PAICV acusa oposição de alimentar instabilidade e defende respeito pela vontade popular

PorAndre Amaral,15 jul 2026 17:13

O secretário-geral do PAICV, Vladimir Silves Ferreira, afirmou hoje que o partido mantém "respeito absoluto pela independência da justiça e pelo funcionamento das instituições da República".

Na conferência de imprensa realizada na sede do partido, o secretário-geral do PAICV, considerou inaceitável qualquer tentativa de instrumentalizar processos judiciais ou administrativos para fins políticos, na sequência da acusação do Ministério Público contra o primeiro-ministro por 26 crimes.

Segundo Vladimir Silves Ferreira, a defesa do Estado de Direito exige que os processos judiciais decorram sem serem utilizados para "combate político" ou para deslegitimar "a vontade soberana expressa nas urnas pelo povo cabo-verdiano".

O dirigente alertou que episódios que promovam "julgamentos na praça pública" ou criem, sem fundamento, um ambiente de crise acabam por prejudicar a imagem externa de Cabo Verde.

"Não está em causa apenas um Governo ou um partido político que o suporta. Está em causa a credibilidade do país, construída ao longo de décadas, uma reputação internacional assente na estabilidade das instituições e na alternância pacífica do poder", afirmou.

Vladimir Silves Ferreira sustentou ainda que essa reputação "não pode ser colocada em risco por quem insiste em não aceitar plenamente o resultado das eleições e procura, por vias diferentes daquelas que a democracia consagra, alcançar objectivos que não obteve pelo voto popular".

O secretário-geral defendeu que a oposição desempenha um papel essencial numa democracia, mas advertiu que esse papel não pode traduzir-se na "promoção permanente da instabilidade, da desconfiança institucional ou da degradação do ambiente político".

"O interesse nacional deve prevalecer a qualquer estratégia meramente partidária. Os cabo-verdianos escolheram de forma livre e democrática o novo rumo para Cabo Verde. Essa decisão merece respeito", declarou.

Concluindo a sua intervenção, Vladimir Silves Ferreira assegurou que, enquanto persistirem tentativas de criar instabilidade política e institucional, "o Governo e a maioria que o sustenta" continuarão focados em governar, cumprir os compromissos assumidos, responder às preocupações dos cidadãos e trabalhar por "um Cabo Verde mais justo, mais próspero e com oportunidades para todos".

Questionado pelos jornalistas sobre se seriam o MpD ou a UCID ou os dois em conjunto a estarem por trás do clima de "promoção da instabilidade, da desconfiança institucional ou da degradação do ambiente político", o secretário-geral do PAICV não identificou qualquer partido. Em vez disso, referiu que os jornalistas conhecem a realidade política do país e voltou a defender que Francisco Carvalho e a Câmara Municipal da Praia têm sido alvo de um tratamento diferenciado.

"O país é composto por 22 municípios e não há nenhuma dúvida de que há um escrutínio e um assédio permanente por parte de determinados sectores relativamente à Câmara da Praia", afirmou.

Perante a insistência da pergunta, Vladimir Silves Ferreira voltou a evitar responder directamente, limitando-se a recordar que o Governo tomou posse recentemente, continua em fase de instalação e que a prioridade é a aprovação do Programa do Governo e da moção de confiança.

"O Governo está ainda em gestão. Na sexta-feira vai apresentar o Programa do Governo e, no fim do mês, apresentará a moção de confiança. Penso que isso responde plenamente à sua questão", disse.

Embora tenha recusado associar explicitamente a alegada estratégia de instabilidade ao MpD ou à UCID, o dirigente do PAICV estabeleceu mais tarde uma ligação entre o actual contexto político e declarações anteriores de responsáveis do MpD.

Segundo Vladimir Silves Ferreira, Francisco Carvalho tem sido alvo, desde 2020, de um "assédio jurídico permanente", recordando declarações que atribuiu ao anterior primeiro-ministro, de que era preciso derrotar Francisco Carvalho "custe o que custar", e ao actual secretário-geral do MpD, que, segundo afirmou, terá defendido que era necessário "travá-lo a qualquer custo".

"Temos aqui uma agenda coerente", afirmou.

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Autoria:Andre Amaral,15 jul 2026 17:13

Editado porAndre Amaral  em  15 jul 2026 18:19

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