75º Aniversário da Grande Vitória

PorV.G.SOKOLENKO,17 mai 2020 13:55

EMBAIXADOR DA RÚSSIA EM CABO VERDE
EMBAIXADOR DA RÚSSIA EM CABO VERDE

O ano de 2020 marca o 75º aniversário da vitória na Segunda Guerra Mundial sobre o fascismo alemão, o militarismo japonês e seus satélites. Os combates foram realizados em 40 países da Europa, Ásia e África. A guerra, que durou 6 anos, contou com a participação de 61 estados, com uma população de 1 bilhão e 700 milhões de pessoas – 80% da população mundial.

Juntos: Potências Aliadas da URSS, EUA, Reino Unido.

image

Presidente do Conselho dos Comissários de Povo da URSS (Governo)
I. Stalin, Presidente dos EUA F.Roosevelt, Primeiro-ministro do Reino Unido W. Churchill, na conferência de Yalta (Criméia) das Potências Aliadas (4-11 de Fevereiro de 1945).

Na Rússia, este jubileu é comemorado principalmente como a vitória da URSS na Grande Guerra Patriótica de 1941-1945, pela qual foi pago um preço alto – 26 milhões de vidas do povo soviético. A maioria deles foram civis. Não apenas o exército lutou, mas todo o povo – na frente, em destacamentos partidários, sozinhos ou junto com as suas famílias, atrás das linhas inimigas, em cidades e vilas ocupadas, em países terceiros em destacamentos da Resistência. É por isso que à essa guerra, bem como a guerra de 1812 – a invasão de Napoleão Bonaparte na Rússia, atribuiu-se o nome de “patriótica”.

A Wehrmacht sofreu 80% das suas perdas nas batalhas contra a Rússia soviética. O Primeiro-ministro britânico Winston Churchill admitiu: “todas as nossas operações militares têm sido realizadas numa escala muito pequena...
em comparação com os enormes esforços da Rússia”. O escritor inglês Piers Paul Read citou: “Para Hitler, a Inglaterra e o Norte de África eram periféricos. Ele foi derrotado na Rússia”.

image

Presidente do Conselho dos Comissários de Povo da URSS (Governo)
I. talin, Presidente dos EUA F.Roosevelt, Primeiro-ministro do Reino Unido C. Attlee na Conferência de Potsdam (Julho-Agosto de 1945).

Esta Vitória é o maior evento do século XX – a Europa e o mundo foram salvos da pandemia da “peste castanha” – o nazismo. Esta vitória determinou a ordem mundial atual, baseada no sistema jurídico internacional UNcentric e na inviolabilidade das fronteiras territoriais do pós-guerra; também marcou o início da era da descolonização, conduzindo assim, os povos de todos os continentes para uma nova era de liberdade e independência.

Os povos da Europa escravizados pelos nazistas estavam sujeitos a um destino trágico. Quase imediatamente após o ataque da Alemanha contra a União Soviética em 22 de junho de 1941, a URSS, em 3 de julho, declarou que o objetivo da “guerra patriótica contra o fascismo não é apenas a eliminação do perigo que paira sobre a URSS, mas também ajudar a todos os povos da Europa que sofrem sob o jugo dos fascistas”.

A libertação da Europa era uma missão especial do Exército Vermelho. Cerca de 1,5 milhão de soldados soviéticos deram a vida pela Europa. Inclusive, conforme dados reconhecidos, as perdas do Exército Vermelho na Polónia totalizaram 600.212 pessoas, Checoslováquia – 139.918 pessoas, Hungria – 140.004 pessoas, Alemanha – 101.961 pessoas, Roménia – 68.993 pessoas, Áustria – 26.006 pessoas, Jugoslávia – 7.005 pessoas, Noruega – 3.436 pessoas, Bulgária – 977 pessoas. Estabeleceram-se assim as medalhas especiais “Por Varsóvia” e “Pela cidade de Budapeste”. A população total libertada pela União Soviética sozinha e com o apoio dos aliados atingiu 120 milhões de pessoas. L.Gumiliov, escritor, cientista, etnólogo russo, criador da teoria passional da endogénese, assinalava “o sacrifício em benefício de outros povos” como o principal traço da etnia russa.

Após a guerra, os europeus, como forma de agradecimento, ergueram monumentos em massa honrando os soldados-libertadores soviéticos.

Eis os fatos reais, que testemunham que a contribuição da URSS na vitória sobre o nazismo foi decisiva. É o motivo pelo qual Moscovo tem o direito moral e histórico de realizar o desfile da Vitória na Segunda Guerra Mundial na Praça Vermelha, para comemorar o seu 75º aniversário. Todos os participantes estrangeiros da luta conjunta foram convidados para esta celebração (não obstante, por causa do coronavírus COVID-19, o desfile foi adiado).

E ainda nos dias de hoje, surgem perguntas como por exemplo – se o ódio ainda se mantém, ou se os alemães foram perdoados pela Rússia. Perdoamos sim, mas não esquecemos. O forte testemunho de respeito à memória histórica dos povos da Rússia, sobre os sacrifícios oferecidos no altar da Vitória é o movimento popular “Regimento Imortal” – a marcha anual pelas cidades e vilarejos da Rússia, com uma corrente humana exibindo retratos dos seus parentes e familiares, que morreram naquela guerra.

