João Santos Luís, Presidente da UCID - “A UCID quer um país mais descentralizado, mais produtivo e mais justo”

PorSheilla Ribeiro,10 mai 2026 8:23

O presidente da UCID, João Santos Luís, defende a implementação de políticas públicas focadas na redução das desigualdades sociais, laborais e territoriais e propõe um conjunto de medidas que inclui políticas activas de emprego jovem, reforço da qualidade dos serviços de saúde e educação, revisão da política fiscal para reduzir o custo de vida e melhorias no sector dos transportes, com vista ao desenvolvimento equilibrado do país.

Quais são as principais propostas da UCID para estas eleições legislativas?

A UCID quer um país mais descentralizado, mais produtivo e mais justo, um país que consiga reduzir as desigualdades sociais, laborais e territoriais, um país que consiga, enfim, promover a participação dos seus cidadãos nas decisões políticas que os afectam no seu dia-a-dia. Temos outras ideias fundamentais como a criação de políticas activas de emprego jovem, por forma a promover melhores oportunidades de emprego e criar o sentimento de que o jovem cabo-verdiano pode encontrar horizontes aqui no seu próprio país. Apostar seriamente em medidas que vão ao encontro de uma melhor qualidade de saúde a nível nacional, apostando na humanização e num melhor atendimento aos pacientes, na redução das listas de espera, no reforço da instalação de equipamentos de diagnósticos adequados e necessários à satisfação dos utentes. Conceber e reforçar uma política de educação que promova e reforce a qualidade de ensino no país, passando, nomeadamente, pela introdução de línguas, TIC e matemáticas, logo no primeiro ano de escolaridade, resolver as pendências da classe educativa pendentes, agilizar os processos de aposentadoria de toda a classe educativa. Adequar a política de segurança do país (policiamento de proximidade, reforço de câmaras de videovigilância, melhorar a política de reinserção social), reduzindo e evitando as reincidências e, ainda, uma melhor adequação das políticas públicas que beneficiem a faixa etária dos jovens em conflito com a lei. Medidas que vão ao encontro da redução do alto custo de vida imposta actualmente às famílias cabo-verdianas com a redução da carga fiscal, através de uma revisão da política fiscal do país, resolvendo, igualmente, as reclamações dos agentes e operadores económicos; melhoria dos rendimentos dos trabalhadores e das famílias cabo-verdianas, com a implementação do salário mínimo de 25 mil escudos, em 2026, e a actualização de 1.000 escudos ao longo da legislatura que se inicia após as eleições de 17 de Maio de 2026; pensão social de 8.000 escudos, com actualização anual, de acordo com a taxa de inflação; para salários de nível médio/alto, actualização de acordo com a taxa de inflação; actualização da pensão do regime contributivo, conforme a taxa de inflação. Reestruturação do sector Económico e Fiscal, por forma a dinamizar e incrementar o crescimento e o desenvolvimento do país, promovendo a melhoria do ambiente de negócios, para a geração de riqueza e a criação de emprego duráveis, com salário digno e compatível. Reforçar a relação com a nossa diáspora, criando todas as condições que permitam uma melhor participação dos cabo-verdianos residentes no estrangeiro na vida política, económica, fiscal e social do país. Criar as condições para permitir a transferência de conhecimento da nossa diáspora para o país, em vários sectores de actividade, bem como a adopção de medidas que permitam a massificação do investimento da diáspora em Cabo Verde, tendo em conta a capacidade financeira que os nossos emigrantes já possuem. Resolver, de vez, a problemática do transporte, facilitando, assim, a vida dos nossos emigrantes. Reforçar a participação da diáspora na vida política cabo-verdiana. Conceber uma nova política de transporte, que permita uma melhor mobilidade dos cabo-verdianos entre as ilhas, uma melhor mobilidade dos turistas que nos visitam e a unificação e dinamização do mercado nacional. Implementar medidas na nova política de transportes, que reduzam o preço das passagens aéreas interilhas.

Que modelo económico e social o seu partido defende como alternativa às políticas em vigor?

