Artigos de Irlando Ferreira no nosso arquivo

Memória coletiva e o risco da instrumentalização do esquecimento
Nos últimos tempos, alguns questionamentos têm ocupado particularmente o meu pensamento: que tratamento tem Cabo Verde dado à sua memória coletiva, especialmente no sector da cultura? Mais concretamente, o que tem sido feito dos espólios legados por figuras fundamentais na construção da nossa trajetória enquanto nação? Que condições e políticas públicas têm sido criadas para que este património possa ser preservado, catalogado, estudado e difundido?

Instituições ocas e dirigentes submissos
De acordo com Fatos Üstek, as instituições culturais devem aprofundar o seu compromisso com os artistas, baseando-se num conhecimento sólido das artes. Isto requer um acompanhamento próximo dos artistas para entender as suas aspirações, ideias e visões.

Míopes numa terra onde as cabras têm sido os nossos mestres
Não se trata de condições, mas sobretudo de visão. Quem entre nós – agentes culturais, decision-makers, comunidade em rede – conhece a antiga Residência da Presidência da República na ilha do Fogo, camuflada numa das maiores áreas florestais de Cabo Verde? Um edifício de particular beleza arquitetónica e valor patrimonial, inserido numa paisagem de cortar a respiração, aí deixado à sua sorte.

Carnaval de Mindelo
O Carnaval de São Vicente tem feito um percurso histórico de particular importância no contexto das manifestações culturais e criativas do país. Trata-se do maior ecossistema criativo da ilha, no sentido em que cabem nele as diferentes linguagens artísticas – visuais e performativas. Torna-se, assim, fundamental analisá-lo do ponto de vista crítico, de modo a poder contribuir para a sua exponenciação enquanto motor de desenvolvimento efetivo da criação artística em Cabo Verde.
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