Faz agora um ano que tomou posse como presidente da Câmara Municipal. Que balanço faz dos primeiros 12 meses?
Um ano depois de assumir esta enorme responsabilidade, faço um balanço profundamente positivo, consciente e, acima de tudo, comprometido com as pessoas da Ribeira Grande. Governar um concelho com realidades sociais, económicas e territoriais tão distintas — do litoral às zonas altas, dos centros urbanos às comunidades rurais mais isoladas — exige coragem, proximidade, escuta permanente e uma forte capacidade de articulação institucional. Foi com esse espírito que decidimos governar.
Desde o primeiro dia, optámos por uma governação de terreno, de rosto humano, que vai ao encontro das pessoas, escuta as suas preocupações e procura soluções concretas. A iniciativa “Presidência na Comunidade” simboliza essa escolha política clara: governar com as pessoas, no território, percebendo os problemas onde eles realmente existem. Esta proximidade tem-nos permitido encontrar respostas mais justas, mais rápidas e mais ajustadas à realidade de cada localidade.
Este primeiro ano foi, em grande medida, um ano de arrumar a casa, de acordo com a Plataforma de Governação que os ribeira-grandenses legitimaram nas urnas. Reforçámos a capacidade técnica e financeira da Câmara, introduzimos maior rigor e organização na gestão pública e lançámos bases sólidas para investimentos estruturantes que hoje já são visíveis no terreno ou se encontram em fase avançada de preparação.
Os desafios foram muitos. Enfrentámos uma forte pressão social, sobretudo nas áreas da habitação, da água, do saneamento e da mobilidade, bem como a necessidade de garantir uma distribuição mais equilibrada dos investimentos por todo o concelho. Tivemos também de gerir expectativas legítimas das populações, num contexto de recursos limitados, o que exige escolhas responsáveis, transparência e sentido de prioridade.
Herdámos constrangimentos administrativos e financeiros e lidámos com a complexidade de articular respostas com o Governo Central, parceiros internacionais e o sector privado. Mas com diálogo, trabalho sério e espírito de missão, conseguimos desbloquear projectos, consolidar parcerias, avançar com investimentos e, sobretudo, devolver confiança às pessoas.
Este primeiro ano fica marcado por decisões estratégicas e por realizações concretas que reflectem a nossa visão de um desenvolvimento equilibrado, inclusivo e sustentável para todo o concelho da Ribeira Grande.
No plano da cooperação internacional, destaco a assinatura da geminação com a Câmara Municipal de Florange, em França, bem como a renovação e dinamização das geminações com os municípios parceiros em Portugal. Estamos igualmente a trabalhar para concretizar, em breve, uma nova geminação com uma câmara municipal em Espanha, reforçando a projecção internacional do concelho e abrindo novas oportunidades nas áreas social, cultural, desportiva e económica.
Ao nível das infraestruturas e do desporto, consolidámos o projeto do Estádio do Tarrafal, avançámos com a substituição do relvado do Estádio João Serra — cuja reconstrução estrutural está em curso — e reconstruímos o Polivalente de Figueiral. São investimentos que afirmam o desporto como instrumento de inclusão social, promoção da juventude e coesão comunitária.
Na mobilidade e na inclusão social, reforçámos significativamente o transporte escolar com duas viaturas Coaster de 30 lugares e um autocarro de 52 lugares, melhorando o acesso à educação, sobretudo para os alunos das zonas mais distantes.
A protecção civil mereceu atenção prioritária. Reforçámos a capacidade operacional dos Bombeiros com mais uma ambulância, recuperámos outra e temos previstas a chegada de mais duas ambulâncias, uma viatura autotanque e uma viatura tipo Hiace. Trata-se de um salto qualitativo na capacidade de resposta às emergências e na protecção da vida humana.
Na inclusão digital e na inovação, criámos praças digitais em várias localidades, recorrendo à tecnologia Starlink, reduzindo assimetrias e aproximando comunidades das oportunidades do século XXI.
Do ponto de vista económico e cultural, realizámos a primeira Feira do Mar e do Pescador, valorizando o sector das pescas e a identidade marítima da Ribeira Grande. Promovemos o Festival 7 Sóis 7 Luas, com transmissão em livestream pela primeira vez, e está prestes a iniciar-se a reconstrução do Recinto Recreativo e Cultural de Ponta do Sol, um espaço emblemático da vida social e cultural do concelho.