Reorientação da política económica; criação de condições institucionais que fortifiquem o investimento no sector primário da economia; apoio aos agricultores e pescadores, em termos de infraestruturas de conservação, formação profissional de marinheiros e inclusão de novas tecnologias de pesca, investimento em navios de pesca semi-industrial e industrial, empoderamento do sector de pesca e o sector agrícola; investimento no sector de transformação; conceber políticas adequadas de certificação de qualidade de produtos produzidos no sector primário; criar e fomentar uma nova política de industrialização; fortalecimento do sector terciário da economia; redução dos constrangimentos alfandegários e melhoria da nossa oferta turística; redução da burocracia.

Quais seriam as três prioridades imediatas da UCID num eventual cenário de governação?

Medidas sobre a descentralização do poder, acompanhadas de uma nova repartição de competências, recursos e autonomia, permitindo o desenvolvimento harmonioso das ilhas e dos municípios. Emprego-jovem e segurança, medidas de políticas ativas que criem emprego-jovem e, igualmente, implementação de medidas de segurança que tragam paz social às comunidades, no quadro do Estado de direito constitucional.E a terceira, medidas de redução do alto custo de vida, que se observa neste momento.

Que medidas concretas propõe a UCID para reduzir o desemprego, em particular entre os jovens?

Medidas activas de emprego, fomentar o empreendedorismo-jovem, com possibilidade de incentivos fiscais devidamente enquadrados, conforme os casos específicos, massificação da formação e capacitação profissional dos jovens de todas as áreas, no contexto das necessidades do mercado nacional, atração de investimento estrangeiro, atenção especial ao sector privado nacional

Que reformas ou investimentos prevê para melhorar sectores essenciais como a saúde, a educação e os transportes?

No sector da Saúde, medidas de humanização no atendimento nos centros de saúde e hospitais públicos por todo o país; exclusividade entre 30 a 40% dos médicos dos hospitais públicos, com condições de trabalho e salários compatíveis, garantindo uma melhor prestação dos médicos no atendimento aos pacientes; reforço de especialistas em várias áreas do sector de saúde; aposta na formação contínua de médicos e de toda a classe médica, permitindo o exercício de funções nas melhores condições possíveis. Na Educação, priorizar as melhores políticas de educação, que possam contribuir para a qualidade do ensino no país. Nos Transportes, conceber uma nova política, com especial incidência na unificação do mercado, melhoria da mobilidade entre as ilhas e redução do preço das passagens aéreas, entre as ilhas.

Como o partido interpreta os principais desafios actuais do país, nomeadamente o aumento do custo de vida, a emigração e as desigualdades sociais?

Os desafios actuais do país, como aumento de custo do vida, a emigração e as desigualdades sociais, nos interpelam a todos e, por isso, temos a responsabilidade de encontrar outras soluções, e as melhores opções para equacionarmos correctamente e ultrapassarmos estas situações. A UCID está consciente, obviamente, desta imensa responsabilidade e tudo fará para repor a normalidade nos sectores acima mencionados; é preciso construir um Cabo Verde melhor.

Como avalia o desempenho do actual Governo e o papel da Oposição?

