Cabo Verde "está amarrado à disponibilidade de vagas em Portugal"

PorAndré Amaral,9 ago 2019 19:02

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O Director Nacional de Saúde anunciou, hoje, que vai ser aberto um inquérito para averiguar o que motivou o atraso na evacuação da criança de 4 anos que faleceu ontem, em São Vicente, e que não foi evacuada para Portugal.

Artur Correia, Director Nacional de Saúde, disse que o processo relativo à criança "começou com urgência e depois passou para máxima urgência, tendo em conta a evolução rápida do caso clínico. Depois dessa situação, automaticamente, Portugal tomou conhecimento do caso de máxima urgência e o ministério fez o seu trabalho de contactar e fazer pressão para que a situação se resolvesse o mais depressa possível".

Artur Correia explicou que Cabo Verde "está amarrado à disponibilidade de vagas em Portugal no processo de evacuação existente e em vigor" e defendeu que "esse processo precisa de ser aperfeiçoado" sendo necessário encontrar alternativas para fazer face a situações deste género "que são evacuações de máxima urgência e ficamos à espera da reacção das autoridades portuguesas".

Questionado se haveria falta de vagas nos hospitais portugueses, Artur Correia explicou que "não houve resposta por parte de Portugal. A última resposta que recebemos foi que iriam fazer mais esforços junto dos hospitais para se encontrar vaga para aquela situação".

A morosidade do processo de evacuação levou a mãe da criança a apelar, na comunicação social, a uma maior rapidez. Artur Correia explica que "a partir do momento que a Junta analisa o caso e produz o seu relatório, no mesmo dia envia para o ministério e o ministério homologa no mesmo dia ou no dia a seguir. No dia seguinte é lançado no sistema informático e Portugal visualiza automaticamente o caso".

O Director Nacional de Saúde disse ainda que Cabo Verde "devia evacuar cerca de 300 doentes por ano para Portugal e estamos a duplicar esse número. Nós compreendemos a situação do governo português e as dificuldades que o sistema de saúde de Portugal enfrenta". "Temos de gerir essa situação de forma a não por em causa a nossa cooperação com Portugal", acrescentou.

"Estamos a ganhar em vários domínios. Já não evacuamos tanto nas áreas de orto-traumatologia, da cardiologia, ganhámos em várias especialidades. Na área da oncologia temos resposta local para tratamento, para diagnóstico, mas precisamos de potenciar. Por exemplo, não temos ainda radioterapia e grande parte dos nossos doentes são evacuados para fazerem radioterapia", apontou Artur Correia que disse ainda que com o novo hospital da Praia "que está a ser projectado e sobre a mesa está essa possibilidade de aumentarmos ainda mais a nossa autonomia em relação a várias especialidades que são objecto de evacuações para Portugal".

O Director Nacional destacou que, na próxima terça-feira, se irá realizar uma reunião com todos os envolvidos no que respeita a evacuações. "INPS, Promoção Social, Hospitais, Juntas de Saúde, vamos debater essa problemática e constatar que o sistema [de evacuações], de facto, está esgotado, precisa de ser aperfeiçoado".

Artur Correia disse ainda que o Hospital Baptista de Sousa se irá pronunciar sobre este caso.

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Autoria:André Amaral,9 ago 2019 19:02

Editado porNuno Andrade Ferreira  em  5 dez 2019 23:21

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