BCV prevê crescimento económico de 5% e inflação de 2,7% em 2026

PorSheilla Ribeiro,8 mai 2026 14:48

O Banco de Cabo Verde (BCV) prevê um abrandamento da actividade económica nacional em 2026, com o crescimento a fixar-se em 5%, valor próximo do potencial. A inflação deverá aumentar para 2,7%, impulsionada sobretudo pela subida dos preços das importações.

Em comunicado divulgado esta sexta-feira, após reunião ordinária realizada a 5 de Maio, e sob recomendação do Comité de Política Monetária, o banco central anunciou a manutenção da taxa directora nos 2,5%, da facilidade permanente de cedência de liquidez em 2,75% e da facilidade permanente de absorção de liquidez em 2,25%.

Segundo o BCV, a decisão surge num contexto em que a economia cabo-verdiana registou um desempenho positivo em 2025, com o Produto Interno Bruto (PIB) a crescer 6,3% e a inflação média anual a fixar-se em 2,3%, mantendo-se em níveis considerados compatíveis com a estabilidade de preços.

O banco central refere ainda que o crédito à economia cresceu 4,8% em 2025, enquanto o sistema bancário manteve indicadores prudenciais sólidos, nomeadamente em termos de solvabilidade e liquidez.

As reservas internacionais líquidas atingiram níveis historicamente elevados, ascendendo a cerca de 1,1 mil milhões de euros, o equivalente a aproximadamente nove meses de importações.

Segundo a mesma fonte, as contas externas também apresentaram uma evolução favorável no ano passado, com a balança corrente a registar um excedente de 3,7% do PIB, impulsionado pelo aumento das receitas do turismo, das remessas dos emigrantes e das transferências privadas.

No entanto, o BCV alerta que o cenário internacional se tornou mais incerto em 2026, devido ao agravamento das tensões geopolíticas, incluindo o início de um conflito no Médio Oriente, situação que tem provocado perturbações nos mercados energéticos e pressionado os preços do petróleo, da energia e dos produtos alimentares.

Para uma economia aberta e dependente das importações, como a cabo-verdiana, o banco central considera que estes choques externos poderão reflectir-se nos preços internos, aumentando as pressões inflacionistas.

As projecções actualizadas apontam, por isso, para um abrandamento da actividade económica nacional em 2026, prevendo-se um crescimento de 5%, próximo do potencial da economia, enquanto a inflação deverá aumentar para 2,7%, sobretudo devido à evolução dos preços das importações.

Apesar do contexto externo menos favorável, o BCV prevê que as contas externas continuem globalmente equilibradas e que as reservas internacionais líquidas permaneçam em níveis confortáveis, garantindo cerca de 8,4 meses de importações em 2026.

Perante este cenário, o banco central considera adequada a manutenção das taxas de juro de referência nos níveis actuais. A próxima reunião do Comité de Política Monetária está marcada para 7 de Julho de 2026.

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Autoria:Sheilla Ribeiro,8 mai 2026 14:48

Editado porSara Almeida  em  8 mai 2026 16:19

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