PAICV solicita ao governo informações sobre os contratos com a empresa do deputado Miguel Monteiro

PorSheilla Ribeiro,28 mai 2020 15:37

O Partido Africano da Independência de Cabo Verde (PAICV) solicitou hoje ao Governo, informações sobre os contratos existentes entre o executivo e a empresa do deputado Miguel Monteiro, bem como dos eventuais concursos que terão levado à sua contratação. Miguel Monteiro refutou acusações, advogando que a criação da empresa foi legal e que os contratos ocorreram a partir de concursos.

Durante a sua declaração política na sessão parlamentar, o deputado Julião Varela começou por dizer que nos últimos tempos, o país vem sendo confrontado com denúncias públicas do envolvimento de deputados nacionais, na gestão de empresas privadas e na presidência de instituições similares, fazendo negócios com o Estado, e com fortes suspeitas de que estes negócios estejam a ser feitos à margem da lei.

Denúncias essas que conforme alegou, envolvem deputados eleitos nas listas do MpD, e que desempenham funções de relevância, seja no Parlamento, seja no seu partido.

“A primeira denúncia envolve o deputado Miguel Monteiro. O deputado Miguel Monteiro, apesar de ser um deputado suplente, foi eleito Primeiro Secretário da mesa desta Assembleia. Foi também eleito Membro do Conselho da Administração desta Assembleia Nacional. O deputado Miguel Monteiro foi Secretário-Geral do MpD até o mês de Março de 2020. E o deputado Miguel Monteiro também é sócio e gestor da Empresa IT Solutions. E será importante acrescentar que esta Empresa foi criada em 2017”, apontou.

Julião Varela delatou que das pesquisas feitas até este momento, não foi possível localizar qualquer concurso público, por parte dessas Instituições, para a contratação dos serviços de Miguel Monteiro.

Por isso mesmo, o partido da oposição solicitou ao governo informações sobre os contratos existentes entre o executivo e a empresa do deputado Miguel Monteiro, bem como dos eventuais concursos que terão levado à sua contratação.

“É evidente que, se tudo está claro e nada há a esconder, o Governo não teria nenhum problema em nos responder, enviando-nos os contratos e dando-nos as informações que solicitamos. Até porque todo o país já sabe quais as entidades é que têm o “NHA BEZ”, que já foi objecto de várias notícias na Rádio e na Televisão Publicas e foram objecto de várias publicações, em jeito de propaganda, na página do Facebook do deputado Miguel Monteiro”, discursou.

Em resposta Miguel Monteiro, advogou que a criação da empresa foi legal, que a criação da empresa “zela pelo bom nome”, colocou a empresa em seu nome e manifestou-a na sua declaração de rendimentos.

“A criação da empresa foi legal e em nenhum momento pedi à minha mãe para criar uma fundação e enquanto ministro mandei pagar as contas da fundação, assim como outros fizeram. Eu não optei por criar uma associação camarada para que essa mesma associação recebesse 10 mil contos sem estar constituída e continuar a receber durante largo tempo, sem registo no Boletim Oficial, ou então ter vários salários com acumulação de funções", replicou.

O PAICV já tinha exigido ao governo informações sobre os contratos feitos entre o Estado e a empresa IT Solutions. Por sua vez, Miguel Monteiro defendeu-se ao afirmar, em conferência de imprensa, que os contratos firmados pela IT Solutions ocorreram a partir de concursos, alegando que a lei não proíbe aos políticos criar negócios ou empresas.

No passado dia 13, o PAICV, na voz do membro da Comissão Política Nacional, Fidel Cardoso de Pina, acusou deputado do MpD, de usar a sua influência política para o fornecimento de prestação de serviços da sua empresa IT Solucions.

Essas acusações veriam a ser refutadas por Miguel Monteiro, que prometeu apresentar queixas-crime na Procuradoria da República contra o PAICV e um jornal online, por “tentativa de assassinato de carácter e de condicionamento” da actividade empresarial.

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Autoria:Sheilla Ribeiro,28 mai 2020 15:37

Editado porSara Almeida  em  12 jul 2020 23:20

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