Preparamos projectos estruturantes para o futuro, como a recuperação das Piscinas Oceânicas de Sinagoga e de Ponta do Sol, a requalificação da orla costeira, com passeio marítimo, piscina municipal, quiosques, campos desportivos de praia e espaços de lazer, afirmando uma nova centralidade urbana e turística.
Concluímos e inaugurámos a Estrada de João Afonso, uma obra estruturante que serve várias comunidades, melhorando mobilidade, segurança rodoviária e dinamização económica. Na Cidade da Ponta do Sol, avançámos com a Rua 14, a requalificação de eixos urbanos estratégicos e novas ligações rodoviárias que vão descongestionar o trânsito e melhorar a circulação.
Na saúde pública e no ordenamento do território, estamos a acelerar a retirada das pocilgas em zonas críticas, respondendo a reivindicações antigas das populações e promovendo um ambiente mais saudável e digno. Garantimos energia eléctrica à comunidade de Figueiras com a aquisição de um gerador, numa resposta responsável a uma necessidade vital.
Modernizámos os Paços do Concelho, melhorando as condições de trabalho dos colaboradores e a imagem institucional, e estamos a preparar um novo sistema de atendimento aos munícipes, mais eficiente, humanizado e organizado. Criámos o Gabinete de Promoção Empresarial, uma aposta clara na dinamização da economia local, no emprego e na geração de rendimento.
No sector da energia, em parceria com a ELECTRA/EDEC, concretizámos a ligação eléctrica à localidade de Matinho–Lagoa e estamos a estruturar soluções inovadoras com energia solar para zonas dispersas, com o objectivo de alcançar uma cobertura próxima dos 100%.
Temos frentes de trabalho activas em todas as freguesias na limpeza e requalificação dos caminhos vicinais, muitos deles esquecidos há anos, devolvendo dignidade às comunidades rurais e melhores condições de circulação e acesso às zonas agrícolas.
Desde a primeira sessão da Assembleia Municipal, instituímos uma governação aberta, transparente e participativa, permitindo que todos os ribeira-grandenses, incluindo a diáspora, acompanhem os debates e decisões. Foram aprovados orçamentos e instrumentos fundamentais num ambiente democrático, plural e responsável.
Em síntese, este foi um primeiro ano de muito trabalho, proximidade e visão estratégica. Fizemos obra, preparámos o futuro e lançámos alicerces sólidos de confiança, planeamento e esperança. O caminho é exigente, mas a Ribeira Grande tem hoje uma Câmara mais próxima, mais organizada e mais determinada em servir melhor as suas populações.
Que medida concreta a Câmara Municipal prevê implementar para a melhoria e construção de caminhos vicinais, tendo em conta o seu impacto directo na mobilidade das populações, no escoamento de produtos agrícolas e também como atractivo turístico?
A medida concreta é uma intervenção em várias frentes:
Manutenção e limpeza integral de todos os caminhos vicinais em todo o concelho, com reforço de meios, incluindo roçadeiras, para garantir continuidade e rapidez, mas acima de tudo, assente numa política de assegurar o pagamento do salário equiparado ao privado, num momento em que a mão-de-obra se torna o recurso mais escasso. Temos frentes de trabalho em todas as freguesias e muitas vezes, mais do que um grupo, de modo a acelerar o processo de limpeza de todos os caminhos vicinais no pós-chuva. E garanto que todo este trabalho ficará concluído até o final do mês de Janeiro, muito embora, nas freguesias de Nossa Senhora do Livramento e São Pedro Apóstolo já estejam concluídos, para a satisfação dos moradores e visitantes;
Reabilitação estrutural (reconstrução de fundo) de eixos prioritários já em fase de concurso público, visando a sua contratualização, com impacto direto na mobilidade, escoamento agrícola e valorização turística, incluindo ligações como: Lombos–Figueiras de Cima–Meio de Espanha–Selada das Chapas; Figueiras–Ribeira Alta; Ribeira Alta–Chupadouro–Ribeira de Inverno–Boca de Garça–Chã de Igreja; Pinhão–Monte Joana–Matinho–Ribeira das Burras–Lombo Branco.
Estes investimentos estruturantes são complementados pela criação de três miradouros estratégicos, que acrescentam valor turístico e paisagístico aos caminhos vicinais: Estátua de São Pedro Apóstolo – Chã de Igreja; Lumbim – Ponta do Sol para contemplar o nascer e o pôr do sol; e Delgadinho de Corda – um miradouro que divide os Vales de Ribeira Grande e Ribeira da Torre, numa simbiose que corta a respiração.
