​PAICV e UCID propõem task force para capitalizar impacto internacional dos “Tubarões Azuis”

PorFretson Rocha, Rádio Morabeza,7 jul 2026 9:14

Anilton Andrade e Nelson Faria
Anilton Andrade e Nelson Faria

O PAICV e a UCID consideram que o feito dos “Tubarões Azuis” deve ser transformado numa oportunidade estratégica para Cabo Verde. Os dois partidos propõem a criação de um grupo de trabalho interministerial, com municípios, Câmaras de Comércio e de Turismo e federações desportivas, para converter a projeção internacional da seleção nacional em ganhos reais para a economia, a cultura, o turismo e a diplomacia.

Posições defendidas na noite desta segunda-feira, durante o programa “Plenário” da Rádio Morabeza. O MpD faltou ao debate.

Para Nelson Faria, do PAICV, a afirmação de Cabo Verde no mapa mundial dá ao país maior poder no plano diplomático e permite projetar outras dimensões nacionais.

“Prevemos que, provavelmente, teremos mais visitas, teremos uma maior avalanche de turismo, o que vai requerer, naturalmente, um maior número de acomodações, nomeadamente espaços de acolhimento de turistas. Falo de hotéis, falo, hoje em dia, dos espaços Airbnb, que estão muito em voga, e que são oportunidades imediatas que devem ser aproveitadas. Há uma oportunidade intrínseca ligada à cultura, porque nós somos também a nossa cultura. A vertente da música, da pintura e do artesanato pode ganhar muito com esta dinâmica. Mas há também uma vertente ligada ao desporto como um todo, que não se resume apenas ao futebol. Isso requer e implica, naturalmente, uma outra forma de ver o desporto, não apenas como um espaço lúdico, de divertimento, mas como um espaço económico de potenciação do país”, afirma.

Nelson Faria também destaca a necessidade de transformar a projeção internacional dos Tubarões Azuis em ganhos concretos para o desporto nacional. Para isso, defende mais investimento em infraestruturas, na formação de treinadores e dirigentes, e na criação de leis que permitam aos clubes funcionar com estatuto, rigor e melhor organização.

“E há uma vertente também que nós não podemos descurar, que é a vertente da diáspora. Trazer a nossa diáspora para perto. A nossa diáspora tende a participar na nossa vertente formativa, na nossa vertente também de potenciação do negócio do desporto. Os atletas formados fora do país têm de ter a curiosidade também de querer, de alguma forma, conectar-se permanentemente com o país, aqui em Cabo Verde”, refere.

A UCID segue a mesma linha e defende que a Federação Cabo-verdiana de Futebol e os jogadores já fizeram a sua parte dentro das quatro linhas. O representante do partido, Anilton Andrade, afirma que cabe agora ao Estado, às autarquias e ao sector privado trabalhar fora do campo para transformar o prestígio conquistado em oportunidades reais.

“Os ‘Tubarões Azuis’ abriram o apetite das pessoas sobre Cabo Verde e agora o país tem de capitalizar aquilo que já está a ser comunicado a nível internacional. Esse feito da seleção está ligado diretamente à promoção do país. E quando se fala da promoção do país, fala-se da promoção do turismo, da cultura, da música, da gastronomia, dos produtos nacionais e, sobretudo, do investimento”, considera.

A UCID considera que é preciso olhar para o desporto como um investimento, o que implica avançar para a profissionalização ou semiprofissionalização do sector, com mais organização, rigor e melhores condições para atletas, clubes, treinadores e dirigentes. 

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Autoria:Fretson Rocha, Rádio Morabeza,7 jul 2026 9:14

Editado porAndre Amaral  em  7 jul 2026 10:19

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