Posições manifestadas hoje durante a conferência de imprensa de balanço das jornadas parlamentares.
“Se nós olharmos para Cabo Verde e para todo o percurso que fizemos até hoje, há alguns fenómenos que nos preocupam, entre eles a diminuição da qualidade do ensino. Não é normal que uma criança, no quarto ou quinto ano, tenha dificuldades na leitura, e nós temos identificado isto”, disse Clóvis Silva na sua intervenção.
Clóvis Silva acrescentou que a redução do número de turmas em diversos agrupamentos escolares é outro indicador de que o sector enfrenta problemas. “Não é normal, por exemplo, que em agrupamentos tenhamos a diminuição do número de turmas, chegando a menos treze turmas. Isto está a acontecer em Tarrafal, em Santiago Norte, em Santa Catarina e também na Praia. Tudo isto demonstra que algo não vai bem e nós temos de estar preparados”, alertou.
“Se tutelamos um sector como a educação, que é essencial, um pilar para mantermos o nosso Estado a funcionar adequadamente, precisamos de ter respostas. Estas questões afectam os alunos, afectam os professores e, obviamente, as nossas comunidades.”
MpD
Já o MpD apontou, entre outros, avanços como o reforço do parque escolar, com mais de 350 escolas reabilitadas e modernizadas e a remodelação de cozinhas e casas de banho em cerca de sessenta escolas básicas, com o apoio da Cooperação Luxemburguesa.
“O parque escolar está hoje em muito melhores condições do que em 2016, quando o cenário era de degradação generalizada”, frisou.
José Eduardo Moreno referiu que os manuais escolares estão a ser disponibilizados em formatos impressos e digitais, com os livros do 10.º ano quase prontos, os do 11.º disponíveis em Dezembro e os do 12.º ano entre Fevereiro e Março de 2026. Além disso, prosseguiu, as cantinas e os transportes escolares funcionam com normalidade em todo o território.
No plano da valorização docente, o deputado sublinhou que o novo Plano de Cargos, Funções e Remunerações (PCFR) trouxe salários actualizados, promoções efectivas e criou “um clima de confiança e motivação entre os professores”, sendo os novos vencimentos pagos desde Setembro.
Moreno enfatizou ainda o aumento do número de bolsas de estudo, de 2.500 para 4.200 estudantes universitários, a duplicação das bolsas de mérito e a implementação de medidas como a restrição do uso de telemóveis nas salas de aula do ensino básico, para promover mais disciplina e melhor aprendizagem.
“O Orçamento do Estado para 2026 reforça o compromisso com a continuidade dos investimentos, a transparência e a qualidade do ensino. O sector da Educação terá um aumento de 5,9% face a 2025, passando de 12,8 mil milhões de escudos para 13,6 mil milhões de escudos, ou seja, 4,2% do PIB nacional”, disse.
UCID
“Muitas escolas precisam de obras, entre elas a Escola Industrial e Comercial do Mindelo, o muro que caiu com a anterior chuvada, e escolas do ensino básico como Pedra Rolada, Luís Morais, Arnaldo Medina e Chã de Marinha”, disse Dora Pires. Acrescentou que também há necessidade de materiais informáticos – computadores, portáteis, data-show – e de restauração de mobiliário, mesas e cadeiras danificadas pelas chuvas.
A deputada da UCID salientou que ainda existem escolas sem casas de banho e sem água, sublinhando que estas situações comprometem o acesso à educação para os aproximadamente 15 mil alunos do ensino básico e secundário e para as 1.100 crianças nos jardins e no pré-escolar da ilha.
Dora Pires apelou à atenção para outros problemas do sistema educativo. Alertou para a necessidade de reforçar disciplinas como Português, Matemática e TIC, assim como o ensino da língua materna. Referiu que a transição digital exige laboratórios de tecnologia adequados e uma rede de Internet mais rápida e estável.
No ensino superior, a deputada considerou urgente rever os salários e promoções dos professores universitários, apontando desigualdades face ao ensino secundário, e questionou se as residências estudantis da Ribeira de Julião estão prontas para receber os estudantes.
Clóvis Silva é o novo líder parlamentar do PAICV
Clóvis Silva foi eleito líder parlamentar do PAICV, sucedendo a João Baptista Pereira, que manifestou não ter interesse em continuar na liderança. A eleição surge após um processo interno conduzido de acordo com os regulamentos e estatutos do partido, e a nova direcção foi escolhida com 90% dos votos.
“O camarada João Baptista Pereira disse que já não tinha interesse em continuar na liderança. Também outros membros da direcção disseram que foram convidados a participar pelo João Baptista Pereira e que manifestavam igualmente o interesse em não mais continuar na direcção, o que necessariamente nos leva a um processo eleitoral interno”, explicou Clóvis Silva na conferência de balanço das jornadas parlamentares.
O novo líder parlamentar sublinhou que a prioridade é manter o ritmo de trabalho da direcção anterior, mesmo estando a poucos meses do final da legislatura. “Temos o desafio de liderar um grupo parlamentar a muito pouco tempo do final da legislatura. A nossa principal perspectiva é não diminuirmos o ritmo. Nós somos fiscais da governação, temos de cobrir todas as áreas tuteladas pelo Governo.”
“O nosso principal desafio é conseguirmos manter o ritmo de uma direcção que, para nós, foi excelente. No fundo, é tentar fazer com que o nosso trabalho seja a este nível e não deixar o nível cair”, afirmou.
Clóvis Silva referiu ainda que foi convencido pelo presidente do PAICV a aceitar a liderança do grupo parlamentar do partido, em circunstâncias em que inicialmente não tinha interesse em assumir esse desafio.
O líder parlamentar garantiu que o PAICV está unido e que contará com a experiência dos membros que já lideraram o grupo parlamentar em momentos desafiantes, com o objectivo de representar dignamente todos os cidadãos.
Texto originalmente publicado na edição impressa do Expresso das Ilhas nº 1245 de 08 de Outubro de 2025.
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