PAICV duvida que metas do OE2023 sejam realistas

PorAndre Amaral,9 nov 2022 11:00

Líder parlamentar do PAICV, João Baptista Pereira, diz que em 2023 a actividade económica deverá diminuir enquanto a inflação deverá crescer.

No discurso que fez durante a abertura do debate sobre o Orçamento do Estado para 2023, o líder parlamentar do maior partido da oposição defendeu que Cabo Verde, “como pequena economia aberta”, está exposto “às consequências económicas da guerra na Europa, que continuam a manifestar-se no preço dos bens energéticos e alimentares, bem como pelos efeitos adversos na inflação e crescimento das economias dos seus principais parceiros comerciais”.

Dessa forma, acusa o deputado do PAICV, “a inflação na casa dos 3,7%, que o Governo projeta para 2023, poderá ser o resultado de uma análise desajustada da realidade vivenciada neste momento e que não tenha levado em devida conta as variáveis deste dinâmico e imprevisível contexto”.

Para o PAICV o orçamento apresentado pelo governo à Assembleia Nacional “não tem condições de contrariar a tendência” de um “empobrecimento generalizado e relativamente acentuado dos cabo-verdianos” que, na perspectiva do partido, será induzido “pela perda de poder de compra, de salários e pensões, se levarmos em linha de conta a acumulação das inflações previstas para os anos de 2022 (7,9%) e 2023 (3,7%), o que afectará, sobretudo, as camadas mais desfavorecidas da nossa população”.

O próprio Governo, aponta João Baptista Pereira, “reconhece que as classes de bens e serviços com mais intensidade no crescimento dos preços são os produtos alimentares e as bebidas não alcoólicas” o que, defende, é “um risco para a segurança alimentar, sobretudo para as famílias de menor rendimento, bem como a habitação, a água, a electricidade, o gás e os outros combustíveis e os transportes, derivado sobretudo dos efeitos da inflação importada”.

Para o PAICV o contexto actual devia obrigar o governo a uma maior intervenção “para garantir o equilíbrio social”.

“Era essencial proceder à recuperação e valorização dos salários e das pensões, particularmente daqueles que ganham menos”, reforçou acusando o governo de não cumprir com esse objectivo “face ao aumento irrisório dos salários e pensões, entre 690$00 e 1.155$00 e, mesmo assim, apenas para aqueles que auferem estas prestações até ao valor de 69.000$00”.

O aumento salarial anunciado pelo governo para a função pública é vista pelo PAICV como uma “medida irrisória” face às projecções feitas para a evolução da inflação.

Acusando o governo de não aumentar os salários a mais de 10 mil trabalhadores e de 3 mil pensionistas o líder parlamentar do PAICV disse que estes vão ver “os seus rendimentos reduzirem-se ainda mais”.

Para o PAICV o governo não teve a coragem de “de proceder à recuperação e valorização dos salários e das pensões” e acusa o Executivo de estar “a falhar para com as famílias, a falhar para com a economia nacional e a falhar para com o país no seu todo”.

Quanto ao Orçamento, João Baptista Pereira diz que este é um documento que “não fixa meta para a criação de empregos e para os níveis de desemprego”, que “não apresenta quaisquer alterações substanciais na política fiscal, na política de endividamento, na política de rendimentos e preços” e que “não faz qualquer esforço de contenção e racionalização de despesas”.

“Um orçamento egoísta e pouco solidário”, apontou.

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Autoria:Andre Amaral,9 nov 2022 11:00

Editado porSara Almeida  em  4 dez 2022 21:20

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