​UCID alerta para “desigualdade fiscal” e desafios do setor agrícola

PorFretson Rocha, Rádio Morabeza,20 jan 2026 11:53

Zilda Oliveira
Zilda Oliveira

A União Cabo-verdiana Independente e Democrática (UCID) defendeu, hoje, a implementação de mecanismos eficazes que assegurem uma distribuição justa dos impostos. O partido entende que um sistema fiscal mais eficiente e melhor gerido pode apoiar tanto o crescimento económico como a proteção dos mais vulneráveis, ao mesmo tempo que aumenta os recursos disponíveis para prioridades de desenvolvimento.

Declarações proferidas pela deputada da UCID, Zilda Oliveira, em conferência de imprensa de antevisão da segunda sessão parlamentar de janeiro, que arranca esta quarta-feira na Assembleia Nacional. A sessão terá como destaque o debate com o Primeiro-Ministro sobre “Políticas Fiscais e o seu impacto no crescimento económico de Cabo Verde”, proposto pela UCID.

“Nós consideramos a carga fiscal elevada, o que acaba por impedir o crescimento económico do país, dificultando o investimento, na medida em que aumenta os custos para empresas e setores produtivos, reduzindo a sua capacidade para investimento. Se a máquina fiscal não for eficiente, isso acaba por criar espaço para fuga e evasão fiscal, condiciona o princípio da justiça fiscal, gerando desigualdade e alguma injustiça fiscal. Há alguma preocupação de que as políticas fiscais nem sempre redistribuem o peso dos impostos de forma justa, e isto acaba por impactar os indivíduos e as famílias de menor rendimento. E se não houver mecanismos redistributivos eficazes, o impacto acaba por ser ainda maior”, refere.

A deputada destaca recomendações do Banco Mundial e do FMI, que apontam para a implementação de reformas fiscais capazes de reduzir o hiato tributário, rever incentivos e isenções, melhorar a eficiência da despesa pública e reforçar a gestão das empresas públicas com maior risco fiscal.

Da agenda parlamentar consta ainda uma interpelação ao Governo sobre a situação atual do Sector Agrícola, a pedido do Grupo parlamentar do PAICV.

Zilda Oliveira alerta para os desafios estruturais da agricultura, como a dependência das chuvas, solos frágeis, escassez de água e os efeitos das alterações climáticas. A parlamentar destaca ainda o acesso limitado ao crédito, os elevados custos de produção e a baixa rentabilidade.

“Na realidade o agricultor produz, mas não é quem lucra. E nós precisamos melhorar o seu papel e aquilo que é o rendimento do agricultor nessa cadeia de valores. Dificuldades no escoamento da produção. Em várias ilhas, produtos perdem-se por falta de mercado, por problemas de transporte ou de armazenamento. Falta frio, falta logística, falta planeamento. O país importa alimentos que podia produzir, enquanto produtos locais muitas vezes apodrecem por falta de canais de venda. O fraco acesso ao crédito agrícola. Os bancos continuam a ver o agricultor como um risco e não como um parceiro de desenvolvimento. Os programas públicos de apoio financeiro são limitados, são burocráticos e pouco acessíveis aos pequenos produtores”, afirma.

Zilda Oliveira anuncia que a UCID irá questionar o Governo sobre os danos provocados pela tempestade Erin, sobre os apoios prometidos e sobre a recuperação de terrenos agrícolas.

Na segunda sessão parlamenta de Janeiro, que começa esta quarta-feira, os deputados vão discutir na generalidade várias propostas de lei. Entre elas, destaca-se a criação da Ordem Cabo-verdiana dos Economistas e Gestores, bem como a Ordem dos Economistas de Cabo Verde. Serão também analisadas alterações ao Estatuto dos Municípios e à lei de prevenção e controlo da poluição sonora, com o objetivo de proteger a saúde e o bem-estar das populações. Por fim, será discutida a proposta que regula a atividade dos marítimos a bordo de navios cabo-verdianos, alinhando-se com a Convenção do Trabalho Marítimo de 2006.

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Autoria:Fretson Rocha, Rádio Morabeza,20 jan 2026 11:53

Editado porFretson Rocha  em  21 jan 2026 6:19

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