​“Há um verdadeiro desnorte e não se sabe qual é o rumo deste Governo” - PAICV

PorFretson Rocha, Rádio Morabeza,16 jan 2019 15:01

O PAICV acusa o Governo de desnorte na área da agricultura e pecuária. O maior partido da oposição, através da deputada Eva Ortet, considera que o executivo de Ulisses Correia e Silva está sem visão estratégica para o sector e não apoia os agricultores e criadores e gado, após dois anos de seca consecutiva.

No discurso de arranque do debate parlamentar com o ministro da Agricultura e Ambiente, solicitado pelo PAICV, a parlamentar não poupou nos adjectivos para qualificar a situação existente.

“Desiludidos, desesperançados e desanimados são os únicos adjectivos que actualmente qualificam o sentimento das pessoas que vivem da agricultura e pecuária em Cabo Verde. Ninguém, mas mesmo ninguém, esperava que após os sucessivos ganhos no sector agrícola, na governação anterior, e da visão de futuro projectada na agenda de transformação, o actual Governo do MpD fosse incapaz de dar continuidade a essa visão estratégica e desenvolvimentista do mundo rural. Há um verdadeiro desnorte e não se sabe qual é o rumo deste Governo para o importante sector de desenvolvimento do país, de reforço da coesão social e de combate à pobreza”, entende.

O maior partido da oposição entende que a visão governativa tem afectado o mundo rural. Eva Ortet acredita que há uma claro desinvestimento no sector agrícola, com impactos sociais negativos.

“Tais impactos negativos far-se-ão sentir, especialmente, na dificuldade de geração de empregos no meio rural e acesso a rendimentos por parte das famílias, na sustentabilidade e consequente fixação das famílias no campo, no insucesso e abandono escolar, bem como na regressão de indicadores de saúde, pobreza e pobreza extrema. Não investir na agricultura significa negligenciar e não proteger as gerações vindouras”, diz.

O PAICV volta a questionar o Governo sobre o destino dos recursos que recebeu da comunidade internacional para socorrer os agricultores e criadores de gado em todas as ilhas.

Também a UCID entende que a situação no mundo rural não é das melhores. O deputado António Monteiro diz que é preciso fazer muito mais e antecipar acontecimentos.

“As mulheres, os homens e as crianças no campo não estão a viver grandes felicidades, pelo contrário, vê-se na cara desses cabo-verdianos uma angústia bastante forte. É preciso fazer muito mais e jogar na antecipação, não esperando que as situações tornem-se difíceis para, como bombeiros, corrermos para tentar ajudar”, defende.

Do lado do MpD, o deputado Armindo Luz entende que os desafios têm sido enormes mas que as respostas do Governo têm-se revelado eficazes.

“O Governo está com os agricultores, criadores e famílias no meio rural. O Governo tem pela frente mais um ano difícil, em virtude da seca e do mau ano agrícola. No entanto, durante esta nona legislatura, os desafios têm sido enormes mas as respostas têm-se revelado eficazes. Senão vejamos: o programa de recuperação de Santo Antão, financiado pela União Europeia, no valor de 750 mil contos, e a sua gestão criteriosa e responsável, mereceu os aplausos da União Europeia. O programa de emergência para a mitigação da seca e do mau ano agrícola, no valor de um milhão 181 mil contos, disponibilizado a todos os municípios do país, de forma imparcial, justa e beneficiando todos os agricultores e criadores de gado, independentemente da sua cor política”, aponta.

O partido no poder entende que o Orçamento de Estado de 2019 é ambicioso para o sector agrícola, tendo o Governo alocado um milhão 292 mil contos para garantir a resiliência dos ecossistemas e das populações rurais, perante as alterações climáticas.     

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Autoria:Fretson Rocha, Rádio Morabeza,16 jan 2019 15:01

Editado porNuno Andrade Ferreira  em  16 fev 2019 23:22

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