Estamos, de facto, a cuidar dos caminhos vicinais como nunca foi feito, com uma abordagem integrada que junta mobilidade, agricultura e turismo. Acresce que, no âmbito da Associação dos Municípios de Santo Antão e em articulação com o Instituto do Turismo de Cabo Verde, e o devido suporte do Governo de Cabo Verde, estamos a estudar um novo modelo de governança dos caminhos pedestres da ilha, que permita uma gestão mais profissional, autonomia financeira e melhores condições de segurança e manutenção ao longo de todo o ano, tanto para os residentes como para os visitantes.
Quais são os planos do município para a construção e reabilitação de habitação social, a melhoria do saneamento básico e a regulação e gestão das pocilgas, de forma a garantir melhores condições de saúde pública e qualidade de vida?
A habitação social tem sido uma das nossas maiores prioridades, porque estamos a falar de dignidade, de qualidade de vida e de justiça social. Só neste primeiro ano de mandato, já apoiámos mais de 40 famílias na recuperação dos tectos das suas habitações, respondendo a situações urgentes e muitas vezes acumuladas ao longo de anos.
Paralelamente, estamos a ultimar dois projectos estruturantes de habitação social, nomeadamente a construção de seis habitações sociais na localidade de Tarrafal e outras seis habitações em Cruzinha, que permitirão dar respostas concretas a famílias em situação de maior vulnerabilidade. Estamos a trabalhar para encontrar uma solução para a recuperação dos tectos das habitações sociais construídas em Lagoa, Tarrafal, Ladeira, Chã de Igreja e Cruzinha, que solicitam uma intervenção estruturante.
Temos igualmente uma preocupação muito clara com a habitação jovem. Estamos a trabalhar para garantir o acesso a lotes de terreno em Cruzinha, de forma a responder à elevada procura por parte dos jovens que desejam construir uma habitação própria e condigna. Do mesmo modo, em articulação com a Igreja Católica, será disponibilizada uma área de cerca de 6.000 metros quadrados em Chã de Igreja, onde serão criados lotes destinados a jovens, residentes e emigrantes, que queiram investir na sua casa própria.
Apesar dos avanços registados, temos plena consciência de que o caminho ainda é longo, porque as necessidades no setor da habitação são grandes e exigem respostas contínuas e estruturadas. Por isso, estamos a trabalhar de forma próxima com o Governo de Cabo Verde, no sentido de encontrarmos soluções conjuntas para enfrentar os inúmeros desafios existentes neste setor.
Complementarmente, estamos a investir na construção de 40 casas de banho em várias localidades do concelho, uma intervenção simples, mas de enorme impacto na dignidade humana, na saúde pública e na qualidade de vida das famílias, em estreita colaboração com o Fundo do Ambiente.
A nossa abordagem à habitação é clara: responder às urgências, planear soluções de médio e longo prazo e colocar sempre as pessoas no centro das políticas públicas.
No tocante ao Saneamento Básico, a Câmara Municipal definiu metas muito concretas e com prazos bem estabelecidos, em particular a recolha de resíduos sólidos. Desde logo, recuperámos um camião de lixo que entrará de imediato ao serviço, reforçando a capacidade operacional do município.
O maior investimento, contudo, está na aquisição de um camião novo para a recolha de resíduos sólidos, num valor aproximado de 18 mil contos, que permitirá modernizar e estabilizar definitivamente o serviço em todo o concelho. Com a entrada deste novo equipamento, vamos cumprir um dos grandes compromissos da nossa plataforma de governação: assegurar a recolha diária do lixo nas duas cidades — Ponta do Sol e Ribeira Grande/Povoação — com horários bem definidos e previsíveis para a população.
No tocante à desactivação da pocilga de Ponta do Sol, garantimos que estamos diante de um compromisso firme da Câmara Municipal e faz parte de uma visão clara de melhoria da qualidade de vida, da salubridade e da habitabilidade urbana da cidade. Neste momento, o projecto de eliminação definitiva dessa infraestrutura encontra-se em fase de negociação com os Fundos do Turismo e Ambiente, entidades com as quais estamos a trabalhar para garantir o enquadramento financeiro necessário à sua concretização.
