"Não se pode promover a retirada de quadros sem que ninguém assuma a responsabilidade" - Abrãao Vicente

PorLourdes Fortes, Rádio Morabeza,15 jan 2019 13:14

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Abrãao Vicente
Abrãao Vicente

O ministro da Cultura e das Indústrias Criativas defende que as instituições devem preparar-se para aceitar de forma aberta todas as formas de manifestação artística. Diz Abraão Vicente que "só quem não conhece a obra e o percurso de Tchalê Figueira pode ficar escandalizado pelos dois quadros".

Através de uma publicação na sua página do Facebook, intitulada arte e debate público, Abraão Vicente reage assim à polémica sobre a retirada dos quadros do artista plástico Tchalê Figueira da exposição patente na Assembleia Nacional, devido ao seu teor erótico.

Os dois quadros de Tchalê estavam entre dezenas de obras numa exposição colectiva, no hall da Assembleia Nacional, que decorre até dia 31 de Janeiro, realizada por ocasião do dia da Liberdade e da Democracia, numa parceria entre Assembleia Nacional, e o MCIC, através da Direcção Geral das Artes.

“Nem Tchalê Figueira, nem qualquer outro artista deve adaptar a sua obra aos contextos expositivos. A obra do artista deve ser um hino à liberdade de expressão e de pensamento. As instituições têm-se de preparar para aceitar de forma aberta todas as formas de manifestação artística e para isso é preciso que tenham pessoal técnico e estrutura preparado para tal. Estar preparado significa também estabelecer ad inicium regras próprias e comunica-las. O que não se pode é promover a retirada de quadros de uma exposição já inaugurada sem que ninguém assuma a responsabilidade deixando um limbo onde todas as divagações demagógicas são permitidas”, lê-se na publicação.

Abraão Vicente esclarece que “a decisão da retirada [dos quadros da exposição colectiva] não partiu do Ministério nem da sua equipa técnica e acrescenta que o debate surgido na sequência não se deve resumir ao “gosto” de cada um dos intervenientes ou à moral ou nível de cultura dos cabo-verdianos.

“Também não podemos ceder à simplificação do debate em rótulos fechados. Isso de parte a parte. O debate não pode ser aos gritos em que uns chamam outros de hipócritas, incultos e falsos moralistas enquanto outros colam a imagem de imoralidades, depravação e obscenos ao artista e aos que o apoiam”, aponta.

Para o titular da pasta da Cultura, o caso da retirada dos quadros do Tchalê Figueira da exposição, “é uma excelente oportunidade para debate público”.

“Debate produtivo e útil é aquele onde se encontra algum equilíbrio de argumentos e se evita a diabolização dos que têm argumentos distintos dos nossos”,indica.

Educação artística, educação sexual, pedagogia, papel das instituições na promoção da arte, os tabus da sociedade cabo-verdiana, o nível do debate público em Cabo Verde, são alguns temas, proposto pelo governante para este debate.

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Autoria:Lourdes Fortes, Rádio Morabeza,15 jan 2019 13:14

Editado porNuno Andrade Ferreira  em  18 ago 2019 23:22

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