UCID questiona critérios e momento do pedido de fiscalização da Resolução sobre Amadeu Oliveira

PorLourdes Fortes, Rádio Morabeza,12 ago 2026 13:37

​A UCID questiona os critérios do pedido do Presidente da República ao Tribunal Constitucional para fiscalizar a resolução que autorizou a detenção do então deputado Amadeu Oliveira. O partido lembra que foram levantadas oito questões de legalidade e constitucionalidade, mas apenas uma foi submetida ao Tribunal.

A posição foi expressa esta quarta-feira pelo presidente do partido, João Santos Luís, em conferência de imprensa realizada no Mindelo.

“Naturalmente, reconhecemos ao Senhor Presidente da República a competência para definir o objeto do pedido que submeteu ao Tribunal Constitucional, mas isso não impede que os cidadãos e as instituições políticas perguntem quais foram os critérios utilizados. Porque, quando existem oito questões suscitadas e apenas uma é levada ao Tribunal Constitucional, é legítimo perguntar o que aconteceu às outras sete. Há uma segunda pergunta, ainda mais importante: se o Tribunal Constitucional não acolher a questão que agora lhe foi submetida, o Senhor Presidente da República estará disponível para suscitar as restantes sete questões?”, questiona.

A petição pública foi liderada por Germano Almeida, Maria João Novais e Silvino da Luz, subscrita por cerca de 450 cidadãos nacionais e dirigida ao Chefe de Estado.

João Santos Luís afirma que o partido considera legítimo o pedido de esclarecimento das questões constitucionais, mas questiona o momento e o âmbito da iniciativa presidencial.

Os factos remontam a julho de 2021 e o pedido de fiscalização surge cerca de cinco anos depois, poucas semanas antes de José Maria Neves suspender as funções presidenciais para se dedicar à campanha para a sua própria reeleição.

“A UCID não está a afirmar que existe qualquer relação entre a iniciativa presidencial e o calendário eleitoral. Não temos elementos para fazer essa afirmação. Mas também entendemos que não podemos ignorar o momento em que esta iniciativa acontece.

Cinco anos depois dos factos. E poucas semanas antes da suspensão das funções presidenciais. Por isso, é legítimo pedir uma explicação, não uma explicação política, não uma explicação eleitoral, mas uma explicação institucional.”

Para João Santos Luís, o Estado de Direito não pode funcionar em função das circunstâncias, nem a Constituição ser respeitada apenas quando é conveniente.

A UCID sublinha que não pretende antecipar a decisão do Tribunal Constitucional, mas defende que “todas as questões juridicamente relevantes devem ser devidamente esclarecidas pelas instituições competentes”.

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Autoria:Lourdes Fortes, Rádio Morabeza,12 ago 2026 13:37

Editado porAndre Amaral  em  12 ago 2026 17:20

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