RTC em banho-maria

PorSara Almeida,8 dez 2019 6:26

O Plano Estratégico da Radiotelevisão Cabo-verdiana (RTC), aprovado pelo Conselho de Ministros em Fevereiro passado, não vai ser implementado no curto prazo. O motivo, falta de financiamento para a sua concretização, uma vez que não é considerado uma “prioridade” para o país. O anúncio foi feito pelo Ministro que tutela a comunicação Social, Abraão Vicente, em entrevista à televisão Pública, na qual avançou ainda que não haverá qualquer investimento na empresa fora do plano global dessa, encalhada, reestruturação.

“O plano foi aprovado pelo Conselho de Ministros, mas não teve o financiamento por parte do Ministério das Finanças”, disse Abraão Vicente à TCV.

Sem financiamento pa­ra suportar os 4 milhões de euros (cerca de 440 mil contos, conforme apon­­ta­do na Assembleia Nacional) necessários para a implementação, cai por terra - pelo menos a título provisório - um Plano Estratégico que, na realidade, ainda poucos sabem ao certo em que consiste...

“Não é prioritário”

Mas voltando às referidas declarações à TCV: a implementação do Plano Estratégico da RTC não é vista como uma prioridade para o país, pelo que, sob essa consideração, a verba necessária acabou por não ser disponibilizada pelo Ministério das Finanças.

O Ministério da Cultura e Indústrias Criativas fez, garante o ministro que tutela também a Comunicação Social, a parte que lhe compete e que é de traçar políticas e estratégias para o sector. Contudo, cabe ao Ministério das Finanças proporcionar os financiamentos que concretizam essas políticas e estratégias. Esses financiamentos são desbloqueados tendo em conta as prioridades do país. E este plano estratégico, no seu entender, não é prioridade.

Na mesma linha, também ficou por terra uma parceria que estava a ser trabalhada com a China para apoio a este plano.

“Temos o plano, temos a proposta da China, mas não está também nas prioridades do governo de Cabo Verde neste momento. Não foi introduzida naquilo que são os projectos prioritários”, frisou, apontando alguns sectores, como a educação para onde está a ser direcionado o apoio chinês.

“Da nossa parte, fizemos aquilo que nos cabia que era fazer a planificação do sector, fazer a apresentação de uma visão estratégica para transformação da RTC para uma empresa que de facto valide as expectativas dos caboverdianos. Infelizmente até a data não conseguimos”, justificou, na referida entrevista à TCV.

No entanto o Abrãao Vicente não acredita que este Plano seja descartado, avançando que, na impossibilidade de o seu ministério dentro do seu orçamento nominal fazer a implementação, terá “é de haver vontade política” e o próprio conselho de administração da RTC deve convencer as Finanças a avançar com o financiamento.

Investimento zero

O ministro da tutela da Comunicação Social garante que, apesar de não ter havido cabimentação orçamental, o Plano que vai reestruturar a RTC “não morreu”.

Não morreu, mas “neste momento não está sequer na linha de trabalho para o próximo ano”, uma vez que da parte de quem faz a distribuição das verbas não há sinais de qualquer prioridade para breve.

E falando em verbas, o que também fica claro é que não haverá nenhum investimento na RTC nos próximos tempos.

“Só estamos decididos a avançar com investimentos na empresa, dentro do plano global de reestruturação da empresa”, garantiu à TCV.

                                                                                                            História de um plano adiado

O Plano Estratégico da RTC foi aprovado pelo Conselho de Ministros em Fevereiro sem que no entanto fossem divulgadas as decisoes sobre a reestruturaçao da rádio e televisões públicas, que incluem a reconfiguraçao das delegações e novos investimentos. Na altura o ministro da Cultura e Indústrias Criativas remeteu mais informações para um momento em que já tivessem sido mobilizados os recursos para concretização do plano de investimentos.

Ainda nesse mesmo mês, o Plano foi debatido na Assembleia Nacional no âmbito de um debate sobre a comunicação social.

No púlpito do Parlamento, disse Abraão Vicente que o Plano estratergico iria custar os referidos 4 milhões de euros e avançou ainda que seria implementado em cerca de dois meses.

Para o ministro, este plano viria dar um novo rumo a uma empresa que está falida desde 2005 e que precisava de ser restruturada, com vista a uma maior produtividade e qualidade dos serviços prestados.

Pouco ou nada mais foi adiantado, embora o tema tenha dominado todo o debate. No final, a oposição acusou o ministro de nada ter esclarecido e insurgiu-se contra o facto de a Associação e Sindicato representante dos jornalistas, a AJOC, não ter sido ouvida.

O “secretismo” – uma acusação que acompanhou este Plano Estratégico desde o início - continuou. 


Texto originalmente publicado na edição impressa do Expresso das Ilhas nº 940 de 04 de Dezembro de 2019.

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Autoria:Sara Almeida,8 dez 2019 6:26

Editado porSara Almeida  em  3 jul 2020 23:21

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