Sem se saber por quanto, a TACV já mudou de mãos

PorAndre Amaral,1 mar 2019 19:08

Preço da venda dos 51% do capital da TACV não foi revelado e governantes recusaram falar com a comunicação social no fim da cerimónia de assinatura do contrato de privatização da companhia aérea. Luanda, em Angola, e Lagos, na Nigéria, são destinos que a empresa quer começar a explorar o mais depressa possível.

O governo e a Loftleidir Cabo Verde assinaram hoje o acordo de privatização da TACV, sendo que o valor a ser pago por aquela subsidiária da Loftleidir Incelandic pela compra da companhia aérea nacional não foi revelado.

No final, nenhum dos governantes quis prestar declarações à comunicação social.

No discurso que fez na cerimónia de assinatura do acordo de privatização, o primeiro-ministro não deixou de fora a possibilidade de a TACV vir a fazer, no futuro, ligações directas, com partida na Praia e São Vicente e destino a Lisboa e Boston.

Nas "negociações com o parceiro estratégico foi acordado que poderão haver voos ponto a ponto Praia/Lisboa, Praia/Boston e São Vicente/Lisboa, desde que sejam rentáveis", disse Ulisses Correia e Silva. "O governo no quadro da sua política de transportes pode criar instrumentos que supletivamente possam viabilizar as rotas consideradas de interesse estratégico para o país".

Da parte da Incelandair, Mário Chaves, que desempenhou as funções de CEO da TACV durante o processo de reestruturação da empresa, explicou que as ligações directas Praia-Lisboa e São Vicente-Lisboa dependem da rentabilidade das rotas. 

"São estudos que se têm de fazer, e depois disso a avaliação será feita na questão económica e na questão da rentabilidade. Há-de haver um trabalho conjunto com o governo e a partir daí se houver viabilidade eles vão-se concretizar".

Quando ao regresso da empresa ao mercado inter-ilhas o antigo CEO da TACV disse que "o foco é o hub não só externo, como interno. Dessa forma o nosso foco é o mercado internacional, nunca o escondemos, mas temos que garantir que temos o feeding doméstico".

Novas rotas

Mário Chaves abordou também a questão das novas rotas que a TACV quer abrir ainda este ano. "Estão previstas rotas para mais um destino nos EUA, dois na Europa, pretendemos voltar a Itália, e também em África queremos abrir Lagos e Luanda".

"A nossa intenção é essa", abrir as rotas de Luanda e Lagos ainda este ano.

"Neste momento, existem processos que têm de acontecer relativos à obtenção das partes finais não das licenças mas da constituição das infraestruturas que precisamos para iniciar a rota, como também existem todo o trabalho comercial. Mas isso é o início de uma nova fase, da fase pós-privatização e é necessário dar tempo para que isso aconteça".

Novos aviões

Durante o discurso que fez  durante a cerimónia, Erlendur Svavarsson, da Loftleidir Icelandic, referiu que o objectivo da empresa é ter uma frota de 12 aviões. Mário Chaves explicou que actualmente a TACV tem "dois aviões em serviço - um está a fazer serviço de manutenção e há-de retornar - e estamos a prever quatro aviões durante este ano". 

"O crescimento é de dois aviões [por ano], nos próximos cinco anos. Pode parecer que 12 aviões em Cabo Verde será muito, como também podem ver que na Islândia, que tem 300 mil pessoas, a nossa frota está acima dos 30 aviões e temos uma companhia concorrente, para além de toda a competição no Atlântico Norte. Portanto, é possível crescer, é possível fazer esse crescimento se tivermos uma empresa eficiente, rentável e se formos capazes de criar a diferença no mercado".

Turbulências, críticas e suspeições

O processo de privatização da TACV fez o governo suportar "custos políticos, críticas, suspeições, descrenças e houve muita turbulência", destacou o Primeiro-ministro, Ulisses Correia e Silva, no discurso que fez após a assinatura do contrato de privatização da TACV.

"Acreditámos sempre que era possível chegarmos ao ponto que chegamos hoje: privatizar a TACV. Lutámos para isso acontecer. Foi um processo longo e complexo porque a situação da empresa era difícil e exigia coragem e determinação na tomada de decisões para a sua reestruturação e privatização", disse.
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Autoria:Andre Amaral,1 mar 2019 19:08

Editado porNuno Andrade Ferreira  em  22 nov 2019 23:21

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