Governo e PAICV trocam acusações sobre a morte de Hamilton Morais

PorAndre Amaral,7 dez 2019 6:59

Ministro da Administração Interna, Paulo Rocha, e o deputado do PAICV, João Baptista Pereira, discutiram, durante a votação do Orçamento do Estado para o próximo ano, a situação da segurança em Cabo Verde.

A sessão parlamentar de discussão e votação do Orçamento do Estado (OE) para 2020 estava a decorrer sem sobressaltos de maior quando João Baptista Pereira, deputado do PAICV, interpelou o governo e em particular o ministro da Administração Interna, Paulo Rocha, sobre a questão da segurança em Cabo Verde. 

Baptista Pereira focou-se especialmente na morte de dois agentes da Polícia Nacional nos últimos dois meses.

“As declarações do Director Nacional da Polícia Nacional, nos últimos dias, permitem fazer um questionamento, em particular, ao ministro da Administração Interna”, defendeu o deputado do PAICV que perguntou a Paulo Rocha se “ja sabia o que se passava” quando “disse, a partir do Sal, que o suspeito de ter alvejado o agente estava detido e que a polícia estava no encalço do outro”. 

“Aquilo que perguntamos, face às declarações do Director Nacional da PN, é se o ministro sabia ou não quem era de facto o autor do disparo que vitimou o agente Hamilton Morais. O que fez o senhor e a instituição que dirige para que o suspeito fosse entregue às autoridades judiciárias para de um lado evitar a continuidade da actividade criminosa e por outro para que em desespero pusesse fim à sua própria vida?”, reforçou Baptista Pereira exigindo esclarecimentos por parte do governo, em particular do ministro da Administração Interna.

‘Operação Jamaica’ 

Mas o deputado da oposição não se limitou a este pedido de esclarecimentos. Baptista Pereira perguntou, também, a Paulo Rocha qual o objectivo da operação que levou à detenção de um homem co­nhecido por Jamaica quando este “descansava no seu leito, na sua casa, ao lado da sua família. Qual era o objectivo concreto desta operação? Com esta operação pretendia porventura a instituição encontrar um bode expiatório para poder encobrir o que hoje todos sabem que aconteceu?”

Uma pergunta que ficou sem resposta por parte do ministro da Administração Interna que disse que o deputado não tinha outro objectivo com a sua intervenção outra coisa que não fosse explorar a morte do agente Hamilton Morais “de forma ignóbil, não há outra forma de o dizer”.

“O deputado João Baptista Pereira já nos acostumou com o seu barulho aqui no Parlamento, mas hoje atingiu limites que nem eu imaginava. Vir aqui trazer a questão do agente Hamilton para tentar explorá-la até ao tutano, fingindo-se o mais sensível de todos os seres não convence ninguém”, criticou o ministro. 

Dizendo que o que acon­teceu com o agente assassinado no bairro de Tira-Chapéu foi “demasiado grave, muito sofrido até agora e que continuará a fazer sofrer a família e os mais próximos”, Paulo Rocha defendeu que “ninguém duvida que tenha sido um homicídio”.

Já no que respeita à sua declaração, a partir do Sal, no dia do homicídio do agente, esta teve por objectivo “dizer que era necessário apurar as exactas circunstâncias em que ocorreu o crime para depois podermos fazer os necessários pronunciamentos”. 

“Nessa altura dizia-se que a equipa estava no encalce de dois suspeitos por tentativa de roubo. Um deles tinha sido capturado e andava-se no encalce do outro para se esclarecer. O nosso compromisso com os familiares foi no sentido de tudo fazer para garantir que esclareceríamos aquilo que se passou” reforçou Paulo Rocha no Parlamento. 

Quanto às outras questões levantadas por Baptista Pereira sobre o desaparecimento de crianças, o atentado contra o presidente da Câmara da Praia ou a morte de um detido quando era transportado numa carrinha da Polícia Nacional, o ministro explicou que no caso das duas primeiras estão a decorrer investigações tendo em vista a detenção dos suspeitos e que, relativamente ao último, o homem “de facto, saltou. Não há outra forma de o dizer”.

Nomeações na Polícia Nacional 

Mas não foi apenas destes casos mais mediáticos que consistiram as críticas feitas pelo deputado João Baptista Pereira. 

Segundo este eleito do PAICV, Paulo Rocha é respon­sável pelo que en­ten­de ser uma crescente par­ti­darização da Polícia Nacional. 

“Instalaram a mais vil partidarização nesta corporação”, acusou João Baptista Pereira que acrescentou que com este governo as “nomeações são feitas com base em confiança estritamente política. Permitiu que se implantasse um clima de perseguição na corporação e deixou que aqueles que defenderam os seus direitos fossem severamente castigados. Nomeadamente aquele que disse que as leis cabo-verdianas são amigas das armas, que acabou punido para, depois, vocês virem agora dizer aos cabo-verdianos que vão alterar a lei das armas”. 

Uma crítica, na opinião de Paulo Rocha, sem qualquer fundamento e que devolveu a acusação ao PAICV.

“Traz questões ligadas a nomeações políticas quando eu tenho sido acusado exactamente do contrário. Não me atinge minimamente com esse tipo de afirmações. Tentamos fazer o contrário, despartidarizar uma polícia e os senhores sabem do que é que eu estou a falar”, comentou Paulo Rocha.

Texto originalmente publicado na edição impressa do Expresso das Ilhas nº 940 de 04 de Dezembro de 2019. 

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Autoria:Andre Amaral,7 dez 2019 6:59

Editado porSara Almeida  em  27 ago 2020 23:21

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