Paralelamente, mantemos um diálogo permanente e responsável com os criadores, e posso afirmar que a esmagadora maioria tem plena consciência de que a cidade ganhará melhores condições ambientais, sanitárias e de bem-estar com a desactivação das pocilgas.
O principal factor que tem condicionado a concretização imediata desta decisão prende-se com a necessidade de assegurar uma solução socialmente justa para os criadores, evitando impactos negativos abruptos nas suas vidas. Nesse sentido, a Câmara irá avançar com mecanismos de indemnização e, simultaneamente, apoiar os poucos criadores que pretendam continuar a actividade, desde que o façam em moldes modernos, sustentáveis e organizados, capazes de funcionar como verdadeiras unidades de produção, com geração de emprego e rendimento.
Estamos, portanto, a trabalhar para que a desactivação aconteça de forma planeada, responsável e irreversível, conciliando o interesse público da cidade com a dignidade e o futuro dos criadores envolvidos.
Que iniciativas estão previstas para promover actividades geradoras de rendimento e o auto-emprego, sobretudo dirigidas a jovens e mulheres, e como o município pretende apoiar a sustentabilidade desses projectos?
A abordagem passa por criar condições, acompanhamento e mercado, não apenas “entregar apoios”. Nesse sentido, foi implementado o Gabinete de Promoção Empresarial para apoiar ideias, formalização, ligação a programas de financiamento, parcerias e capacitação.
Em paralelo, apostamos em eventos e dinâmicas económicas com identidade local, como por exemplo, a Feira do Mar e do Pescador, as Feiras de Produtos Agropecuários realizados na Cidade da Ponta do Sol e na Cidade da Ribeira Grande, o Festival 7 Sóis 7 Luas, o Primeiro Festival da Juventude, entre outros projectos que fixem consumo no concelho (cultura, turismo, restauração, economia do mar e agrotransformação. Sustentabilidade significa: mentoria, formação, ligação a compras públicas quando aplicável, e integração em cadeias de valor: turismo-agricultura-pesca-cultura.
Apesar de a iluminação pública não ser uma competência directa da Câmara Municipal, que tipo de parcerias ou articulações institucionais estão a ser equacionadas para melhorar este serviço no concelho?
Desde o início do mandato assumimos este tema como uma prioridade, mesmo reconhecendo que a responsabilidade directa da iluminação pública é da EDEC. Os contactos mantidos com o Ministério da Indústria, Comércio e Energia e com a EDEC/ELECTRA têm sido muito positivos e construtivos, o que já se traduz na substituição gradual de lâmpadas, uma melhoria que começa a ser notória em várias zonas, ainda que de forma pontual.
A EDEC e o Ministério da Energia já assumiram de forma clara e pública de que 6.437 lâmpadas LED vão ser instaladas na ilha de Santo Antão, sendo certo que algumas localidades já estão sendo contempladas. Um exemplo claro e feito nos últimos dias, as localidades de Corvo e Formiguinhas, que estavam às escuras e que em diálogo e concertação entre a Câmara Municipal e a EDEC foi feito uma grande intervenção nos últimos dias.
Contudo, o nosso objectivo é claro e estruturante: substituir integralmente a iluminação existente por lâmpadas LED, de baixo consumo, maior durabilidade e melhor qualidade luminosa. Esta é a solução definitiva para resolver o problema de forma sustentável, reduzir custos energéticos e reforçar significativamente a segurança da população, tanto nas cidades como nas zonas rurais, durante o primeiro trimestre do ano 2026.
Estamos determinados a resolver esta situação de uma vez por todas, porque melhor iluminação significa mais segurança, mais tranquilidade e melhor qualidade de vida para os nossos munícipes.
Paralelamente, inauguramos o projecto de electrificação da localidade de Matinho de Lagoa, assim como estamos a trabalhar num projecto estruturante para levar a energia eléctrica a todas as habitações do concelho, mesmo os mais recônditos, resumidos em cerca de 16 habitações dispersas e de difícil acesso, para que o Concelho da Ribeira Grande tenha uma cobertura de 100% de energia a todas as habitações.
De que forma o município pretende promover e tirar melhor proveito do potencial turístico local, assegurando que o turismo contribua efectivamente para o desenvolvimento económico e social das comunidades?
O turismo não só constitui a força motriz de desenvolvimento do nosso Cabo Verde, como um dos principais sectores de desenvolvimento do concelho de Ribeira Grande e da ilha de Santo Antão.
