Oposição acusa Governo de falhas nos transportes, MpD fala em melhorias visíveis

PorSheilla Ribeiro,7 jan 2026 12:16

• Oposição critica falhas estruturais na TACV e ausência de navios prometidos pelo Governo em 2023. • PAICV propõe programa "Céus Abertos, Povo Conectado" para transformar transporte aéreo nacional. • UCID denuncia ligações irregulares entre ilhas e custos elevados que penalizam economia. • MpD defende melhorias visíveis com expansão da TACV e crescimento de 8% no transporte marítimo.

Resumo criado por IA

O PAICV defendeu uma revisão do modelo dos transportes aéreos e marítimos, acusando os Governos de 2016 a 2026 de agravarem custos para o Estado, fragilizarem o controlo público e prestarem um serviço deficiente às populações. Na mesma linha, a UCID considerou que o Governo ainda não conseguiu dar uma resposta eficaz aos problemas existentes no sector. Já o MpD avaliou de forma positiva os resultados alcançados no sector dos transportes, defendendo que as medidas adoptadas pelo Governo têm produzido melhorias visíveis na mobilidade, na capacidade operacional e na regularidade das ligações aéreas, marítimas e terrestres.

Declarações feitas hoje no Parlamento durante o debate com o ministro do Turismo e Transportes.

Segundo o deputado do PAICV, João do Carmo, no sector do transporte aéreo alertou para as fragilidades nas ligações domésticas, associando-as a problemas estruturais e de gestão da companhia aérea nacional.

“O mesmo não se pode dizer das operações domésticas, seriamente afetadas por problemas estruturais, de estratégia e de gestão que têm condicionado a solvência da companhia aérea nacional TACV. Devido aos altos riscos fiscais que gera o funcionamento da TACV, há necessidade de reestruturação da mesma não somente para mitigar estes riscos, mas também para aproveitar a empresa como ferramenta promotora do desenvolvimento de Cabo Verde”, afirmou.

Nesse quadro, o PAICV propõe o Programa Nacional “Céus Abertos, Povo Conectado”, que visa transformar o transporte aéreo num motor de crescimento económico e de inclusão territorial. A iniciativa aposta, segundo João do Carmo, na integração de infra-estruturas, diplomacia aérea, inovação digital e reforço da regulação técnica e económica do sector.

Já no que respeita ao transporte marítimo, considerou que foi “capturado, fragilizado e subordinado a interesses privados”, com elevados custos para o Estado e para os cidadãos.

“Em vez de um mercado regulado e eficiente, instalou-se um monopólio estrangeiro em regime de exclusividade por 20 anos, imposto sem debate público sério e sem envolvimento das populações”, declarou.

O parlamentar recordou que, em 2023, o Governo anunciou a aquisição de quatro navios novos, dois deles com financiamento do Banco Mundial, no valor de 15 milhões de dólares, com chegada prevista para o final desse ano. “Estamos em 2026. Os navios não existem. O financiamento não apareceu. A prestação de contas nunca foi feita”, frisou.

UCID

Segundo das deputada da UCID, Dora Pires, a inexistência de ligações regulares, fiáveis e acessíveis compromete o funcionamento do mercado interno e aprofunda as desigualdades.

“Sem ligações regulares, fiáveis e acessíveis entre as ilhas, não há mercado interno funcional, não há igualdade de oportunidade e não há desenvolvimento equilibrado. Infelizmente, é preciso dizer com franqueza e ao mesmo tempo com tristeza, que o governo ainda não acertou o passo neste sector, tão pouco na qualidade do sector de turismo”, declarou.

A deputada da UCID apontou irregularidades persistentes nas ligações marítimas e aéreas, bem como cancelamentos frequentes e custos elevados para cidadãos e empresas. Referiu igualmente dificuldades na mobilidade de pessoas e mercadorias e a falta de previsibilidade, factores que, no seu entender, penalizam a economia nacional.

“As soluções apresentadas têm sido às vezes reactivas, improvisadas e pouco sustentáveis.Necessitamos de uma visão estratégica integrada, que encara os transportes como um serviço público essencial e não apenas um problema conjuntural a resolver pontualmente”, sustentou.

No domínio da cabotagem marítima, Dora Pires realçou problemas relacionados com a frota, a gestão, a manutenção e a organização das rotas, salientando que estas fragilidades têm impactos directos na vida dos cabo-verdianos, na actividade empresarial, no turismo interno e no escoamento de produtos. Para a deputada, esta situação reduz a competitividade das ilhas menos centrais e não satisfaz as necessidades de mobilidade interna.

“O país precisa de políticas de transportes que garantem previsibilidade, regularidade, segurança e preços justos. Precisamos de um modelo que funcione não apenas em papel, mas na prática todos os dias”, frisou.

MpD

Segundo o deputado Aniceto Barbosa, os transportes apresentam hoje um desempenho mais robusto, reflectindo investimentos continuados e decisões estratégicas. “Cada avião no ar, cada navio no mar, cada carro na estrada significa vida, oportunidades, emprego e crescimento”, declarou.

No transporte aéreo, Aniceto Barbosa considerou que os resultados são evidentes, tanto no plano internacional como nas ligações inter-ilhas. Referiu a retoma e expansão das operações da TACV como um sinal claro de recuperação, destacando a manutenção de rotas para a Europa e a preparação de voos transatlânticos.

A nível interno, apontou a entrada em funcionamento da LACV como um factor de estabilização do serviço aéreo, com aumento da capacidade e maior previsibilidade das operações.

O parlamentar salientou ainda o reforço da frota aérea com a aquisição de novas aeronaves e com o recurso a soluções de aluguer para garantir continuidade do serviço. Para Aniceto Barbosa, estes resultados traduzem-se em “maior tranquilidade e regularidade” para passageiros e operadores económicos.

No transporte marítimo, o deputado afirmou que os números demonstram uma evolução positiva, referindo o crescimento consistente do transporte inter-ilhas entre 2016 e 2024, com cerca de 1,5 milhões de passageiros e um aumento de 8% na movimentação de carga. Relativamente ao transporte terrestre, Aniceto Barbosa considerou que as melhorias nas estradas e acessos têm produzido ganhos concretos na segurança rodoviária e na ligação entre comunidades, facilitando o acesso a serviços essenciais e promovendo maior integração territorial.

Reconhecendo que persistem constrangimentos, o deputado do MpD sustentou que o balanço global do sector é positivo, defendendo que os resultados alcançados mostram um sistema de transportes mais funcional, com maior capacidade de resposta às necessidades da população, da economia e do turismo.

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Autoria:Sheilla Ribeiro,7 jan 2026 12:16

Editado porSara Almeida  em  9 jan 2026 6:19

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