FMI prevê crescimento para Cabo Verde acima do projectado pelo governo

PorJorge Montezinho,17 out 2021 14:43

A economia cabo-verdiana pode crescer 6,5% em 2022, cinco décimas acima da previsão mais optimista do governo para o próximo ano, 6%. Estes são os dados do último Outlook sobre a economia mundial, publicado pelo Fundo Monetário Internacional esta terça-feira.

São as informações do último Outlook do Fundo Monetário Internacional, para já apenas projecções, mas segundo os números Cabo Verde terá um crescimento económico, tanto este ano, como no próximo, acima da média projectada para a África subsaariana. A região deve ter um aumento do PIB de 3,7% este ano e 3,8% em 2022, enquanto o arquipélago poderá crescer 4,0% este ano e 6,5% em 2022.

Se crescer 6,5%, de acordo com as previsões do FMI, Cabo Verde será o terceiro país entre os de rendimento médio da África subsaariana que mais crescerá, apenas ultrapassado pelas Seychelles (7,7%) e Maurícias (6,7%) e igualando a Costa do Marfim (6,5%).

Continuando no campo das projecções, a confirmar-se este aumento de 6,5% do PIB, Cabo Verde será também o país dos PALOP com mais crescimento económico no próximo ano, à frente de Moçambique (5,3%), Guiné-Bissau (4,0%), São Tomé e Príncipe (2,9%) e Angola (2,4%).

Na semana passada, durante a apresentação do Orçamento de Estado para o próximo ano (OE2022), o ministro das finanças avançou um cenário macroeconómico que aponta para que a riqueza nacional cresça entre 3,5% e 6%. Uma das razões para este aumento tem a ver com o cenário mais positivo projectado para o sector com maior peso no PIB nacional, o turismo, onde se espera um forte regresso do número de turistas, entre mais 100% e 150%, comparando com 2021.

Recorde-se que o OE2022 terá um valor total de 73 milhões de contos, uma diminuição de 2% em relação a 2021. Será financiado com a arrecadação fiscal projectada para o próximo ano, 44 milhões de contos de impostos recebidos, um aumento de 25,6% em relação a 2021. Os donativos chegarão quase aos 4 milhões de contos, um decréscimo 24%. As outras receitas previstas, 12 milhões de contos, representam um crescimento de 5%. E os empréstimos devem ascender aos 11 milhões 475 mil contos, uma redução de 45%.

Já em relação à forma como será distribuído o dinheiro, a educação recebe 11 milhões 400 mil contos, cerca de 15,7% do orçamento total. A protecção social terá 10 milhões de contos, 13,8% do total do orçamento. Segurança e ordem pública fica com 5 milhões 720 mil contos, 7,9% do OE. A saúde recebe quase 8 milhões de contos, 11% do OE. A habitação contabiliza 4 milhões 500 mil contos, 6,2% do OE.

A economia mundial

Mas se o cenário nacional parece mais desanuviado, em termos globais, diz o FMI, o impulso da recuperação económica enfraqueceu e as incertezas aumentaram. Há também preocupações com a saúde, com rupturas no abastecimento e com as pressões sobre os preços.

Projecta-se que a economia global cresça 5,9% em 2021 e 4,9% em 2022 (0,1 ponto percentual abaixo das projeções feitas em Julho). Esta revisão em baixa para 2021 reflecte um recuo nas previsões para as economias avançadas – em parte devido a rupturas no abastecimento – e para os países em desenvolvimento de baixo rendimento - em grande medida devido ao agravamento da dinâmica da pandemia. A velocidade de disseminação da variante delta e a ameaça de novas variantes aumentaram as incertezas em relação à rapidez com que a pandemia pode ser superada. As opções de política económica, refere também o Fundo Monetário Internacional, tornaram-se mais difíceis, com margem de manobra limitada.

Para 2022, embora seja esperado que as pressões sobre os preços recuem na maioria dos países, as perspectivas de inflação são bastante incertas. A alta da inflação está a ocorrer mesmo com o desemprego abaixo dos níveis anteriores à pandemia em diversas economias, forçando as autoridades económicas a fazer escolhas difíceis. Para fortalecer as perspectivas económicas globais, sublinha o FMI; é necessário um robusto esforço multilateral de políticas sobre a distribuição de vacinas, a mudança do clima e a liquidez internacional. As políticas nacionais para complementar o esforço multilateral terão de ser muito mais adaptadas às condições específicas de cada país e bem direccionadas, já que o espaço para a política económica será cada vez menor quanto mais a pandemia se prolongar.

Para as economias mais desenvolvidas, o FMI aponta um crescimento, este ano, de 6,0% nos Estados Unidos, 5,0% na zona euro, 2,4% no Japão, 6,8% no Reino Unido e 5,7% no Canadá.

Quanto às economias em desenvolvimento, a China deverá crescer 8,0% este ano e a Índia 9,5%. “A produção agregada para o grupo dos mercados emergentes e economias em desenvolvimento (excluindo a China) deverá permanecer 5,5% abaixo da previsão pré-pandemia em 2024, resultando num grande passo atrás na melhoria da sua qualidade de vida”, aponta o FMI.

A instituição sediada em Washington refere ainda que as divergências económicas «são uma consequência da grande disparidade no acesso a vacinas e no apoio de políticas».

Quanto aos problemas na oferta, o FMI nota ainda que, quando conjugadas com o aumento da procura que estava contida durante a pandemia, bem como o aumento dos preços das matérias-primas, “causaram a subida rápida da inflação dos preços ao consumidor, por exemplo, nos Estados Unidos, na Alemanha e em muitos mercados emergentes e economias em desenvolvimento».

Na semana passada, a líder do FMI, Kristalina Georgieva, já tinha antecipado que o crescimento da economia mundial seria “ligeiramente” mais fraco do que o esperado este ano. 

Texto originalmente publicado na edição impressa do Expresso das Ilhas nº 1037 de 13 de Outubro de 2021. 

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Autoria:Jorge Montezinho,17 out 2021 14:43

Editado porSheilla Ribeiro  em  7 dez 2021 23:20

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