A ilha de Santo Antão é hoje a terceira ilha mais turística de Cabo Verde, somente atrás do turismo clássico de sol & praia as ilhas do Sal e da Boavista.
Ribeira Grande dispõe da maior rede de caminhos vicinais de Cabo Verde, uma riqueza inquestionável deixada pelos nossos antepassados, que outrora servia para circular dentro da ilha e aceder às suas ricas e proveitosas parcelas de terreno de sequeiro. É neste sentido que implementamos o forte programa de recuperação dos caminhos vicinais pós-chuva, a construção contínua de miradouros e atractivos turísticos, bem como a construção de um concelho activo, atractivo e que tem na morabeza das suas gentes a sua maior virtude.
Temos uma riqueza extraordinária em Ribeira Grande. Foi a primeira localidade a receber colonos, a Povoação de Santa Cruz, pela sua localização estratégica e existência de água potável. Paralelamente, Ribeira Grande viu nascer ilustres filhos, tais como o enorme compositor Manuel d’Novas (Penha de França), o notável químico Roberto Duarte Silva (Cidade da Ribeira Grande), o primeiro general negro do exército português, o Viriato Gomes da Fonseca (Coculi), e ainda na sua descendência viu nascer a diva dos pés-descalços, a Cesária Évora (Ribeira da Torre), o vulto da música Tito País (Figueiral) e a mais recente encantadora vós cabo-verdiana Cremilda Medina (Ribeira da Torre), assim como a inconfundível voz de Lura (Lombo de Santa), são exemplos de embaixadores de Ribeira Grande no mundo.
A nossa estratégia cultural passa precisamente por criar dinâmica regular e permanente de animação cultural ao longo de todo o ano, ligada à identidade, à economia e ao turismo. Nesse sentido, estamos a apostar fortemente em dois grandes projectos estruturantes: a valorização das Piscinas Oceânicas da Ponta do Sol e da Sinagoga e a dinamização contínua do Espaço 7 Sóis 7 Luas.
Queremos transformar estes espaços em polos vivos de cultura, com programação regular de música ao vivo, gastronomia, artes, encontros culturais e valorização dos nossos saberes e sabores. O objectivo é claro: criar alternativas para que os turistas permaneçam mais tempo no concelho, consumam a nossa música, a nossa gastronomia e a nossa cultura, gerando mais rendimento para os empresários locais, mais emprego e mais divisas que ficam em Ribeira Grande e em Cabo Verde.
Estes espaços só farão sentido se forem bem aproveitados pelo sector privado. Cabe à Câmara Municipal criar as condições, os equipamentos e o ambiente certo para o investimento, e é isso que estamos a fazer. Aos empresários compete tirar o melhor partido destas infraestruturas, com criatividade, qualidade e profissionalismo.
Após o período das chuvas, desencadeámos um vasto e determinado processo de limpeza dos caminhos vicinais em todo o concelho da Ribeira Grande. Hoje, podemos afirmar com segurança e sentido de responsabilidade que cerca de 90% desses caminhos já se encontram limpos e transitáveis.
Paralelamente, estamos em diálogo permanente com o Governo de Cabo Verde para a implementação de um programa estruturado de recuperação integral dos caminhos vicinais, com o objectivo de garantir melhores condições de segurança para a circulação de pessoas e bens. Estes caminhos representam um dos mais valiosos patrimónios históricos, culturais e turísticos do nosso concelho — um legado precioso deixado pelos nossos antepassados, que importa preservar, qualificar e valorizar.
A sua importância é amplamente reconhecida no terreno, sendo diariamente utilizada e confirmada pelos guias turísticos, que percorrem estes trilhos com os grupos de visitantes que escolhem a Ribeira Grande como destino, contribuindo para a dinamização da economia local e para a promoção sustentável do nosso território.
A nossa visão é simples e clara: quem procura tranquilidade terá um concelho acolhedor para descansar; quem quer música ao vivo, cultura e vida noturna terá motivos para sair do hotel ou da pensão e viver Ribeira Grande de forma autêntica, segura e culturalmente rica, não apenas em datas festivas, mas ao longo de todo o ano.
A Câmara Municipal pondera assumir um papel mais activo no desenvolvimento da agricultura, nomeadamente através da criação de um pelouro de Desenvolvimento Rural que integre agricultura, pecuária, transformação agroalimentar e turismo rural?
