Distanciamento social decisivo para travar expansão em Cabo Verde

PorAndre Amaral,10 abr 2020 13:37

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Estudos com previsões sobre a evolução da COVID-19 em Cabo Verde foram apresentados, hoje, no Palácio do Governo. Medidas de contenção e isolamento social mostram estar a dar resultados.

A rápida intervenção do Estado terá sido essencial para evitar o rápido alastramento da COVID-19. Essa é a conclusão que se tira dos dois estudos apresentados hoje no Palácio do Governo.

Hernando Agudelo, representante da OMS em Cabo Verde, explicou no início da sua apresentação que os cálculos efectuados, sobre a evolução da COVID-19 em Cabo Verde, foram feitos com base em dados “estatísticos recolhidos na evolução da doença na Alemanha, China, Itália e Espanha”.

E segundo essas projecções Cabo Verde teria, ontem, 9 de Abril, atingido o pico de infecção com 4338 casos de infecção e uma morte. “Entre os casos de infecção”, explicou Hernando Agudelo, “2170 seriam assintomáticos, 207 seriam moderados, 207 leves, 2 graves e 1 crítico”.

Além disso “três pessoas teriam necessidade de estar ligadas a ventiladores e 38 pessoas internadas”.

Ao final de um ano, ou seja, em Março de 2021 Cabo Verde teria registado “102.221 casos de infecção” dos quais a grande maioria – 85077", segundo o representante da OMS – seriam assintomáticos. “Já o número de mortes rondaria as 40 pessoas”, referiu Hernando Agudelo.

Mas este é um cenário que, como já foi referido, analisa Cabo Verde à luz de dados estatísticos recolhidos em países onde a evolução da doença foi muito mais rápida e severa do que em Cabo Verde.

Com base nos dados fornecidos pela Direcção Nacional de Saúde, José Augusto Fernandes, consultor do Ministério da Saúde, destacou que, também na eventualidade de o Estado não ter tomado qualquer medida preventiva de contenção, a epidemia resultaria “no número máximo de infectados de 165.501 pessoas” e deveria ocorrer “entre o vigésimo sétimo e vigésimo oitavo dia do início da epidemia, ou seja entre os dias 27 e 28 de Abril, o que significa que cerca de 30% da população será infectada”.

A estimativa deste outro estudo aponta que, num mesmo cenário de não intervenção preventiva do Estado, haveria “uma grave situação em relação ao número de mortos, totalizando cerca de 1.821 mortes até o pico máximo de infectados, correspondendo a uma média de 67 mortes por dia. Estima-se que entre o vigésimo quinto e vigésimo sexto dia a seguir à epidemia, poderá haver cerca de 348 mortos num só dia”.

Já no que respeita às necessidades hospitalares – recorde-se que no mesmo cenário de não intervenção estatal – “o modelo estima que haverá uma grande pressão nos hospitais, com cerca de 3.972 pessoa com necessidades hospitalares (dos quais 3310 com necessidade de internamento e 662 com necessidades da UCI)”.

Mas este é um cenário, uma vez mais, em que o Estado não tomava qualquer medida preventiva e que o Estado de Emergência não tinha sido declarado pelo Presidente da República.

Entretanto, José Augusto Fernandes defende que se tem notado “por parte de todas as instituições responsáveis pela definição das medidas de combate ao COVID 19, a preocupação geral de alertar para a necessidade do distanciamento social, e de medidas de higiene pessoal, como essenciais para a eliminação da epidemia”.

“O Governo, que definiu desde logo a quarentena, o Presidente da Republica, que reforçou essa medida pela declaração do Estado de Emergência, as Instituições de Saúde, que reforçam aquela medida e ainda o lavar de mãos e o uso de desinfectante”, foram factores decisivos, defendeu.

Foi também analisado o impacto das medidas de isolamento, considerando diferentes níveis de quarentena.

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Segundo este quadro apresentado por José Augusto Fernandes, fica demonstrada a necessidade de se implementarem medidas preventivas de isolamento e distanciamento social.

Um outro gráfico que ajuda a explicar a importância destas medidas:

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Ou seja, com os “diversos cenários de projecção equacionados, fez-se uma análise comparativa com a evolução real da COVID 19 a nível nacional, que teve o seu início no dia 19 de Março. Comparando a evolução dos casos reais com os cenários projectados, verifica-se que a evolução real está entre os cenários Quarentena_50% e Quarentena_80%, conforme o gráfico.De notar que as projecções estão a ser feitas a nível nacional, ou seja considera-se que todos os parâmetros, nomeadamente taxa de transmissão são iguais a todas as ilhas”. No entanto, caso se constatar “que os comportamentos definidos pelos parâmetros acima expostos, diferem de Ilha para Ilha, então poderão ser desenvolvidas projecções específicas” para cada uma das ilhas de Cabo Verde.

A encerrar a conferência, Artur Correia falando "não como Director Nacional de Saúde, mas como técnico de saúde pública", defendeu que o Estado de Emergência "deve ser prolongado".

Questionado sobre existirem ilhas onde, até agora, não se registou qualquer caso suspeito, Artur Correia explicou que "esse Estado de Emergência deve levar em consideração essas nuances que temos nas ilhas, porque a dinâmica de diagnóstico varia de uma ilha para a outra, mas não sei se juridicamente isso é possível".

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Autoria:Andre Amaral,10 abr 2020 13:37

Editado porSara Almeida  em  26 nov 2020 23:20

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