Partidos convergem na valorização do percurso de Cabo Verde

PorExpresso das Ilhas,5 jul 2026 14:52

Os três partidos com assento parlamentar reconheceram, este domingo, o percurso de Cabo Verde ao longo de mais de cinco décadas como país independente, destacando os avanços alcançados desde a independência, embora com leituras distintas sobre os desafios que o país enfrenta e as prioridades para o futuro. As posições foram expressas durante a sessão solene comemorativa dos 51 anos da independência nacional.

Pela bancada do PAICV, a líder parlamentar, Carla Lima, destacou o legado da geração da independência, sustentando que as prioridades definidas nos primeiros anos da República permitiram criar igualdade de oportunidades para todos os cabo-verdianos.

"As primeiras escolhas da República compreenderam muito cedo que a liberdade conquistada no plano político só encontraria verdadeiro significado se cada cabo-verdiano tivesse condições para construir o seu próprio futuro. Essa compreensão traduziu-se no investimento na escola pública, na alfabetização, na vacinação, na alimentação escolar, na saúde materno-infantil, na formação de quadros, nas bolsas de estudo e na igualdade de oportunidades, porque era uma geração que acreditava que nenhuma criança devia ver o seu destino determinado pela pobreza da sua família ou pelas circunstâncias da vida. Esta talvez tenha sido a maior conquista da República: transformar direitos formais em oportunidades reais", destacou.

Embora reconheça a evolução de alguns indicadores económicos, a parlamentar entende que o crescimento não se traduziu plenamente em melhorias concretas na vida da população.

"Crescer não é necessariamente transformar. Transformar uma economia é muito mais do que fazê-la crescer. É criar oportunidades para que os jovens encontrem futuro no seu próprio país. É diversificar a riqueza para que o desenvolvimento não dependa de poucos motores. É aumentar a produtividade, fortalecer os setores produtivos e garantir que o crescimento melhore a vida concreta das pessoas. Uma economia pode crescer e, ainda assim, deixar muita gente para trás", considerou.

Por sua vez, o líder parlamentar do MpD, Luís Carlos Silva, defendeu que a evolução de Cabo Verde resulta do trabalho desenvolvido por sucessivos governos e gerações, recusando que o desenvolvimento seja atribuído exclusivamente a qualquer força política.

"Ao longo destes 51 anos, Cabo Verde foi sendo construído. Sob a governação do PAICV alcançámos o estatuto de país de rendimento médio. Sob a governação do MPD elevámos essa categoria. É uma demonstração de que o desenvolvimento nacional não resulta da obra de uma única geração nem de uma única força política. Resulta da capacidade do país de preservar o rumo, fortalecer as suas instituições e prosseguir, com confiança, um projeto nacional de progresso", disse.

O líder parlamentar do maior partido da oposição destacou igualmente os principais indicadores económicos e sociais alcançados pelo país.

"Hoje, Cabo Verde dispõe de reservas externas em níveis históricos, financia cerca de 90 por cento do seu Orçamento do Estado com recursos próprios, regista a maior quantidade de emprego da sua história, recebe mais de um milhão de turistas por ano, atingiu o estatuto de rendimento médio-alto e aproxima-se, de forma consistente, da redução da pobreza extrema. Nenhuma destas conquistas aconteceu por acaso. São resultados do trabalho, da visão e da perseverança de sucessivas gerações de cabo-verdianos", sublinhou.

Luís Carlos Silva enalteceu ainda o papel da diáspora e a construção histórica da identidade nacional, considerando que a estabilidade democrática representa "a nossa maior obra política".

O presidente e deputado da UCID, João Santos Luís, prestou homenagem aos que lutaram pela independência e aos cabo-verdianos que continuam a contribuir para o desenvolvimento do país, mas alertou que a melhor homenagem ao passado reside na capacidade de honrar esse legado.

"Ao assinalarmos 51 anos de independência, prestamos homenagem a todos os homens e mulheres que sonharam e construíram esta nação. Os combatentes da liberdade, os construtores da República e todos os cabo-verdianos que, dentro e fora do país, continuam a contribuir para o engrandecimento de Cabo Verde. A melhor homenagem que lhes podemos prestar não reside apenas na celebração do passado. Reside, sobretudo, na capacidade de honrarmos o legado recebido com visão, coragem e responsabilidade para construir o futuro", afirmou.

João Santos Luís destacou as conquistas registadas, nomeadamente "a consolidação da democracia pluralista, o fortalecimento das instituições e a afirmação internacional de Cabo Verde como um país estável". Contudo, advertiu que o país continua confrontado com problemas que exigem respostas concretas.

Embora reconheça a evolução de alguns indicadores económicos, a parlamentar entende que o crescimento não se traduziu plenamente em melhorias concretas na vida da população.

"Crescer não é necessariamente transformar. Transformar uma economia é muito mais do que fazê-la crescer. É criar oportunidades para que os jovens encontrem futuro no seu próprio país. É diversificar a riqueza para que o desenvolvimento não dependa de poucos motores. É aumentar a produtividade, fortalecer os setores produtivos e garantir que o crescimento melhore a vida concreta das pessoas. Uma economia pode crescer e, ainda assim, deixar muita gente para trás", considerou.

A sessão solene ficou marcada por uma homenagem unânime aos Tubarões Azuis, cujo percurso histórico no Campeonato do Mundo de Futebol foi apontado pelos três partidos como motivo de orgulho nacional e " exemplo de determinação, união e afirmação de Cabo Verde no panorama internacional".

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Autoria:Expresso das Ilhas,5 jul 2026 14:52

Editado pormaria Fortes  em  5 jul 2026 15:19

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