Sim. A Câmara Municipal da Ribeira Grande tem plena consciência de que o desenvolvimento da agricultura e do mundo rural exige, nos dias de hoje, uma abordagem integrada, estruturada e sustentada por uma liderança política clara e consequente.
Nesse quadro, estamos a avaliar de forma responsável e ponderada a criação de um Pelouro de Desenvolvimento Rural, que integre agricultura, pecuária, transformação agroalimentar e turismo rural, numa lógica de cadeia de valor, complementaridade entre sectores e criação de rendimento no território. Entendemos que esta integração é determinante para valorizar o trabalho dos agricultores e produtores, fixar populações no meio rural e transformar o potencial endógeno do concelho em oportunidades económicas reais e sustentáveis.
Essa visão tem vindo a ser materializada através de acções concretas. Destaca-se, a título de exemplo, a realização da Feira Agropecuária, nos dias 19 e 20 de Dezembro, em estreita parceria com a Delegação do Ministério da Agricultura e Ambiente, envolvendo agricultores, pecuaristas e todos os que labutam no meio rural, num evento extensivo ao artesanato e à pesca. Do mesmo modo, realizámos a primeira Feira do Mar e do Pescador, no mês de Fevereiro, a grande Feira Agropecuária integrada nas festividades do Dia do Município, bem como várias outras iniciativas que têm imprimido uma nova dinâmica económica e social ao concelho.
Estas acções inserem-se numa estratégia clara de aproximar o produtor do mercado, fomentar a troca de experiências entre expositores, fortalecer redes de cooperação e criar sinergias que gerem ganhos ao nível da complementaridade entre actividades agrícolas, pecuárias, pesqueiras, artesanais e turísticas.
O futuro Pelouro de Desenvolvimento Rural terá como missão reforçar a articulação com os serviços do Estado, associações de produtores, cooperativas, sector privado e parceiros internacionais, promovendo o acesso à assistência técnica, à formação, ao financiamento, à inovação e aos mercados. Paralelamente, permitirá uma maior coordenação das políticas municipais ligadas à gestão da água, aos caminhos vicinais, à ordenação do território e à promoção turística, criando um ecossistema favorável ao desenvolvimento rural sustentável.
A nossa visão é inequívoca: a agricultura não pode ser encarada apenas como um setor primário, mas sim como um eixo estratégico de desenvolvimento económico, ambiental, social e cultural da Ribeira Grande, plenamente articulado com o turismo de natureza e com a valorização dos produtos locais. É neste caminho que queremos continuar a avançar, com diálogo permanente, planeamento responsável e um compromisso firme com todos aqueles que vivem e trabalham no mundo rural.
Que soluções estão a ser estudadas para reforçar o abastecimento de água, em particular nas zonas do Planalto e da Costa Leste, onde as dificuldades têm sido mais sentidas?
O reforço do abastecimento de água, particularmente nas zonas do Planalto e da Costa Leste, é uma das prioridades centrais da Câmara Municipal da Ribeira Grande. Nesse sentido, encontram-se em fase de planeamento e preparação vários investimentos estruturantes, em estreita articulação com a AdSA – Águas de Santo Antão, visando melhorar a fiabilidade, a cobertura e a segurança do sistema.
Um dos projectos mais relevantes diz respeito ao abastecimento de água à localidade de Cruz, na cidade da Ribeira Grande, cujo concurso será lançado em breve, prevendo-se o fornecimento a partir de Varzinha, na Ribeira da Torre. Esta intervenção permitirá igualmente reforçar o abastecimento às localidades de Tanque, Igrijinha e zonas circundantes, alargando o impacto positivo do investimento.
Estão também previstas intervenções no sistema de bombagem de Pinhão, com a criação de uma nova estação de bombagem, bem como a instalação de um ramal alternativo, com o objectivo de minimizar situações de rotura e garantir maior resiliência da rede. As localidades de Lombo Branco e Monte Joana serão igualmente alvo de intervenções de melhoria do abastecimento.
No caso específico de Chã Branca de Guiter, na Lagoa, está prevista a reposição e requalificação da rede de distribuição de água, danificada no âmbito das obras da Estrada de Lagoa, assegurando assim a reposição integral do serviço à população local.
