PAICV denuncia atrasos e falhas no recenseamento eleitoral na diáspora

PorSheilla Ribeiro,26 fev 2026 12:19

O PAICV denunciou hoje atrasos e falhas no recenseamento eleitoral na diáspora e no território nacional e exigiu ao Governo transparência total sobre o ponto de situação em cada círculo eleitoral e responsabilização por atrasos que prejudiquem o direito constitucional dos cidadãos.

Na sua declaração política, o dpeutado Mário Celso Teixeira disse que aquilo que deveria ser um processo exemplar de organização democrática, encontra-se marcado por atrasos, falhas logísticas, descoordenação e uma “preocupante” falta de celeridade por parte do Governo.

O deputado recordou que o Parlamento elegeu os membros das Comissões de Recenseamento Eleitoral (CRE) para a diáspora, cumprindo a sua responsabilidade constitucional.

A partir daí, prosseguiu, competia ao Executivo, através da Direcção-Geral de Apoio ao Processo Eleitoral (DGAPE) e dos serviços consulares, criar condições imediatas para a tomada de posse das CRE e assegurar os meios técnicos, humanos e financeiros necessários ao funcionamento do processo.

“Mas o que estamos a assistir não corresponde a essa obrigação”, advertiu.

No círculo eleitoral da Europa, Mário Celso Teixeira referiu a existência de múltiplos relatos de dificuldades e como exemplo, citou Reino Unido com a demora na marcação da tomada de posse e comunicação institucional praticamente inexistente e na Suíça, dois meses após a posse, não houve programação adequada das deslocações.

O PAICV citou ainda Suécia, Luxemburgo, Holanda, Bélgica, França, Itália, e países com alguma dinâmica positiva como Portugal e Espanha com limitações, incluindo falta de acesso a relatórios diários e insuficiente apoio institucional.

Na sua declaração Mário Xelso Teixeira apontou que o Parlamento aprovou a CRE do Senegal para que cobrisse também a Costa do Marfim e que a CRE de Angola abrangesse Moçambique, decisão que visava garantir inclusão e cobertura territorial adequada.

“Contudo, até à presente data, nenhuma brigada se deslocou à Costa do Marfim. E nenhuma brigada se deslocou a Moçambique”, afirmou.

Sobre Moçambique, referiu que o último recenseamento eleitoral ocorreu em 2011, o que significa que há 15 anos não recebe uma brigada para o processo.

“Haverá efectivamente recenseamento nesses países? Ou estaremos perante uma exclusão silenciosa de comunidades cabo-verdianas do processo eleitoral?”, questionou.

Angola, São Tomé e Principe, EUA e Argentina também têm problemas, conforme o PAICV.

A nível nacional, o deputado mencionou casos de CRE que, até há poucos dias, tinham recenseado apenas seis pessoas.

“Não pode haver cabo-verdianos de primeira e de segunda. Não pode haver círculos plenamente operacionais e outros simplesmente ignorados”, declarou.

O Grupo Parlamentar do PAICV exigiu a a disponibilização urgente de todos os recursos técnicos e financeiros às CRE no país e na diáspora,

“A democracia não é um favor do Governo. É um direito do povo cabo-verdiano. Os cidadãos, estejam na Praia, Lisboa, Boston, Dakar, Abidjan, Luanda, São Tomé e Príncipe ou Maputo, merecem respeito”.

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Autoria:Sheilla Ribeiro,26 fev 2026 12:19

Editado porAndre Amaral  em  26 fev 2026 21:19

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