O actual Governo teve mais de 1.000 milhões de contos à sua disposição ao longo dos últimos 10 anos, construiu parcerias com países amigos de Cabo verde, fez empréstimos concessionais, teve à sua disposição apoios e ajudas de países amigos, nomeadamente a República Popular da China, conseguiu melhorar os índices macroeconómicos, tais como Taxa de Inflação, Taxa de Desemprego, Redução da Dívida Pública, em termos do rácio do PIB e crescimento económico, em média de 4,5%. Mas, apesar de todas as condições que foram criadas em termos de recursos, ao longo dos seus 10 anos de mandato, o país continua, infelizmente, com muitos problemas, a importar mais de 90% dos produtos que consome; continua, também, a verificar-se a saída desenfreada dos jovens, à procura de novos horizontes lá fora; há mais de 100 mil cidadãos na situação de pobreza absoluta, o que é inaceitável; a dívida pública, que era de 200 milhões de contos em 2016, hoje, em 2026, é de 317 milhões de contos e temos um serviço da dívida que ronda os 31 milhões de contos, em 2026. Em termos do Ambiente, temos ainda lixeiras a céu aberto, em quase todo o território nacional, ou aterros sanitários que não resolvem, de forma adequada, a problemática do tratamento dos resíduos sólidos. Face a este cenário, podemos concluir que o actual Governo não utilizou de forma adequada os vastos recursos que teve à sua disposição, não definiu as prioridades de forma adequada, capaz de satisfazer as reais necessidades dos cidadãos cabo-verdianos, ou seja, fez uma mera governação de vaidade e cosmética, permitiu a humilhação de milhares de cidadãos cabo-verdianos, desprezou e empurrou para a pobreza absoluta mais de 100 mil cidadãos, com as políticas, erradas, implementadas ao longo dos 10 anos de governação. A UCID levou ao Parlamento todas as preocupações que afectam os cabo-verdianos, no país e na diáspora, apresentou projectos e ideias de melhoria de várias situações negativas, mas, infelizmente, isso não surtiu quaisquer efeitos, tendo em conta que estamos perante um Governo autista, de maioria absoluta, e as propostas e ideias entravam num ouvido a 10 km e saiam no outro ouvido a 100 km a hora, mostrando, portanto, um desinteresse total e uma indiferença face ao bem-estar dos cabo-verdianos; a governação tem de servir as pessoas, e isso não aconteceu.

Em que aspectos a UCID se apresenta como uma alternativa distinta e credível?

A UCID apresenta-se como uma alternativa distinta e credível, na medida em que protagoniza um país mais descentralizado, mais produtivo e mais justo, um Cabo Verde que consiga reduzir as desigualdades sociais e territoriais e um Cabo Verde que possa, ainda, aproximar os seus cidadãos das decisões políticas.

A UCID optou por candidatos independentes para encabeçar listas em Santiago Sul e no Fogo. O que motivou esta decisão?

A opção por candidatos independentes reflecte a grande abertura do partido à sociedade civil, visto que o partido deve ser visto, unicamente, como um instrumento útil que o cidadão cabo-verdiano, seja quem for e de onde vier, possa utilizar para fazer valer as suas ideias e os seus projectos para a continuidade do processo de desenvolvimento do país. Esta opção traduz uma estratégia importante para alargar e reforçar a base de apoio do partido ao nível nacional e criar, simultaneamente, oportunidades de participação dos cabo-verdianos que não se reveem nas políticas e opções de desenvolvimento e de consolidação do processo democrático dos dois partidos que governaram o nosso país ao longo dos últimos 50 anos de Independência Nacional e 35 anos de Democracia.

Que medidas pretende a UCID adoptar para reconquistar ou reforçar a confiança dos eleitores cabo-verdianos?

As medidas são apresentar as propostas que são viáveis e que promovam um melhor desenvolvimento do país, propostas essas susceptíveis de reduzir as desigualdades sociais e laborais e que melhorem a actuação do País nas diversas frentes e, sobretudo, no contexto em que se vive actualmente, num cenário bastante complexo em termos de política internacional.

Como o partido pretende afirmar-se em termos de credibilidade, transparência e proximidade com os cidadãos?

O Partido, UCID, é uma opção credível para enfrentar os vários desafios que são impostos ao país; iremos exigir transparência na aplicação dos recursos públicos e a necessária proximidade com os cidadãos; isto será o nosso dia-a-dia de governação.

A UCID está disponível para integrar soluções de governação em coligação? Em que condições?

A UCID é e sempre foi um partido sério, que sempre colocou os interesses da Nação acima de todos os outros interesses, inclusive partidários. Seremos uma força política com responsabilidade e utilizaremos, da melhor forma possível, a capacidade e a responsabilidade que os cabo-verdianos entenderem nos atribuir nas urnas, no dia 17 de Maio de 2026, com toda a transparência e em benefício do nosso país e da sua população.

Texto originalmente publicado na edição impressa do Expresso das Ilhas nº 1275 de 06 de Maio de 2026.

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Autoria:Sheilla Ribeiro,10 mai 2026 8:23

Editado porNuno Andrade Ferreira  em  10 mai 2026 9:19

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