Paralelamente, o Município encontra-se em negociação com o Governo para a construção de uma dessalinizadora na cidade da Ponta do Sol, projecto estruturante que permitirá aumentar de forma significativa a disponibilidade de água para consumo humano e usos económicos, com capacidade inicial para 1.000 m3 de água por dia. No mesmo quadro, está igualmente prevista a construção de uma ETAR – Estação de Tratamento de Águas Residuais, para a qual a Câmara Municipal já disponibilizou cerca de 7.000 m² de terreno, reforçando o compromisso com o saneamento, a saúde pública e a sustentabilidade ambiental, num dos pontos mais turísticos da ilha de Santo Antão e em clara expansão ao nível do crescimento urbano.
Em síntese, estamos a trabalhar com planeamento, parcerias e visão de futuro, conscientes de que a segurança hídrica é um factor decisivo para a qualidade de vida das populações, para o desenvolvimento económico e para a coesão territorial de Ribeira Grande.
Que resposta a autarquia pode dar às antigas reivindicações de intervenção nas estradas de Figueiral/João Afonso, Pinhão, Lombo Branco, Chã das Furnas, Ribeirão, Chã de Pedras e Ribeira de Duque?
A Câmara Municipal da Ribeira Grande reconhece plenamente a legitimidade e a justeza das reivindicações das populações relativamente às estradas de Figueiral/João Afonso, Pinhão, Lombo Branco, Chã das Furnas, Ribeirão, Chã de Pedras e Ribeira de Duque. Trata-se de infraestruturas essenciais para a mobilidade das pessoas, o escoamento da produção agrícola, o acesso aos serviços básicos e a coesão territorial do concelho.
No que respeita à estrada Figueiral/João Afonso, importa informar que já foi lançado o concurso para a elaboração do projecto de construção da via, um passo decisivo e indispensável para avançarmos, de forma estruturada e sustentável, para a sua execução.
Relativamente às restantes localidades — Pinhão, Lombo Branco, Chã das Furnas, Ribeirão, Chã de Pedras e Ribeira de Duque — a Câmara Municipal encontra-se em diálogo permanente e responsável com o Governo de Cabo Verde, no sentido de enquadrar estas intervenções nos programas de investimento público disponíveis, conscientes da sua importância estratégica para o desenvolvimento económico, social e territorial de Ribeira Grande.
A nossa actuação pauta-se por uma lógica de planeamento, priorização e parceria institucional, procurando garantir respostas efetivas, faseadas e sustentáveis às necessidades dos munícipes, sem criar falsas expectativas, mas com o firme compromisso de continuar a trabalhar para transformar reivindicações antigas em soluções concretas no terreno.
Que tipo de apoio o município está disposto a reforçar ou criar para estudantes do ensino superior, de modo a promover a formação de quadros e o desenvolvimento humano do concelho?
O apoio aos estudantes do ensino superior é uma prioridade estratégica da Câmara Municipal da Ribeira Grande, por entendermos que o investimento na formação de quadros é o investimento mais seguro no futuro do concelho.
Actualmente, o Município apoia cerca de 100 estudantes do ensino superior, distribuídos por diferentes estabelecimentos de ensino superior em todo o país, através de um conjunto de medidas que visam aliviar os encargos das famílias e garantir condições mínimas de permanência e sucesso académico.
Para além da manutenção e do reforço progressivo deste apoio, a Câmara Municipal está a avaliar a criação de novos mecanismos de incentivo, nomeadamente acordos com outras instituições de ensino no exterior, mormente em Portugal, com destaque para a Universidade da Maia, Instituto Politécnico de Castelo Branco e de Bragança, apoios complementares ao transporte, alojamento, bem como parcerias com instituições públicas e privadas que permitam estágios, programas de mentoria e maior aproximação dos estudantes à realidade do concelho.
A nossa ambição é que estes jovens não sejam apenas beneficiários de apoio social, mas futuros quadros qualificados ao serviço do desenvolvimento da Ribeira Grande, capazes de contribuir para a modernização da administração pública local, para o fortalecimento do sector privado e para a inovação social e económica.
Apostar nos nossos estudantes é apostar no desenvolvimento humano, na igualdade de oportunidades e num concelho mais preparado para os desafios do futuro. É com esse compromisso que continuaremos a trabalhar, em diálogo com as famílias, as instituições de ensino e os próprios estudantes.
No que consiste o projecto Ilha Criativa Art Embassy?
O projecto Ilha Criativa – Art Embassy é uma iniciativa estruturante de promoção da cultura, da criatividade e do talento local, com uma forte dimensão de projecção nacional e internacional de Ribeira Grande e da ilha de Santo Antão.
