 45 mil novos postos de trabalho. Prometeram crescimento. Prometeram melhores salários e mais dignidade. Mas hoje, a realidade é outra. O que temos é uma emigração massiva, sobretudo de jovens qualificados”, declarou, acrescentando que “estamos a perder o futuro do país, porque não oferecemos oportunidades aos nossos jovens”.

Segundo João Brito, este cenário resulta de “políticas falhadas”, sublinhando que o Governo “falhou na criação de emprego digno, falhou na fixação dos jovens e falhou em garantir futuro a Cabo Verde”, situação que, no seu entender, está a pressionar o sistema de previdência social.

“E esse falhanço está agora a pressionar o sistema de previdência social, trazendo preocupação e insegurança a quem já deu o seu contributo ao país. Não cuidam do futuro, nem respeitam o passado. Como pode um Governo, incapaz de resolver os seus próprios erros, querer transferir a conta para o povo, aumentando a idade da reforma? (…) quem trabalhou uma vida inteira é agora chamado a pagar pelos erros do próprio Governo”, afirmou.

João Brito apontou também uma “contradição clara” nas posições do executivo, referindo que, há poucos meses, o Governo, pela voz do ministro Fernando Elísio Freire, considerava o sistema do INPS “robusto e sustentável”.

“Hoje, passado apenas 8 meses, dizem exactamente o contrário. Isto demonstra falta de preparação, falta de visão e incapacidade para governar com responsabilidade a médio e longo prazo”, sustentou.

O responsável criticou igualmente medidas adoptadas em 2024, como o subsídio de volta às aulas financiado pelo INPS, classificando-as como “decisões sem sustentabilidade” e orientadas por interesses eleitorais.

“Uma decisão claramente orientada por interesses eleitorais e não por critérios técnicos (…) hoje, essas opções já são alvo de críticas no relatório do FMI sobre Cabo Verde”, disse.

O secretário-geral adjunto do PAICV acrescentou ainda que o mesmo relatório aponta para um desvio do INPS da sua missão principal, agravando a sua sustentabilidade, num contexto marcado por problemas estruturais como a baixa natalidade, o envelhecimento da população e a redução do número de contribuintes. Perante este cenário, João Brito afirmou que o Governo “escolhe o caminho mais fácil para si mesmo, penalizar os trabalhadores”.

“Há alternativas, mais formação e mais oportunidades para os jovens, melhores salários, integração da Diáspora no sistema, alargamento de sistemas complementares, combate à evasão contributiva e políticas sérias de apoio às famílias. É assim que se fortalece o sistema, não com sacrifícios injustos”, defendeu.

Dirigindo-se aos trabalhadores, o candidato garantiu que o partido estará ao seu lado, afirmando que “não aceitaremos que os trabalhadores paguem pelos erros deste Governo”.

Concorda? Discorda? Dê-nos a sua opinião. Comente ou partilhe este artigo.

Autoria:Edisângela Tavares,19 mar 2026 13:52

Editado porAndre Amaral  em  19 mar 2026 17:19

pub.
pub
pub.

Últimas no site

    Últimas na secção

      Populares na secção

        Populares no site

          pub.