Coronavirus : Director Nacional de Saúde garante que todos os passageiros estão a ser acompanhados

PorAndre Amaral,8 fev 2020 10:57

Nos últimos dias entraram em Cabo Verde cerca de duas dezenas de pessoas vindas da China, disse esta terça-feira de manhã, o Director Nacional de Saúde, Artur Correia, à comunicação social presente na conferência que assinalava o Dia Mundial da Luta Contra o Cancro. A China enfrenta desde o final de Dezembro uma epidemia de coronavírus que já se espalhou por, pelo menos, mais 24 países.

“Todos os casos que regres­saram ao país, até hoje [ontem] de manhã são viajantes que vieram da China, chineses e cabo-verdianos, e que não têm sintomas”, garantiu o Director Nacional de Saúde.

O mesmo responsável assegurou que todas estas pessoas que chegaram a Cabo Verde “passaram pela triagem nos aeroportos onde receberam aconselhamento e material informativo e onde lhes foi aconselhado vivamente que façam uma quarentena voluntária domiciliar com medidas protectoras, medidas de restrição social para poderem contribuir também para essa prevenção da entrada no país do coronavírus”, acrescentou.

Artur Correia lembrou que a Constituição da República não permite o internamento compulsivo nos hospitais dos viajantes que tenham origem na China. “A não ser que haja motivos concretos, pensamos que ainda não temos uma situação que implique accionar os tribunais para obrigar as pessoas” ao internamento, comentou.

“Nós já montamos, a nível dos aeroportos internacionais, um sistema de vigilância em que todas as pessoas provenientes da China são recebidas por profissionais de saúde, respondem a um questionário e é analisada e avaliada a situação sintomatológica em termos clínicos e epidemiológicos e com possibilidade de triagem de eventuais casos suspeitos”.

Contactado pelo Expresso das Ilhas para esclarecimentos adicionais, Artur Correia explicou que o governo decidiu fazer um balanço semanal sobre o acompanhamento que está a ser feito à epidemia de coronavírus. Balanço esse que se realizará durante o dia de hoje.

Estudantes sob vigilância

Exemplo da medida de ‘quarentena domiciliar’ são os cinco estudantes que nos últimos dias chegaram a São Vicente.

Em declarações à Inforpress, Elísio Silva, Delegado de Saúde em
São Vicente, avançou que as autoridades sanitárias, no Mindelo, já iniciaram o controlo na fronteira aérea na sexta-feira. Desde então, declarou o mesmo responsável, cinco pessoas foram colocadas em “quarentena domiciliar” ou “isolamento profilático voluntário”. Dessas pessoas quatro são de São Vicente e uma de Santo Antão.

“Temos uma equipa no aeroporto Cesária Évora que os tem recebido e tem dado as recomendações tanto aos estudantes quanto aos familiares”, explicou o delegado de Saúde, que avançou com quatro casos na sua ilha e um em Santo Antão.

A Delegacia de Saúde, segundo a mesma fonte, tem mantido “contacto diário” com os estudantes para saber do estado de saúde e saber se há algum sintoma.

“Até agora não registamos nada, mas falámos com os familiares diariamente, que estes devem ter o mínimo de contacto possível com as outras pessoas, sem visitas, pelo menos nestas próximas duas semanas, tempo que normalmente o vírus se manifesta”, sublinhou.

Elísio Silva adiantou ainda que as autoridades sanitárias na ilha já tiveram reuniões com a associação de empresários chineses e com responsáveis da Embaixada da China que “têm estado a apoiar” nessa prevenção.

“A associação, inclusive, recomendou aos chineses que estão cá a não viajarem para China e os que foram para as festas do Ano Novo a não regressarem por enquanto”, assegurou o responsável máximo do sector da saúde na ilha, que apontou ainda um caso de uma chinesa, residente em São Vicente, que viajou para China e no regresso foi colocada de quarentena pelos próprios chineses.

Coronavirus não é pandemia

Esta terça-feira a Organização Mundial de Saúde considerou que a epidemia do novo coronavírus que surgiu na China não é ainda uma pandemia.

“Actualmente, não estamos em situação de pandemia”, termo que se aplica a uma situação de disseminação global de uma doença, disse à imprensa Sylvie Briand, directora do departamento de preparação global para os riscos infecciosos da OMS.

“Estamos numa fase epidémica com múltiplos surtos”, acrescentou.

Desde que surgiu, em Dezembro passado, em Wuhan, capital da província de Hubei, o novo coronavírus já provocou 426 mortos e infectou mais de 20.400 pessoas.

Sylvie Briand lembrou que o berço da epidemia foi a província de Hubei. “A transmissão de homem para homem é intensa e as autoridades chinesas adoptaram medidas” para limitar a propagação da doença, acrescentou.

“Esperamos que, com base nessas medidas tomadas em Hubei, mas também em outros lugares em que tivemos casos, possamos parar a transmissão e livrar-nos desse vírus”, sublinhou.

A responsável da OMS considerou que conter o vírus é um autêntico desafio devido à deslocação das populações e à facilidade de transmissão. “Não estou a dizer que é fácil, mas (...) achamos que é possível”, concluiu. 

Texto originalmente publicado na edição impressa do Expresso das Ilhas nº 949 de 5 de Fevereiro de 2020. 

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Autoria:Andre Amaral,8 fev 2020 10:57

Editado porJorge Montezinho  em  20 set 2020 23:20

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