CNAD abre-se à cidade, ao país e ao mundo

PorNuno Andrade Ferreira,6 ago 2022 8:32

Lateral do CNAD, no centro da cidade do Mindelo
Lateral do CNAD, no centro da cidade do Mindelo

Marco cultural e arquitectónico do Mindelo e de Cabo Verde foi inaugurado no último fim-de-semana, depois de três anos de obras e com a promessa de fazer convergir tradição e modernidade.

Com novas valências e condições únicas para desenvolver e exibir trabalho artístico, o renovado Centro Nacional de Arte Artesanato e Design (CNAD) abriu portas dia 30, na Praça Nova, em São Vicente, com a ambição de dar visibilidade mundial às artes visuais cabo-verdianas.

O edifício original, a antiga casa do senador Vera-Cruz, liga-se a um segundo espaço, construído de raiz a partir do projecto do gabinete de arquitectura Ramos Castellano. A fachada icónica, idealizada em parceria com o compositor Vasco Martins, e na qual se esconde uma pauta musical, é a marca do ‘novo’ CNAD.

“Mindelo convida-nos, de certa forma, a sonhar e é por essa razão que assumimos desde o início que seria o centro das artes, da cultura e das indústrias criativas”, declarou na abertura o ministro da tutela, Abraão Vicente.

O responsável governamental pela Cultura e Indústrias Criativas quer transformar o investimento em mais-valia, tornando-o porta de entrada para os grande circuitos internacionais da especialidade.

“Além da fachada bonita, colorida, vibrante, precisávamos de dar conteúdo a esta magnífica obra arquitectónica. Não é apenas um edifício bonito, para preencher e animar a vista da cidade. É uma extraordinária construção, de consolidação do nosso percurso como povo, um extraordinário e sentido monumento ao nosso percurso como povo”, disse.

Presente na cerimónia protocolar de inauguração, o Primeiro-Ministro, Ulisses Correia e Silva, também realçou a dimensão identitária do novo polo cultural.

“Esta obra simboliza aquilo que é Cabo Verde: resiliência, crença e ambição. Não estivemos a fazer contas de somar. Tivemos de fazer contas de multiplicar”, afirmou.

Galerias para exposições permanentes e temporárias, um pequeno apartamento para residências artísticas, centro de investigação, loja, cafetaria e área administrativa, além de zonas exteriores, fazem do CNAD um centro versátil. Os muros que envolviam a casa do senador foram derrubados, abrindo o equipamento à cidade e às pessoas.

Para o presidente da Câmara Municipal de São Vicente, Augusto Neves, o CNAD valoriza a cultura da ilha e o legado das gerações anteriores.

“Um dos aspectos mais importantes do projecto foi a vontade e a capacidade demonstradas de salvar essa grandiosa obra de arte [a casa de Augusto Vera-Cruz], de incalculável valor, e de a devolver à população. Esta obra enquadra-se num vasto e notável esforço de recuperação e restauro dos principais monumentos do país”, notou.

Com autonomia financeira, administrativa e patrimonial, o CNAD terá programação própria, pensada à distância de vários meses. De acordo com o director-geral, Irlando Ferreira, o projecto representa um investimento a rondar os 150 mil contos, totalmente financiados com recursos do Estado, através do Fundo do Turismo.

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Criação Cabo-Verdiana

Percursos

Galeria Manuel Figueira

Curadoria de Adélia Borges e Irlando Ferreira

Selecção de obras do acervo do Centro Nacional de Arte, Artesanato e Design (CNAD), dividida em dois momentos principais: décadas 1970 e 1980 e a partir de 2015. No primeiro período, é possível encontrar um conjunto de peças recolhidas pelos membros integrantes do então Centro Nacional de Artesanato (CNA). No segundo, a colecção é construída a partir do resultado de residências criativas, concursos e aquisições.

Fios

– Tapeçaria de Cabo Verde

Galeria Luísa Queirós

Curadoria de Irlando Ferreira

“Fios – Tapeçaria de Cabo Verde” apresenta três gerações de artistas e artesãos, com obras produzidas ao longo das décadas de 1980 e 1990 e também obras dos anos 2000, resultantes, na sua maioria, de duas residências criativas: “URDIDURAS – Tecendo Olhares.2” (2016), com peças dos mestres artesãos João Fortes, Joana Pinto e Marcelino dos Santos; “TEADA” (2018), pelos artistas Alex da Silva, Bento Oliveira e Manuel Figueira e os artesãos Hélder Medina, Hélder Santos e Valdemiro Pina.

Idiota

Galeria Bela Duarte

Marlene Monteiro Freitas e

Alex da Silva

Um convite do CNAD está na origem do diálogo entre a obra do pintor Alex Silva (1973-2019) e a bailarina e coreógrafa de renome internacional, Marlene Monteiro Freitas. O resultado é a performance/instalação “Idiota”.

Em jeito de homenagem e tributo ao legado incontornável deixado por da Silva, Marlene constrói uma conversa que tem início numa performance para se estender enquanto instalação.

Fundação e Emergência

Galeria Zero

Diogo Bento

“Fundação e Emergência”, do fotógrafo Diogo Bento, apresenta o processo de requalificação do CNAD, através de fotografias exibidas no espaço Zero.

Diz o autor que, pelas suas características, a obra do CNAD sempre pareceu apresentar desafios complexos. Por isso, este procurou aproximar-se de um entendimento das dimensões físicas e simbólicas do projecto.

Texto originalmente publicado na edição impressa do Expresso das Ilhas nº 1079 de 3 de Agosto de 2022.  

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Autoria:Nuno Andrade Ferreira,6 ago 2022 8:32

Editado porAntónio Monteiro  em  8 dez 2022 23:28

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