Nos documentos de arquivos russos há dois detalhes profundamente simbólicos que testemunham o sentimento de desprezo popular pelo fascismo. Numa das fotografias famosas, soldados soviéticos atiram ao pedestal do Mausoléu de V. Lenin, estandartes da derrotada Alemanha fascista, utilizando luvas evitando toca-los com as próprias mãos. Há também um noticiário-documentário mostrando a escolta de 57 mil soldados, oficiais e generais alemães prisioneiros da guerra, pelas ruas centrais de Moscovo, para que os moscovitas observassem. Atrás da coluna seguiram autotanques despejando água nas ruas para lavar permanentemente a marca fascista da história mundial.

image

O primeiro desfile da Vitória na Praça Vermelha, em Moscovo, em 24 de junho de 1945, terminou com o armazenamento das bandeiras das tropas nazistas derrotadas ao pé do Mausoléu.

Neste contexto, se revelam absurdas tentativas, baseadas em russofobia politizada, de alguns “historiadores” modernos, em promover a teoria de “responsabilidades iguais da URSS e da Alemanha de Hitler pelo desencadeamento da Segunda Guerra Mundial”, a partir da posição de conjuntura política atual “corrigir” a memória histórica dos povos da Europa, e justificar a conivência com neofascistas e neo-nazistas, a profanação e a destruição de monumentos em honra aos soldados-libertadores soviéticos.

O desfecho da guerra determinou a ordem política na Europa e no mundo. O sistema de relações internacionais de Yalta-Potsdam, criado em conjunto pelos aliados – URSS, EUA e Reino Unido, com o papel central das Nações Unidas que foi estabelecida em 1945, tornou possível manter a comunidade mundial afastada de guerras e conflitos em larga escala e resistiu aos golpes da “Guerra Fria”. O pilar de suporte deste sistema é a Carta das Nações Unidas, que até hoje mantém o seu significado sendo a fonte fundamental de direito internacional.

O estabelecimento das Nações Unidas, cujo 75º aniversário também sendo celebrado este ano, que simboliza o início da era de nações soberanas iguais, teve uma influência moral e espiritual imensa sobre os povos do mundo, e contribuiu para o surgimento do movimento de libertação nacional e a luta contra o colonialismo.

A segunda metade do século XX entrou na história do mundo como o período da descolonização. Durante os anos 1950-1970, a maioria das colónias africanas, asiáticas, caribenhas e oceânicas dos estados europeus conquistaram a independência política.

O ano de 1960 entrou na história como o ano da África – só nesse ano, 17 estados africanos libertaram-se da dependência colonial. Portugal era o último império colonial, estando a maioria das suas colónias localizadas no continente africano – Angola, Moçambique, Guiné-Bissau, Ilhas de Cabo Verde (Cabo Verde), São Tomé e Príncipe, onde também se desenrolou o movimento anticolonial ativo.

A luta pela libertação nacional em África colocou no olimpo político o líder do Partido Africano da Independência da Guiné e Cabo Verde (PAIGC), Amilcar Cabral. A despeito dos planos dos conspiradores, o assassinato de A.Cabral em 20 de janeiro de 1973 fez dele o símbolo imortal de autossacrifício em prol do triunfo dos ideais de boa-fé e da justiça. A.Cabral tem sido muito apreciado e respeitado em Moscovo por seu insight intelectual, ampla erudição e charme pessoal. O nome do A.Cabral está para sempre inscrito na história de Cabo Verde, da África, nos anais mundiais da era do romantismo político.

A URSS prestava aos patriotas africanos assistência material, inclusive o fornecimento de foguetes e armas de artilharia de alta tecnologia da época, o que em grande medida predeterminou o resultado vitorioso das batalhas. Em 1965, o centro de instrução especial para o treinamento militar de guerrilheiros africanos foi organizado na Crimeia, no povoado de Perevalnoe.

image

Amilcar Cabral, Agostinho Neto, Samora Machel em Perevalnoe (Crimeia, abril de 1971)

A independência de Cabo Verde foi proclamada em 5 de julho de 1975 e, em 14 de julho, foram estabelecidas relações diplomáticas com a URSS.

Os princípios de liberdade, democracia e parceria igual permanecem na base das relações russo-caboverdianas de hoje, que se desenvolvem para uma trajetória ascendente. O ambiente de confiança e respeito mútuo é reforçado pela memória histórica do passado.

O tecnogénico século XXI revelou a escassez de ideais de humanismo, fé e da sinergia de coletivismo ao enfrentar novos desafios da evolução geral.
Os exemplos da história política do século XX, destinos pessoais dos românticos e as vitórias conquistadas compensam isso.

Hoje, o “Regimento Imortal” da Rússia continua a carregar na arena internacional o pendão da Grande Vitória. Nas Nações Unidas, a Rússia, juntamente com um grupo de estados, submeteu a proposta no sentido de reconhecer a Vitória sobre o nazismo na Segunda Guerra Mundial como património mundial da humanidade.

Texto originalmente publicado na edição impressa do Expresso das Ilhas nº 963 de 13 de Maio de 2020. 

Concorda? Discorda? Dê-nos a sua opinião. Comente ou partilhe este artigo.

Autoria:V.G.SOKOLENKO,17 mai 2020 13:55

Editado porClaudia Sofia Mota  em  2 jun 2020 22:19

pub.
pub.
pub.
pub.
pub.

Últimas no site

    Últimas na secção

      Populares na secção

        Populares no site

          pub.