UCID quer “31 de Agosto” no currículo escolar e monumento para perpetuar a data

PorFretson Rocha, Rádio Morabeza,31 ago 2020 16:45

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António Monteiro
António Monteiro

A União Cabo-verdiana Independente e Democrática (UCID) quer que o 31 de Agosto seja uma data não só para relembrar aqueles que foram torturados e presos durante o regime do partido único, mas para recordar que a democracia teve um custo. Posição defendida hoje, 39 anos depois das torturas e detenções daqueles que protestavam contra a reforma agrária em Santo Antão.

Em conferência de imprensa, o líder dos democratas-cristãos pediu aos governantes para fazerem mais para que os cabo-verdianos se sintam livres, democráticos e, acima de tudo, cidadãos comprometidos com o desenvolvimento de Cabo Verde. Para a UCID, a luta pela democracia começou no dia 31 de Agosto de 1981.

“Queremos relembrar essa data e gostaríamos que o Governo colocasse nas agendas políticas e também no ensino estas datas para que os jovens possam ter essas mesmas datas como referência, e assim conhecerem toda a história do nosso Cabo Verde desde a luta armada até hoje, altura em que estamos a viver em democracia”, defende António Monteiro.

O dia 31 de Agosto é uma das páginas mais difíceis da história recente de Cabo Verde. Nesse dia, em Boca de Figueiral, na ilha de Santo Antão, um grupo de homens foi detido quando protestava contra o Partido Africano da Independência de Cabo Verde (PAICV). Outros exigiram a libertação destes cidadãos e juntaram-se nas suas vozes contra a reforma agrária, sendo seguidos de uma resposta violenta dos militares e a posterior detenção e tortura em São Vicente.

O líder da UCID entende que a liberdade conseguida deverá ser mantida a todo o custo.

“A nossa democracia, infelizmente, ainda está num processo de crescimento, e não sendo uma democracia sólida haverá sempre o perigo de situações do tipo voltarem a acontecer. O apelo que a UCID faz ao Governo é para que tome em devida consideração todas essas datas e que procure fazer sentir aos cidadãos que a liberdade foi conquistada com muito suor e com algum sangue, e que esta liberdade deverá ser mantida a todo custo”, entende.

Recorda-se que as vítimas das torturas e maus tratos ocorridos nas ilhas de São Vicente, em 1977, e Santo Antão, em 1981, passaram a receber uma pensão de 75 mil escudos, segundo uma proposta de lei aprovada em 2019.

A UCID, que diz lembrar o 31 de Agosto com um sentimento de angústia, entende que só este esforço não é suficiente. O partido sugere, por exemplo, que a data seja marcada com a construção de um monumento em Boca de Figueiral, onde a situação ocorreu.

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Autoria:Fretson Rocha, Rádio Morabeza,31 ago 2020 16:45

Editado porFretson Rocha  em  18 set 2020 15:19

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