Cabo Verde cresce mais do que o previsto, mas há países africanos a crescerem muito mais

PorJorge Montezinho,5 jan 2019 6:44

​Fundo Monetário Internacional revê em alta o crescimento do PIB cabo-verdiano para o próximo ano: 4,75%. Mesmo com este valor, o país não entra na lista das trinta economias emergentes que mais crescerão em 2019.

Dos trinta países em desenvolvimento que mais crescerão em 2019, metade (15) são africanos. Destes, sete fazem parte da CEDEAO: Gana (6º da lista, com um crescimento anual do PIB de 7,6), Costa do Marfim (9º, 7,0), Senegal (14º, 6,7), Benim (20º, 6,3), Burkina Faso (25º, 6,0), Guiné (26º, 5,9) e Serra Leoa (28º, 5,5).

Continuando a análise do ranking, quatro países africanos (Líbia, Etiópia, Ruanda e Gana) crescerão mais do que a Índia e 9 (juntando aos quatro de cima a Costa do Marfim, Senegal, Djibouti, Tanzânia e Benim) mais do que a China.

Com o crescimento agora projectado pelo FMI para Cabo Verde, 4,75% em 2019, o país fica fora deste top 30. O último país classificado é o Egipto, com um crescimento de 5,5% do PIB.

Os países emergentes e as economias em desenvolvimento voltarão a ser a locomotiva da economia mundial em 2019, segundo o FMI. Vai ser sobre os seus ombros que vai estar a responsabilidade do crescimento económico global no próximo ano. Num momento em que a economia mundial se aproxima do fim de um ciclo e quando o abrandamento começa a dar sinais cada vez mais evidentes, serão as economias menos avançadas a aguentar melhor estes efeitos, principalmente devido ao abaixamento do preço do petróleo. Em 2018, o valor do brent caiu 20%.

A economia em 2019

A economia mundial deverá crescer 3,7% no próximo ano, segundo as estimativas do FMI, um nível similar ao registado nos últimos anos, mas que terá uma composição desigual. Se em 2017 e 2018 foram as economias avançadas a impulsionar o crescimento global, para este ano é esperado um abrandamento entre estes países, principalmente devido aos Estados Unidos da América e à Zona Euro. Aliás, as dúvidas sobre a evolução global nos próximos trimestres são cada vez maiores.

Com efeito, as consequências da reforma fiscal impulsionada pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, na economia do país começam a esgotar-se – em 2019, o PIB norte-americano crescerá cerca de 2,5&, quatro décimas abaixo do conseguido este ano. A Reserva Federal, que este ano elevou o preço do dinheiro quatro vezes nos EUA, só prevê fazê-lo duas vezes em 2019. Já o Banco Central Europeu reconheceu a desaceleração da economia europeia. E há dois momentos, no início de 2019, que poderão ser a chave para o que vai acontecer na economia global no próximo ano: o diálogo entre Washington e Pequim para tentar travar a guerra comercial e a consumação do Brexit, elementos fundamentais para “reduzir a prolongada e elevada incerteza que pode fazer descarrilar a esperada aterragem suave da economia mundial”, escreve o BBVA Research, citado pelo El País.

O Parlamento britânico terá que decidir no próximo dia 14 de Janeiro se vota contra ou a favor o acordo de saída da União Europeia alcançado com o resto dos países. Desse voto dependerá em que medida a economia britânica e a da Zona Euro evoluirão. Apesar do FMI ter previsto que o PIB britânico continuará a aumentar nos próximos cinco anos, o Banco de Inglaterra já alertou para uma possível contracção, que poderá chegar aos 8% até 2023.

Dentro da Zona Euro o motor Alemanha manterá o ritmo de crescimento de 1,9%, assim como a França (1,6%). Malta continuará a ser o país da Zona Euro com mais crescimento (4,6%), seguido pelo Chipre (4,2%) e a Eslováquia (4,1%). Em média, a Zona Euro deve crescer 1,9% em 2019.

Entre as grandes economias emergentes, com os BRICS à cabeça, a Índia continuará a sua expansão pelo terceiro ano consecutivo: com o crescimento do PIB a chegar aos 7,4%; enquanto o Brasil, segundo as previsões do FMI, verá a sua economia melhorar num ponto percentual. A economia da África do Sul vai duplicar, enquanto a Rússia deverá crescer, mas de forma lenta.

Texto originalmente publicado na edição impressa do expresso das ilhas nº 892 de 2 de Janeiro de 2019.

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Autoria:Jorge Montezinho,5 jan 2019 6:44

Editado porSara Almeida  em  16 jul 2019 23:22

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