Para Abrãao Vicente, televisões e rádios privadas não têm "estratégias comerciais adequadas"

PorAilson Martins, Rádio Morabeza,11 mar 2019 14:47

Estúdio 1, da Rádio Morabeza
Estúdio 1, da Rádio Morabeza(Rádio Morabeza)

As televisões e as rádios não têm estratégias comercias adequadas para explorar todo o potencial do mercado cabo-verdiano e o Estado "não pode continuar a transferir recursos público para o sector privado". O entendimento é do ministro da Cultura e das Indústrias Criativas, em declarações aos jornalistas, esta manhã, na Praia.

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Abraão Vicente falava à margem da tomada de posse dos novos conservador e curadora do Arquivo Histórico e Biblioteca Nacional. Para o governante que tutela a comunicação social, o sector privado ainda não explorou tudo aquilo que é o potencial do mercado nacional.

"Nós temos que mudar esta mentalidade, em que todos os sectores o Estado tem que incentivar. O Estado não pode continuar a transferir recursos públicos para o sector privado, quando o sector privado ainda também não explorou devidamente tudo aquilo que é o potencial do mercado publicitário. Diz-se que o mercado publicitário cabo-verdiano é pequeno, mas todos os estudos revelam que as empresas cabo-verdianas que podem ser beneficiadas, nomeadamente as televisões e as rádios, ainda não tem estratégias comerciais adequadas para explorar todo o potencial do mercado cabo-verdiano", afirma. 

Por outro lado, Abraão Vicente garante que a Radio Televisão Cabo-verdiana (RTC) não se vai retirar do mercado publicitário.

"A retirada da RTC do mercado publicitário significaria a insustentabilidade da empresa pública (...) Pode vir a acontecer um dia, mas neste momento não está em pauta nem em estudo a retirada da RTC do mercado publicitário”, explica

Abraão Vicente disse ainda que a reestruturação da Radio Televisão Cabo-verdiana (RTC), anunciada há algumas semanas, no Parlamento, só sairá do papel quando existirem garantias financeiras.

Governo anuncia estatuto de utilidade pública para órgãos privados de comunicação social

O Governo vai dotar os órgãos de comunicação social privados de estatuto de utilidade pública. Trata-se de uma medida de incentivo para que as referidas empresas possam investir, através do valor arrecadado com o IVA, em recursos humanos e materiais, anunciou a tutela.

Em Janeiro, o próprio ministro da tutela anunciou que o Governo vai dotar os órgãos de comunicação social privados de estatuto de utilidade pública. Trata-se de uma medida de incentivo para que as referidas empresas possam investir, através do valor arrecadado com o IVA, em recursos humanos e materiais, anunciou a tutela.

“É importante ressaltar que em todos os índices internacionais Cabo Verde é penalizado pelo enorme peso do sector público na comunicação social, o que indicia que o sector privado seja fraco”, disse.

"Muito mais do que uma medida financeira, é uma medida de médio e longo prazo para a sustentabilidade do sector privado", antecipava na altura.

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Autoria:Ailson Martins, Rádio Morabeza,11 mar 2019 14:47

Editado porNuno Andrade Ferreira  em  26 mai 2019 23:22

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