João Santos Luís afirmou que o momento exige uma análise para além da propaganda política e das responsabilidades partidárias, colocando no centro do debate a realidade vivida pela população. O parlamentar da UCID reconheceu que o actual Governo iniciou recentemente funções, considerando que seria intelectualmente desonesto atribuir-lhe responsabilidades por problemas acumulados ao longo de vários anos.
No entanto, defendeu que essa circunstância não deve servir para adiar respostas aos desafios nacionais. Apesar de reconhecer indicadores económicos positivos nos últimos anos, João Santos Luís considerou que a avaliação do país não pode limitar-se aos dados macroeconómicos, como o crescimento do Produto Interno Bruto, a inflação ou a dívida pública.
“O verdadeiro Estado da Nação não se mede apenas pelo crescimento do PIB, pela inflação ou pela dívida pública”, declarou.O deputado da UCID defendeu uma revisão das políticas económicas para criar mais oportunidades e melhorar a qualidade de vida da população, apelando a uma maior aposta na produção nacional.
“Continuo a apelar à governação do país para a necessidade urgente de alteração do modelo e da estratégia de desenvolvimento económico e pela criação de oportunidades, permitindo maior produção nacional e justa distribuição da riqueza produzida”, disse.
Por seu turno, o líder parlamentar do MpD, Luís Carlos Silva afirmou que o país chega ao debate do Estado da Nação numa situação em queos dados oficiais contradizem o discurso político do executivo.
“O próprio Orçamento Rectificativo desmente, assim, o discurso político do Governo: Cabo Verde não está à deriva. A economia cresce, as receitas aumentam, as reservas internacionais alcançaram níveis históricos, a dívida pública segue uma trajectória descendente e os indicadores sociais melhoraram”, declarou.
O líder parlamentar do MpD considerou que a avaliação do país não deve ignorar os progressos alcançados nos últimos anos e defendeu que a anterior governação deixou um Estado com maior capacidade de resposta aos desafios nacionais. “Não entregámos um país sem problemas. O que entregamos é um país mais forte do que aquele que recebemos em 2016, com instituições estáveis, reformas em curso e maior capacidade para responder aos desafios que ainda permanecem”, afirmou.
Luís Carlos Silva sustentou que Cabo Verde continua a projectar confiança internacional e criticou a tentativa, segundo disse, de apresentar uma imagem negativa do país para justificar opções políticas do actual Governo.
Já a líder parlamentar do PAICV, Carla Lima, apontou sectores como turismo, emprego, educação e transportes como áreas onde considera existir necessidade de intervenção e defendeu que o crescimento económico registado não chegou de forma suficiente às famílias. “É um país cujo enorme potencial foi mal governado e em 2025, com uma economia que crescia 6,3%, ainda assim os cabo-verdianos não conseguiram sentir este crescimento”, disse.
Carla Lima criticou igualmente a forma como, segundo afirmou, foram utilizados recursos públicos durante o período eleitoral, acusando o anterior Governo de instrumentalizar apoios sociais.
A líder parlamentar do PAICV apontou também desequilíbrios no modelo económico, considerando que sectores importantes da economia nacional continuam sem beneficiar plenamente das oportunidades geradas pelo crescimento. “O turismo permanece fortemente concentrado no Sal e na Boa Vista e dominado pelo All Inclusive, que representou 84% dos visitantes em 2024”, apontou.
Carla Lima defendeu que os indicadores económicos devem ser analisados tendo em conta o impacto na vida das pessoas, apontando problemas no mercado laboral, na pobreza e na protecção social.
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