O objectivo é investigar todos os indícios e denúncias de alegadas práticas deste fenómeno nas instituições do Estado e reforçar a imagem do país, para além das avaliações feitas por organizações internacionais.Em representação da UCID no debate, António Monteiro considera que a medida vai ajudar a esclarecer os cidadãos, sobretudo perante a percepção de que existe corrupção sistémica no país.
“É importante, é imperativo que, independentemente do governo, a partir de maio de 2026, tenha na sua agenda ou no seu programa de governação a criação de uma agência para o combate à corrupção. Uma agência que tenha capacidade de poder analisar qualquer denúncia, mesmo que seja ela a brincar sobre a corrupção em determinadas instituições do Estado. Portanto, a criação desta instituição, para nós, a UCID, é primordial para se poder travar esta imagem, esta ideia que circula entre nós, os cabo-verdianos, de que o país tem uma corrupção sistémica e que é preciso debelar”, defende.
António Monteiro entende que o Conselho de Prevenção da Corrupção, entidade administrativa independente que funciona junto ao Tribunal de Contas e foi criado em 2020, não é suficiente.
Sobre o Índice de Percepção da Corrupção 2025, divulgado pela Transparência Internacional, que coloca Cabo Verde como o país mais bem classificado da CPLP e o segundo menos corrupto de África, tanto a UCID como o PAICV consideram tratar-se de um dado positivo para o país, apesar de não corresponder à percepção interna dos cidadãos.
Nelson Faria, em representação do maior partido da oposição, também defende a criação de uma instituição independente, dotada de poderes efetivos para atuar.
“Temos de reparar que a existência de 334 casos de corrupção, apenas no trimestre, em Cabo Verde, não são pontos positivos. Manter essa posição em aparência e em narrativa não sustenta, de todo, o que nós somos de facto e como nós vivemos a nossa vida. Portanto, o que eu apelarei aqui era nós termos uma instituição de facto com autoridade, com poderes efetivos, para verificar, analisar e produzir estudos de corrupção em Cabo Verde, credíveis, que alimentasse a transparência internacional e pudesse sim, de facto, possibilitar ranking com real ligação à nossa vivência e à percepção e confiança dos cidadãos no país”, sugere.
Para além da posição de Cabo Verde no Índice de Perceção da Corrupção 2025, no “Plenário” desta segunda-feira esteve também em debate a avaliação da Standard & Poor's, que decidiu elevar o rating da dívida soberana do país de B para B+. O MpD faltou ao debate.
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