UCID “sem rebuço” em votar orçamento rectificativo desde que Governo mostre “abertura de espírito” no debate

PorExpresso das Ilhas, Inforpress,22 jun 2020 16:25

O presidente da UCID disse hoje que o seu partido não terá “nenhum rebuço” em dar o seu apoio ao orçamento rectificativo, desde que o Governo mostre “abertura de espírito” no debate do documento e às suas propostas.

Em declarações à Inforpress, no Mindelo, após ter sido consultado via videoconferência pelo primeiro-ministro e pelo ministro das Finanças, a propósito da preparação do orçamento rectificativo, António Monteiro disse que é fundamental que o Governo crie “todas as condições possíveis” para que as pessoas e as empresas possam ter possibilidade de continuar a desenvolver as suas actividades.

“Se esse for o entendimento do Governo, a UCID estará na disponibilidade de dar a sua colaboração, pois no debate do orçamente o Governo deverá estar aberto para acolher alguns subsídios que iremos apresentar”, reforçou a mesma fonte.

Após ouvir dos governantes, segundo o líder da União Cabo-verdiana Independente e Democrática (UCID, oposição), que o País vai perder 18 milhões de contos de receitas este ano, aumentar a dívida pública para um valor que ronda os 150 por cento (%) do PIB, disse que a ideia do Governo, com o orçamento rectificativo, “acima de tudo”, é atacar as fragilidades existentes” no País, “um dos que sofreu o maior impacto com a pandemia”, segundo o executivo.

António Monteiro mostrou-se preocupado, como referiu à Inforpress, com a questão da dívida pública, mas aqui disse que recebeu do Governo a garantia de que 90% da dívida que o Palácio da Várzea contratar para ajudar a ultrapassar a crise motivada pela pandemia virá do exterior e com um período de carência de cinco anos e de maturação de 30 anos.

“Entendemos que na situação em que o País se encontra poderá ser uma solução, porque a ter que recorrer à banca interna seria extremamente elevado e colocar-se-ia a questão de concorrência desleal com as empresas”, declarou Monteiro, que deseja ainda que as linhas de crédito disponíveis cheguem a “todas as empresas”.

É que, segundo António Monteiro, a UCID não concorda com a ideia avançada pelo Governo de que só as empresas com “boa gestão, com lucros e situação resolvida com o INPS e Finanças” sejam beneficiadas.

“Dissemos que devido à exiguidade do mercado poucas são as empresas que terão tudo isto reunido e queremos que o Governo analise caso a caso as condições das empresas”, ajuntou.

Por fim, o líder da UCID disse ter recebido do primeiro-ministro a garantia que não vai haver transferência de verbas suplementares para os municípios, apenas as verbas que se encontravam antes contratualizadas para projectos, na linha de um questionamento do partido democrata cristão de que as câmaras municipais não irão utilizar parte desta verba para a campanha eleitoral.

“Não haverá esse risco, garantiu o primeiro-ministro”, finalizou António Monteiro.

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Autoria:Expresso das Ilhas, Inforpress,22 jun 2020 16:25

Editado porSara Almeida  em  3 jul 2020 23:21

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