Governo admite parar King Air 360ER por falta de condições financeiras para suportar manutenção

PorSheilla Ribeiro,1 ago 2026 7:56

O ministro dos Negócios Estrangeiros, Comunidades e Defesa Nacional, Manuel da Rosa, afirmou esta sexta-feira, 31,que o Governo não tem condições para continuar a suportar os custos associados à manutenção da aeronave King Air 360ER, anunciando que o aparelho deverá ser parado enquanto se aguarda por esclarecimentos sobre a sua aquisição, necessidade operacional e sustentabilidade financeira.

A declaração foi feita durante o debate sobre o estado da Nação, em resposta ao diagnóstico apresentado pelo governante sobre a situação encontrada nos ministérios dos Negócios Estrangeiros, Comunidades e Defesa Nacional.

Manuel da Rosa apontou a aeronave como um dos casos que, na sua perspectiva, demonstra as dificuldades financeiras e operacionais herdadas pelo actual Governo na área da Defesa.

Segundo o ministro, a aeronave foi adquirida pelo anterior Governo por um valor superior a 2,1 milhões de contos, cerca de 22 milhões de dólares, um investimento que considera elevado para um país com recursos limitados.

“A grande questão na aquisição de aeronaves não é a aquisição em si, que se pode sempre dispensar dinheiro, é como operacionalizar essa unidade”, disse.

Conforme acrescentou, os meios apropriados nem foram preparados para que nós pudéssemos ter essa aeronave moderníssima e com uma tecnologia muito avançada para estar disponível connosco.

O governante explicou que, em Abril de 2025, durante o primeiro dia de operação da aeronave, num voo de treino, o aparelho sofreu um incidente que provocou danos na hélice direita e no motor do mesmo lado. De acordo com Manuel da Rosa, a comunicação do acidente foi tardia e o processo ainda não foi devidamente esclarecido.

“O Estado está a pagar cerca de 190 mil contos em contratos de prestação de serviços para manter operacional essa aeronave. Nós não temos como continuar com esses encargos financeiros”, declarou.

Manuel da Rosa indicou que os dois motores originais da aeronave se encontram actualmente em reparação, um no Canadá e outro na África do Sul, enquanto o aparelho tem funcionado com motores alugados, cujas horas contratadas já terão sido ultrapassadas.

“É um avião que custa muito. Neste momento, os dois motores originais da aeronave, um encontra-se no Canadá e o outro encontra-se na África do Sul para serem reparados”, afirmou.

Perante os custos associados à manutenção do aparelho, o ministro disse ter optado pela devolução dos motores alugados, rejeitando a assinatura de novos contratos que representariam novos encargos para o Estado.

“Nós voamos com motores alugados que já atingiram as horas que nós tínhamos pagado. E a solução que eu encontrei, porque nós não temos como estar a financiar essas coisas, é devolver os motores alugados”, afirmou.

“Portanto, a melhor solução, até alguém me poder explicar concretamente a origem, a necessidade desse projecto, o avião vai parar”, acrescentou.

“Eu posso vos anunciar aqui, porque nós não temos como continuar a manter essa aeronave”, concluiu.

Quanto à Defesa Nacional, Manuel da Rosa afirmou que encontrou um sector com falta de meios materiais e humanos. Nesse sentido, defendeu a necessidade de uma reorganização.

“Encontramos uma Defesa Nacional asfixiada e isolada”, apontou.

Segundo o governante, as Forças Armadas não dispõem actualmente de uma embarcação operacional e enfrentam problemas ao nível das viaturas militares. “Cerca de 60% das viaturas das Forças Armadas estão inoperacionais, não funcionam”, disse.

Manuel da Rosa revelou ainda que existe um défice de 542 militares, indicando que apenas 70,5% do quadro orgânico das Forças Armadas está preenchido.

“A Frota Naval não tem nenhuma unidade operacional relevante. O Guardião possa estar pronto. Mas temos três únicas pequenas unidades navais”.

O ministro referiu também problemas nas infraestruturas militares, estimando que seriam necessários investimentos superiores a 350 mil contos para recuperar quartéis e outras unidades, incluindo o quartel Jaime Mota, na cidade da Praia.

Na mesma intervenção, Manuel da Rosa apresentou também críticas à situação encontrada no Ministério dos Negócios Estrangeiros, afirmando que algumas missões diplomáticas estavam sem embaixadores ou com perfis considerados inadequados.

Manuel da Rosa afirmou que o Governo está a proceder à nomeação de novos chefes de missão e pretende redefinir o papel das embaixadas, criando uma segmentação baseada nas áreas económica, consular e política.

“Em suma, queremos embaixadores adequados e focados com resultados e na captação de investimentos”, afirmou.

O ministro indicou ainda que encontrou dificuldades na estrutura da carreira diplomática, referindo que 70% dos diplomatas estão colocados no exterior, o que cria constrangimentos no funcionamento interno do ministério.

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Autoria:Sheilla Ribeiro,1 ago 2026 7:56

Editado porSheilla Ribeiro  em  1 ago 2026 10:20

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