Economia num "bom momento", diz MpD. "Cabo-Verdianos não sentem", responde PAICV

PorAndre Amaral,29 mai 2019 12:12

Ulisses Correia e Silva
Ulisses Correia e Silva

“A economia cabo-verdiana está num bom momento”, disse, hoje o primeiro-ministro, Ulisses Correia e Silva na abertura do debate sobre economia sustentável e ao “crescermos 5 vezes mais do que há 3 anos, o governo conseguiu colocar este crescimento económico ao serviço das pessoas”, acrescentou.

Cabo Verde e o Banco Mundial vão assinar, no próximo dia 6 de Junho, um acordo que prevê a atribuição de uma verba de 40 milhões de dólares em ajuda orçamental. O anúncio foi feito pelo Primeiro-ministro, hoje, na abertura da sessão parlamentar e, explicou, é o “reconhecimento” do Banco Mundial do esforço do executivo cabo-verdiano em ordem a melhorar a economia nacional.

Fazendo uma análise da situação actual da economia do país, o governante defendeu que a economia tem hoje maior liquidez, há maior inclusão social e maior rendimento para as famílias. “A inclusão social complementa os efeitos do crescimento económico para não deixar de fora segmentos de população mais pobre e mais vulnerável como as crianças, os idosos e os deficientes. É nesse sentido que a política de rendimentos tem privilegiado aqueles que mesmo tendo um emprego ou uma pensão, auferem remuneração baixa. É por isso que optamos por conceder aumento salarial apenas ao pessoal do quadro comum da administração pública; é por isso que aumentamos o salário mínimo nacional; é por isso que actualizámos as pensões aplicando percentagens mais altas para os valores de pensões mais baixos; é por isso que aumentamos a pensão social do regime não contributivo”, destacou o primeiro-ministro no seu discurso de abertura do debate.

Quanto ao desemprego, o primeiro-ministro destacou, uma vez mais, que “apesar dos dois anos de seca” o número de pessoas desempregadas manteve-se idêntico ao de 2017. Seca que, disse, “impactaram negativamente a produção (quebra de 22,8% em 2017), o emprego e o rendimento das famílias rurais”.

Mas, se houve perda de empregos no sector da agricultura, onde se registou a perda de mais de 13 mil postos de trabalho, houve, por outro lado, a criação de “16.839 empregos em 16 sectores de actividade”, destacou o Primeiro-ministro.

“Os impactos são visíveis ao nível do emprego durante a fase da construção, da dinamização da construção civil, da melhoria da qualidade urbana, ambiental, social e económica das cidades e das diversas localidades do país. São investimentos virtuosos que criam condições para a dinamização da economia dos municípios e das ilhas”, voltou a salientar Ulisses Correia e Silva.

O bom momento da economia nacional, anunciado pelo primeiro-ministro, “é fruto das políticas e das reformas que inverteram a tendência da estagnação económica e do sobre-endividamento do país e da deterioração da situação das empresas do Sector Empresarial do Estado, para colocar a economia a crescer com estabilidade macroeconómica e com aumento da confiança”.

Para a presidente do PAICV, no entanto, o crescimento económico registado por Cabo Verde deve-se a uma “conjuntura mundial, hoje, muito mais favorável que antes, permitindo muitos países atingir taxas de crescimento extraordinárias”. Mesmo assim, destacou Janira Hopffer Almada, “estamos longe da promessa de crescimento de 7% ao ano, que fez aos cabo-verdianos, e que, agora, quer recalibrar”.

Com o turismo a ser o principal motor da economia nacional, a líder do PAICV defende que agora é “o momento de, também, analisarmos se o Turismo está a crescer segundo o seu potencial e se está a “puxar” outros sectores estratégicos da nossa economia”. E por isso questiona: “Por aqui, estamos a estabelecer a ligação do Turismo com outros sectores estratégicos? Com a Agricultura, com as Pescas ou com a Cultura?”

Para a presidente do PAICV, “o crescimento económico, quando é real e resulta da dinâmica da economia, não precisa ser anunciado, nem publicitado e muito menos propagandeado… porque é sentido, no dia-a-dia da vida das pessoas”. “A situação nua e crua é que os cabo-verdianos não sentem os impactos do crescimento económico na sua vida real e não se deixam embalar pela sua ruidosa propaganda de mau gosto que quer vender ilusões e comercializar consciências”, concluiu.

Já do lado do MpD, o discurso de Rui Figueiredo Soares serviu para reforçar as declarações feitas por Ulisses Correia e Silva e para o líder da bancada parlamentar do partido que sustenta o governo a “grande maioria dos cabo-verdianos reconhece que estamos no caminho certo, com um crescimento económico sustentável, que tem efeitos directos na vida das pessoas e na melhoria do território”.

Para Figueiredo Soares, as medidas de políticas e as reformas em curso realizadas pelo governo “convergem para robustecer o crescimento económico, criar mais emprego, aumentar o rendimento das famílias e reduzir as vulnerabilidades externas do país”.

E os resultados, defendeu, já se fazem sentir. “A economia está a acrescer cerca de cinco vezes mais do que no período 2012/2015, o número de empresas existentes em Cabo Verde aumentou 9,5%, o volume de negócios aumentou 14,7%, o emprego nas empresas aumentou 23,5%, as exportações, os investimentos, o consumo e o crédito à economia têm evoluído positivamente, com crescimentos médios anuais no período 2016/2018, superiores aos do período 2011/2015, o sector do turismo em Cabo Verde tem uma evolução positiva em todos as suas vertentes e verifica-se uma evolução positiva nos transportes aéreos e marítimos”, referiu Rui Figueiredo Soares.

“As novas reformas e as políticas económicas e sociais, implementadas no âmbito do novo modelo económico e social, visam aumentar e consolidar o crescimento económico sustentável, consolidar as contas públicas, reduzir a dívida, estabilizar o sistema financeiro e alavancar a dinâmica do sector privado no país, melhorando o ambiente de negócios no país”, concluiu.

Já o presidente da UCID referiu que “nem todo o crescimento é positivo para o desenvolvimento sustentável” da economia de um país e que “há crescimentos que são negativos para o desenvolvimento”.

“De 2016 a esta parte tem havido crescimento económico. Mas este crescimento económico está muito aquém daquilo que os cidadãos esperam porque aquilo que os cidadãos querem é o desenvolvimento e não o crescimento”, disse António Monteiro.

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Autoria:Andre Amaral,29 mai 2019 12:12

Editado porAndre Amaral  em  22 ago 2019 23:22

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