Cabo Verde lidera Índice de Percepção da Corrupção de 2025 na CPLP

PorSheilla Ribeiro*,14 fev 2026 9:19

Cabo Verde surge como o país da Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (CPLP) melhor classificado no Índice de Percepção da Corrupção (IPC) de 2025, divulgado esta terça-feira, dia 10, pela Transparência Internacional, enquanto a Guiné Equatorial ocupa a última posição. O resultado é saudado pelo MpD como confirmação do rumo seguido pelo país, ao passo que a UCID reconhece o avanço, mas defende uma análise aprofundada dos critérios avaliados, e o PAICV relativiza o ranking, sublinhando que a boa classificação nem sempre se reflecte nas condições de vida da população.

O Índice de Percepção da Corrupção avalia, este ano, 182 países e territórios, tendo por base os níveis percepcionados de corrupção no sector público, numa escala que varia entre zero, considerado altamente corrupto, e 100, correspondente a um elevado grau de integridade.

Com uma pontuação de 62, Cabo Verde lidera o ranking entre os países da CPLP, seguido por Portugal, que regista 56 pontos, menos um do que no ano anterior. Estes são os únicos dois Estados lusófonos que permanecem acima da fasquia dos 50 pontos no IPC.

Os restantes membros da CPLP apresentam resultados inferiores, sendo Timor-Leste (45), São Tomé e Príncipe (43), Brasil (35), Angola (32), valor situado na média da África Subsariana, nos 32 em 100, Guiné-Bissau (21), Moçambique (21) e Guiné Equatorial (15).

Reacção dos partidos

Reagindo à classificação, a deputada da UCID, Dora Pires, considera que se trata de uma boa notícia, embora defenda uma análise mais aprofundada dos critérios utilizados.

“Essa é uma boa notícia, mas agora nós teremos que ver os factores. O que foi analisado. Não analisamos ainda para ver quais foram os itens avaliados para colocar Cabo Verde nesta posição”, afirmou na conferência de imprensa sobre as jornadas parlamentares.

“Sempre que Cabo Verde aparece numa situação boa, claro que nós temos que alegrar”, disse. Dora Pires referiu, contudo, que, apesar dos avanços, persistem desafios relativamente à luta contra a corrupção.

“O Governo tem feito algum investimento neste aspecto, mas nós precisamos de mais. Tentar eliminar. Somos um país pequeno e, se nós conseguirmos eliminar a corrupção, seria bom a vários níveis”, defendeu.

Já o deputado do PAICV, Julião Varela, disse que Cabo Verde sempre tem tido boas classificações nos rankings internacionais, com pequenas oscilações, muitas vezes mais benéficas, pelo que o resultado não constitui grande novidade.

A principal questão, segundo Julião Varela, é a percepção da população.

“Quando se fala que, efectivamente, nós estamos num ranking altamente, quando comparado com outros países, de alguma forma invejável, nós pensamos sempre nas pessoas do Alto São João, na Ilha do Sal, do Alto Santa Cruz, na Ilha do Sal, que vivem em barracas, em péssimas condições”, referiu.

O deputado apontou ainda problemas persistentes, como bairros sem acesso à água canalizada, defendendo que os rankings que, normalmente, são publicitados, são bons aos ouvidos das pessoas, mas não contribuem, nem melhoram a vida das pessoas”.

Já o líder parlamentar do MpD, Celso Ribeiro, afirmou que os resultados agora conhecidos confirmam o caminho seguido pelo país.

Segundo Celso Ribeiro, estes indicadores demonstram que a governação deve manter-se focada no planeamento e nos objectivos definidos, independentemente das críticas.

“Governar não é reagir a ruídos, mas sim focar no planeamento e no caminho traçado e recolher os resultados”, disse.

Para o dirigente do MpD, o resultado não deve ser visto como um mérito exclusivo do Governo, mas sim dos cabo-verdianos. “Os cabo-verdianos devem ter orgulho no Governo que têm neste momento, que está a fazer um trabalho extraordinário”, reforçou.

Celso Ribeiro considerou ainda que este reconhecimento internacional deve contribuir para a elevação do debate político e para o reforço da democracia no país.

EUA com pior nível de corrupção de sempre

O Índice de Percepção da Corrupção (IPC) de 2025, da Transparência Internacional, revela aumento da corrupção mesmo em democracias consolidadas. Os Estados Unidos atingiram o pior nível de sempre, com 64 pontos, enquanto países com maior integridade incluem a Dinamarca (89), a Finlândia (88), Singapura (84), a Suíça (80) e a Suécia (80).

Globalmente, a média caiu para 42, e mais de dois terços dos países têm pontuação inferior a 50.

A corrupção também piorou no Canadá (75), na Nova Zelândia (81), no Reino Unido (70), na França (66) e em alguns países da Europa Ocidental. Nos extremos, o Sudão do Sul (9), a Somália (9) e a Venezuela (10) apresentam graves problemas de repressão à sociedade civil.

A ONG alerta que a repressão a jornalistas, ONG e denunciantes, e a facilitação do movimento de dinheiro ilícito contribuem para a manutenção da corrupção, apesar de esta não ser inevitável.

Em 2025, a média global do IPC recuou para 42 pontos, a primeira descida registada em mais de dez anos.

O relatório da Transparência Internacional conclui que a maioria dos países não está a conseguir controlar eficazmente a corrupção, salientando que 122 dos 182 países analisados obtiveram uma pontuação inferior a 50.

Paralelamente, o número de países com resultados superiores a 80 diminuiu de 12, há uma década, para apenas cinco este ano. A ONG alerta, em particular, para uma tendência preocupante em várias democracias, onde se verifica um agravamento da percepção da corrupção, refere a organização em comunicado.

*Com Lusa

Texto originalmente publicado na edição impressa do Expresso das Ilhas nº 1263 de 11 de Fevereiro de 2026.

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Autoria:Sheilla Ribeiro*,14 fev 2026 9:19

Editado porFretson Rocha  em  14 fev 2026 12:19

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