Negócios atingem cerca de 437 milhões de contos e empresas empregam mais de 94 mil pessoas

PorSheilla Ribeiro,2 ago 2026 15:02

Em 2024, havia 18.641 empresas activas no país, que empregavam 94.714 trabalhadores e geraram um volume de negócios de cerca de 437 milhões de contos, um aumento de 13,5% face ao ano anterior, segundo dados do Inquérito Anual às Empresas de 2024 do Instituto Nacional de Estatíticas (INE).

As microempresas continuam a representar a maioria das unidades empresariais existentes no país. Em 2024, contabilizaram-se 14.669 microempresas, correspondentes a 78,7% do total, enquanto as pequenas empresas representaram 8,9%, as médias 10,4% e as grandes empresas apenas 2%.

Grande parte destas unidades apresenta estruturas organizacionais mais simples e, na maioria dos casos, não possui contabilidade organizada.

O INE avança que a concentração empresarial mantém-se sobretudo nas ilhas de Santiago, São Vicente e Sal. Santiago reuniu 46,7% das empresas activas, particularmente no concelho da Praia, que sozinho concentrou 5.282 empresas, equivalentes a 28,3% do total nacional. Seguiram-se São Vicente, com 3.235 empresas (17,4%), e Sal, com 2.637 empresas (14,1%).

Ao nível municipal, Mosteiros registou o maior crescimento do número de empresas, com uma subida de 11,3% face a 2023. Em sentido contrário, Tarrafal de São Nicolau e São Salvador do Mundo registaram as maiores reduções, com quedas de 10,1% e 13,2%, respectivamente.

Quanto à forma jurídica, as Empresas em Nome Individual e as Sociedades Unipessoais por Quotas mantiveram-se como as mais frequentes, representando 67,7% do total, apesar de uma redução de 1,3% em relação ao ano anterior.

Já as Sociedades por Quotas ganharam expressão, representando 28,9% das empresas activas e registando um crescimento de 12,3%, sinalizando uma maior adopção de estruturas empresariais mais formalizadas.

Empresas empregam mais de 94 mil pessoas

Em 2024, as empresas activas empregaram 94.714 pessoas, um aumento de 5,1% face a 2023, correspondendo a mais 4.610 trabalhadores.

A mão-de-obra masculina continuou a ser predominante, representando 58,6% do total do pessoal ao serviço, enquanto as mulheres corresponderam a 41,4%.

A ilha de Santiago concentrou a maior parcela do emprego empresarial, com 42,6% do total nacional. O concelho da Praia registou 34,2%, seguido por São Vicente (22,8%) e Sal (21,7%).

Por sectores, o Comércio por Grosso e a Retalho, incluindo a Reparação de Veículos Automóveis e Motociclos, manteve-se como o principal empregador, absorvendo 24,6% do pessoal ao serviço.

Seguiram-se o Alojamento e Restauração, com 20,3%, e a Indústria Transformadora, com 12,1%. No conjunto, estes três sectores concentraram 57% do emprego empresarial.

Apesar de representarem uma pequena parcela do total de empresas, as grandes empresas empregaram 42,9% do pessoal ao serviço, seguidas das microempresas, com 28,7%, e das médias empresas, com 19,5%.

Volume de negócios ultrapassa 436 milhões de contos

O volume de negócios atingiu 436.725.915 escudos, um crescimento de 13,5% face aos 384.651.341 escudos registados em 2023.

Conforme o INE, as empresas com contabilidade organizada foram responsáveis por 94,6% do volume total de negócios, apesar de representarem uma parcela menor do universo empresarial.

O Comércio, segundo a mesma fonte, foi principal gerador de negócios, concentrando 44% do volume total. O sector do Alojamento e Restauração representou 12,3% e registou um crescimento de 21,3% face ao ano anterior, enquanto a Construção apresentou uma das maiores evoluções, com um aumento de 75,1%.

A actividade económica manteve-se concentrada nas ilhas de Santiago, São Vicente e Sal, que, em conjunto, representaram 93,2% do volume de negócios nacional. Santiago respondeu por 40,7%, São Vicente por 30,3% e Sal por 22,2%.

Os dados do INE mostram ainda que o sector terciário concentrou 82,3% das empresas activas. O Comércio por Grosso e a Retalho foi o sector com maior presença, reunindo 36,8% das empresas, seguido pelo Alojamento e Restauração (12,1%) e pelos Transportes e Armazenagem (9,4%).

Entre os sectores com maior crescimento em 2024 encontram-se as Actividades Artísticas, de Espetáculos, Desportivas e Recreativas, com uma subida de 56,6%, a Construção, com 22,9%, e as Actividades Imobiliárias, com 15,4%.

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FMI pede prudência orçamental e redução contínua da dívida pública

O Fundo Monetário Internacional (FMI) defende que Cabo Verde deve manter políticas orçamentais prudentes e assegurar a continuidade da redução da dívida pública e alerta para a necessidade de proteger os agregados familiares mais vulneráveis sem recorrer a subsídios generalizados que possam criar custos permanentes para o Estado.

Uma missão do FMI, liderada por Martin Schindler, esteve no país entre 21 e 24 para realizar discussões introdutórias com o novo Governo, que tomou posse em Julho.

No final da visita, o organismo internacional salientou a importância de preservar a estabilidade macroeconómica e a sustentabilidade das finanças públicas.

Segundo o FMI, apesar do Produto Interno Bruto (PIB) real estar a crescer 6,4% em termos homólogos no primeiro trimestre de 2026, e a inflação situar-se em 1,1% em Junho e as reservas internacionais continuarem a representar uma margem confortável para responder a eventuais choques externos, permanecem vulnerabilidades importantes, nomeadamente o elevado nível da dívida pública e a exposição do país a choques externos e relacionados com o clima.

Nas reuniões com o novo Governo, a missão do FMI analisou as prioridades políticas e o programa recentemente adoptado.

O FMI reforçou a necessidade de manter as finanças públicas sustentáveis e garantir que a dívida pública continue numa trajectória firme de redução.

Para isso, defendeu a adopção de políticas orçamentais prudentes, com protecção dos agregados familiares mais vulneráveis, mas evitando subsídios generalizados e sem um público-alvo definido, que poderão gerar encargos permanentes para o Estado e comprometer os progressos alcançados nos últimos anos.

A instituição considerou igualmente importante a continuidade dos esforços para reforçar as finanças públicas, enfrentar riscos fiscais, incluindo os associados às empresas públicas, e avançar com reformas estruturais e relacionadas com o clima, como forma de sustentar um crescimento económico forte e inclusivo.

Texto originalmente publicado na edição impressa do Expresso das Ilhas nº 1287 de 29 de Julho de 2026.

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Autoria:Sheilla Ribeiro,2 ago 2026 15:02

Editado porSheilla Ribeiro  em  2 ago 2026 17:20

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