Viagem para o Maranhão custou mais de 100 contos a cada migrante

PorExpresso das Ilhas,22 mai 2018 9:33

Depois de inicialmente ter sido garantida, pela Polícia Federal e pela comunicação social brasileira, a presença de cabo-verdianos a bordo do catamaran rebocado para o porto de São José de Ribamar, no Maranhão, acabou por não se confirmar.

Contactado pelo Expresso das Ilhas, o ministro dos Negócios Estrangeiros e Defesa, Luís Filipe Tavares revelou que "não há qualquer cidadão cabo-verdiano entre os passageiros do navio" que foi socorrido no sábado a pouco mais de 100 km do porto de São José de Ribamar.

No entanto, as autoridades brasileiras continuam convencidas de que Cabo Verde terá sido o ponto de saída do navio que transportava os 25 homens. 

Hoje, a Folha de São Paulo relata que cada um dos homens revelou que terá pago cerca de 100 contos para fazer a travessia ilegal a partir de Cabo Verde. 

Os dois brasileiros, supostos autores do transporte ilegal, contaram à Polícia Federal versões diferentes do que aconteceu. Um terá alegado que os dois estavam em Cabo Verde onde realizavam passeios turísticos com o grupo, enquanto o outro alegou que enquanto navegava com o colega encontrou o grupo a bordo de um navio avariado e que, por isso, os teriam resgatado. À polícia, aponta a comunicação social brasileira, o grupo de migrantes negou ambas as versões.

A rede Globo conta que "após uma viagem de 35 dias pelo Oceano Atlântico e terem ficado à deriva durante o percurso, os imigrantes resgatados no Maranhão contaram que vieram para o Brasil em busca de uma vida melhor devido à situação que viviam".

Um dos homens, natural da Serra Leoa, contou que resolveu arriscar a viagem para o Brasil por causa da realidade vivida em Serra Leoa nos últimos anos.

“Vim porque no meu país, Serra Leoa, tivemos guerra. Depois da guerra, a chuva matou muita gente. Também teve ébola”, explicou.

“A previsão da Polícia Federal é que eles fiquem no Ginásio Costa Rodrigues, no Centro de São Luís, até sexta-feira para passar por procedimentos administrativos. A polícia federal recomendou que eles permaneçam no local até que se conclua o procedimento administrativo e defina a situação jurídica deles no país”, informou o secretário de Direitos Humanos e Participação Popular, Francisco Gonçalves.

No total, 25 estrangeiros viajaram de barco entre Cabo Verde e o Brasil. Quanto às nacionalidades, a Globo aponta que 1 é de Serra Leoa, 2 da Nigéria, 3 da Guiné e 19 de Senegal. Em depoimento à Polícia Federal, disseram que o barco partiu de Cabo Verde entre os dias 16 e 17 de Abril.

"A ideia era a entrada ilegal dessas pessoas em território nacional para finalidades diversas", afirmou o delegado Luís André Lima Almeida, chefe da delegacia de Imigração da Polícia Federal no Maranhão, Brasil.

Contactada pelo Expresso das Ilhas, a Polícia Marítima, em São Vicente, não quis prestar declarações sobre este caso

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Autoria:Expresso das Ilhas,22 mai 2018 9:33

Editado porNuno Andrade Ferreira  em  21 set 2018 3:22

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