Trata-se de um espaço-plataforma pensado para acolher, apoiar e dar visibilidade a artistas, criadores e agentes culturais, funcionando como uma verdadeira “embaixada” da criação artística da ilha. O projecto combina residências artísticas, exposições, formações, intercâmbios culturais e programas de mobilidade, promovendo o encontro entre artistas locais, da diáspora e internacionais.
O Ilha Criativa – Art Embassy assenta numa visão integrada da cultura como motor de desenvolvimento económico, social e turístico, valorizando a identidade cultural de Santo Antão, estimulando a economia criativa, criando oportunidades para os jovens e reforçando a ligação entre cultura, turismo e inovação. Igualmente, informar que o projecto está em fase de formalização, sendo que a Associação já foi oficialmente criado, sendo que a Assembleia Geral Constitutiva realizou-se no início de Janeiro, pelo que correm os seus tramites normais na Conservatória e Cartório, de modo a permitir a abertura de contas bancárias e melhor articulação com a empresa mãe em Praga – República Checa, sob o comando do seu promotor maior, Sr. Oleg Terasov.
Para além da vertente artística, o projecto tem igualmente uma forte dimensão educativa e comunitária, promovendo oficinas, capacitação de criadores, envolvimento das comunidades locais e parcerias com instituições culturais e educativas, nacionais e estrangeiras.
Em síntese, o Ilha Criativa – Art Embassy pretende posicionar Ribeira Grande como um território de criação, intercâmbio e afirmação cultural, onde a arte é simultaneamente identidade, oportunidade económica e instrumento de desenvolvimento humano, projectando a ilha para o mundo sem perder as suas raízes.
Que impacto concreto espera a Câmara Municipal da Ribeira Grande que o projecto Ilha Criativa Art Embassy venha a ter no desenvolvimento cultural, social e na projecção internacional de Santo Antão ao longo dos próximos três anos?
A Câmara Municipal da Ribeira Grande encara o projecto Ilha Criativa – Art Embassy como um instrumento decisivo para reforçar, de forma estruturada, o desenvolvimento cultural, social e a projecção internacional de Santo Antão ao longo dos próximos anos.
Em primeiro lugar, este projecto permitirá elevar ainda mais o patamar do Festival 7 Sóis 7 Luas, consolidando-o como uma referência cultural de dimensão internacional e aprofundando a sua ligação às redes criativas europeias e globais, nomeadamente a áfrica, europa e américa latina. Nesse enquadramento, estamos já a equacionar a realização de uma grande actividade cultural no próximo mês de Abril, que deverá contar com uma parceria forte e estruturante do projecto Ilha Criativa – Art Embassy, reforçando a visibilidade externa do concelho.
Um dos impactos centrais esperados é a intensificação da articulação entre artistas locais, nacionais e internacionais, criando oportunidades reais de intercâmbio, co-produção artística, circulação de obras e valorização dos criadores de Santo Antão. Sendo Cabo Verde um país de forte vocação turística, esta ligação entre cultura e turismo assume um papel estratégico na diversificação da oferta, no prolongamento da estadia dos visitantes e na afirmação da identidade cultural da ilha.
A localização estratégica da Art Embassy no centro de Praga oferece condições excepcionais para potenciar a internacionalização da cultura de Santo Antão, funcionando como uma verdadeira plataforma de promoção, contacto e abertura a novos públicos, instituições culturais, programadores e redes artísticas internacionais.
Paralelamente, o Município tem como objectivo estratégico a criação de uma Residência Artística no concelho, capaz de acolher criadores em permanência temporária, fomentar processos de criação ligados ao território e envolver as comunidades locais. Estamos ainda numa fase embrionária deste processo, discutindo a melhor localização e o modelo de financiamento mais adequado, mas não temos dúvidas de que esta residência artística se tornará uma realidade nos próximos anos, reforçando a sustentabilidade e a continuidade do projecto.
Em síntese, o Ilha Criativa – Art Embassy pretende gerar impactos duradouros: fortalecer o ecossistema cultural local, criar oportunidades para os jovens e artistas, dinamizar a economia criativa e projectar Santo Antão como um território de criação, intercâmbio e inovação cultural à escala internacional, com benefícios claros para o desenvolvimento social e económico do concelho.
Texto originalmente publicado na edição impressa do Expresso das Ilhas nº 1259 de 14 de Janeiro de 2026.
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