Partidos defendem datas históricas como património colectivo

PorFretson Rocha, Rádio Morabeza,20 jan 2026 10:25

Os partidos com representação parlamentar consideram que datas históricas como 13 e 20 de Janeiro, bem como o 5 de Julho, devem ser encaradas como património colectivo, independentemente de quem governava ou governa o país.Posições expressas na noite desta segunda-feira, durante o programa “Plenário”, da Rádio Morabeza.

Num programa em que se debateu “A disputa política em torno de datas históricas”, João Gomes, em representação do MpD, afirmou que a “crispação” em torno dessas datas resulta dos próprios actores políticos e não do povo.

“Eu creio que todos nós, aqui no painel, já dissemos que consideramos que estas datas são datas da Nação, são datas do país, não são de nenhum partido, nem podem ser de nenhum partido e muito menos de determinadas pessoas. Agora, nós não podemos dramatizar. Eu não posso proibir o cidadão – o João, o Manuel ou a Maria, que é uma militante, uma simpatizante ferrenha do PAICV – de comemorar o 5 de Julho efusivamente. Não lhe posso proibir. Da mesma forma, não posso proibir um militante ferrenho do MpD de celebrar o 13 de Janeiro. Nós, os políticos, é que somos responsáveis por tudo isso. Porque essa crispação não vem do povo, essa crispação vem, infelizmente, dos políticos, e este ano é um caso paradigmático”, diz.

Do lado do PAICV, Adilson Graça Jesus defende que a comemoração das datas históricas deve ser aberta à sociedade, com a realização de diversas actividades em todas as ilhas, para além dos posicionamentos políticos nas cerimónias oficiais.

“Nós temos o 5 de Julho e o 13 de Janeiro como datas com as suas comemorações legalmente reconhecidas na Assembleia Nacional. Depois, não há mais nada, não há nenhuma outra actividade. Este ano até houve um festival na Praia, mas não houve em mais nenhuma outra ilha. Mesmo que tenha havido esta mudança de regime – e houve, e bem –, acredito que o povo não deveria ser excluído destas celebrações. Mas o povo deixou de celebrar”, defende.

A UCID, pela voz de Zilda Oliveira, considera importante perceber que, na realidade, estas discussões não são propriamente sobre as datas e as cerimónias, mas sim sobre as diferentes visões de como a história é contada e sobre as figuras colocadas no centro da narrativa de Cabo Verde.

“Porque, quando nós dizemos ou associamos uma determinada data, por exemplo, a um determinado partido, na realidade é isso que nós estamos a fazer. A dizer que foram essas pessoas desse partido que estiveram por detrás daquele grande marco histórico do país. E nós esquecemos todas as outras figuras que de alguma forma contribuíram. Portanto, eu acho que se calhar é sobre isso que nós precisamos trabalhar. Trabalhar essa narrativa. Essas datas são do povo cabo-verdiano. A forma como nós nos posicionamos em relação a essas datas, a visão que nós temos sobre essas datas, deve ser sempre no sentido que são datas que conformam a identidade do povo cabo-verdiano”, entende.

Datas como 13 e 20 de Janeiro - Dia da Liberdade e da Democracia e Dia dos Heróis Nacionais, respetivamente - assim como 5 de Julho, Dia da Independência Nacional, regressam ciclicamente ao centro do debate político em Cabo Verde.

Foto: depositphotos.com

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Autoria:Fretson Rocha, Rádio Morabeza,20 jan 2026 10:25

Editado pormaria Fortes  em  21 jan 2026 6:19

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