​Governo fez "gestão corrente", diz oposição

PorLourdes Fortes, Rádio Morabeza,25 nov 2020 15:52

O PAICV reafirma que a situação das famílias no país não está bem e sublinha que muitos dos problemas são anteriores à crise provocada pelo novo coronavírus. Posição expressa hoje, no parlamento, pela deputada e presidente do PAICV, Janira Hopffer Almada, no arranque do debate com o primeiro-ministro.

A líder do PACV enumera alguns pontos que, no seu entender, evidenciam a situação socioeconómica das famílias.

“Foi garantida uma única actualização salarial de 2,2%, para apenas 8% dos funcionários público. Que dizer de um país em que crescimento propalado foi de 5%, mas que não investiu no mundo rural, deixando as famílias sofrerem à míngua durante três anos de seca consecutiva? Como assumir que as famílias estão a viver melhor, quando temos ilhas com um único voo por semana e o transporte marítimo, apesar de todo o apoio do Estado passa por sérias dificuldades?”, questiona.

Janira Hopffer Almada volta a referir que o crescimento de 5% da economia, anunciado pelo governo, não se traduziu em melhoria das condições de vida das famílias, nem gerou empregos.

A parlamentar aponta o dedo ao que classifica de “desperdício e esbanjamento”.

“E aqui podemos afirmar com frontalidade que, infelizmente e desde a primeira hora, houve uma clara inversão de prioridades nesta governação. Não se priorizou, infelizmente, uma visão de desenvolvimento com aposta em sectores estratégicos, como turismo, agricultura e as pescas. Ao invés disso, apostou-se numa gestão corrente e num crescimento estribado, quase exclusivamente, nos impostos e na pressão sobre as pequenas e médias empresas, aliadas a uma publicidade que não traduzia a realidade”, crítica.

Em resposta, a líder parlamentar do MpD, Joana Rosa, refuta as acusações do PAICV e destaca a eficácia das medidas adoptadas.

“A pandemia veio mostrar as dificuldades do país, mas poucos dizem que a pandemia criou mais pobres. Criou, sim, mais dificuldades aos pobres e aos não pobres, aos que perderam o seu emprego e aos que viram os seus salários reduzidos. Resgatar a esperança foi a promessa que o MpD selou com os cabo-verdianos e fomos, aos poucos, combatendo três anos consecutivos de seca, mitigando os seus efeitos na vida das nossas populações, no mundo rural e nas cidades”, assegura.

A parlamentar assegura que, desde que tomou posse, em 2016, o governo tem trabalhado para a o reforço da economia, do investimento, crescimento, emprego e diminuição das desigualdades.

Joana Rosa sublinha que falar de políticas sociais não se resume aos apoios do estado aos mais vulneráveis.

“Mas sim de intervenções do governo, visando a redução da pobreza, a criação de mecanismos que possam tirar essas pessoas da pobreza pela via da criação do emprego e não alimentar a que continuem na pobreza. Foi assim que o governo suportado pelo MpD, saído das eleições de 2016, implementou uma série de reformas, pensando numa política social cuja meta foi de reduzir a pobreza extrema, reduzir o fosso entre ricos e pobres, garantir o direito de acesso à educação, saúde e melhoria de qualidade de vida, conferindo dignidade aos cabo-verdianos”, sublinha.

O debate sobre políticas de famílias e inclusão social com o primeiro-ministro marcou hoje o arranque da segunda sessão parlamentar de Novembro, que tem como destaque, na agenda dos trabalhos, a discussão e aprovação do Orçamento de Estado para o próximo ano.

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Autoria:Lourdes Fortes, Rádio Morabeza,25 nov 2020 15:52

Editado porAndre Amaral  em  12 jun 2021 23:21

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