De acordo com o documento, o crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) mundial terá atingido 2,7% em 2025, confirmando uma trajectória de recuperação considerada robusta após as perturbações acumuladas dos últimos anos. Para 2026, as projecções apontam para uma ligeira desaceleração, para 2,6%, antes de uma estabilização em 2,7% em 2027.
Apesar deste desempenho, o relatório sublinha que a recuperação pós-pandemia — embora descrita como a mais forte em seis décadas em termos de PIB per capita global — está a ocorrer de forma profundamente desigual.
Recuperação a duas velocidades
Cerca de 90% das economias avançadas já recuperaram níveis de rendimento per capita superiores aos registados antes da pandemia, em 2019. Em contraste, um quarto das economias emergentes e em desenvolvimento continua hoje mais pobre do que há cinco anos. A situação é ainda mais grave nos países de baixo rendimento, onde mais de um terço apresenta níveis de rendimento inferiores aos do período pré-pandemia.
Esta evolução traduziu-se num aumento de 10% no diferencial de rendimento per capita entre os países mais pobres e as economias avançadas desde o início da crise sanitária, aprofundando o fosso económico global.
Comércio global sob pressão
O comércio internacional surge como um dos principais factores de fragilidade. O relatório destaca o peso das tarifas historicamente elevadas, com a taxa tarifária efectiva média dos Estados Unidos a atingir cerca de 17% no final de 2025, o valor mais elevado desde a década de 1930.
Neste contexto, o crescimento do comércio global deverá abrandar de 3,4% em 2025 para 2,2% em 2026, à medida que se dissipa o efeito de antecipação de transacções destinado a evitar novas tarifas.
Inflação em queda e energia mais barata
No plano macroeconómico, a inflação global continua a ceder. As projecções apontam para uma descida para 2,6% em 2026, criando margem para que vários bancos centrais avancem com cortes nas taxas de juro.
Também nos mercados energéticos se antecipa algum alívio. O preço do petróleo Brent deverá cair para cerca de 60 dólares por barril em 2026, reflectindo um excesso substancial de oferta a nível global.
Riscos elevados, mas com oportunidades
As perspectivas globais permanecem envoltas em riscos significativos, incluindo uma possível escalada das tensões comerciais, instabilidade nos mercados financeiros e o aumento da frequência e intensidade de desastres climáticos.
Ainda assim, o relatório identifica oportunidades associadas ao avanço tecnológico. A adopção acelerada da Inteligência Artificial poderá impulsionar a produtividade global em cerca de 0,5 pontos percentuais ao longo da próxima década, funcionando como um contrapeso parcial às fragilidades actuais.
O retrato traçado é o de uma economia global resiliente, mas cada vez mais fracturada, em que o principal desafio não é apenas crescer, mas assegurar que os benefícios do crescimento sejam mais amplamente partilhados.
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Cabo Verde mantém trajectória de crescimento até 2027
Cabo Verde deverá continuar a registar um crescimento económico robusto nos próximos anos, segundo o relatório Global Economic Prospects, January 2026, do Banco Mundial. As projecções apontam para uma expansão sustentada do Produto Interno Bruto (PIB), ainda que a um ritmo ligeiramente mais moderado após o forte desempenho recente.
Depois de crescer 4,8% em 2023, a economia cabo-verdiana acelerou para 7,2% em 2024, um dos ritmos mais elevados do período recente. Para 2025, o crescimento é estimado em 5,4%, reflectindo uma normalização após a forte recuperação do ano anterior.
As perspectivas para o médio prazo mantêm-se positivas. O Banco Mundial projecta um crescimento de 5,2% em 2026 e de 5,0% em 2027, colocando Cabo Verde entre as economias da África Subsariana com um desempenho consistente acima de 5% ao ano.
Face às projecções divulgadas em Junho de 2025, o relatório introduz apenas ajustamentos marginais: uma revisão em baixa de 0,1 ponto percentual para 2026 e uma revisão em alta de 0,1 ponto percentual para 2027, sinalizando estabilidade no cenário macroeconómico traçado para o país.
Os dados desenham um quadro de crescimento contínuo ao longo do período 2023–2027, sem oscilações abruptas, reflectindo uma trajectória económica considerada sólida no contexto regional.
Texto originalmente publicado na edição impressa do Expresso das Ilhas nº 1260 de 21 de Janeiro de 2026.
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