Coronavírus: O dia em revista

PorExpresso das Ilhas,1 abr 2020 18:39

Mais um dia em que não se verificam casos positivos para o novo coronavírus. Contudo, a boa notícia é ensombrada pela quantidade de testes ainda por realizar a casos suspeitos, devido à falta de transporte inte-ilhas que atrasa a chegada das amostras ao laboratório de virologia, na Praia.

No total, há sete casos suspeitos que já haviam sido anunciados e aos quais ainda não foi realizado o teste de despiste à COVID-19. Todos os outros cujo resultado não era conhecido, deram negativo, de acordo com o director nacional de saúde.

O dia de hoje é também marcado pela morte de um cidadão cabo-verdiano no Porto. Tinha 78 anos, vivia em Santiago, e estava de visita a familiares em Portugal. A filha e a cunhada estão também infectadas.

Neste quarto dia do estado de emergência, o plenário ratificou a autorização ao pedido presidencial de autorização para declaração desse mesmo estado, que havia sido dada  em sede da Comissão Permanente da Assembleia Nacional. 

As regras são conhecidas, mas as suas balizas estão a mostrar-se, em alguns casos, controversas. A apreensão, pela polícia nacional, de 107 viaturas que circulavam na via pública, entre 30 e 31 de Março tem levantado opiniões diversas. Para o bastonário da Ordem dos Advogados, Hernâni de Oliveira Soares, a apreensão é legal, face ao estado de excepção em que o país se encontra.

Assim, do ponto de vista legal, a apreensão está “correctíssima", diz, sublinhando que, perante a declaração do estado de emergência, a polícia não tem que seguir o regime do código da estrada mas sim o do decreto presidencial. 

Entretanto, contactada pelo Expresso das Ilhas a Câmara Municipal da Praia reagiu à suspensão do transporte público colectivo de passageiros que é garantido na capital pela Sol Atlântico. Diz o vereador da pasta, que esta suspensão conta com a aprovação da edilidade, tendo em conta que visa evitar a aglomeração de pessoas e por conseguinte propagação da COVID-19.

Para "aliviar" o peso deste dever de confinamento, 70 artistas cabo-verdianos vão reunir-se no festival "Nasofa". Reunir-se entre si e com o público, mas de uma forma totalmente virtual, em concertos do sofá de cada artista, para o sofá cada um de nós.


COVID-19 no mundo

O estado de emergência em Portugal foi prorrogado por 15 dias. O Governo deu parecer favorável à proposta do Presidente da República e o Primeiro-ministro, António Costa, que já adiantou que o próximo pacote de medidas de restrição e combate à propagação do novo coronavírus trará “medidas mais claras”. (Público)

Com mais de 3.523 mortos, França ultrapassou ontem a China em termos de fatalidades causadas pela COVID-19. Entretanto a China decidiu passar a contabilizar as pessoas que estão infectadas pelo novo coronavírus, mas que não apresentam sintomas. Estima-se, à escala mundial, que uma em cada quatro pessoas seja assintomática.

Um estudo realizado em 11 países europeus, publicado pelo Imperial College London, indica que as medidas de contenção adoptadas por 11 países até esta terça-feira já permitiram salvar até 120 mil pessoas na Europa. Além disso, sem estas medidas, o número de infectados já podia estar na ordem dos 43 milhões de doentes. (Observador)

Em África, o Burundi tornou-se ontem o 49.º com casos de COVID-19.

Números

Ao fim da tarde desta quarta-feira, contabilizavam-se 911.578 casos de infecção em todo o mundo (839.544 , ontem), 190.921 dos quais recuperados (176.086, ontem). O número de mortes é 45.538 (41.328, ontem).

(fonte: https://coronavirus.thebaselab.com/ às 17h30 de dia 01/04)

Sugestão do Dia

Numa altura excepcional, em que cuidar dos outra ganha uma nova força, uma história real contada por um colunista da Forbes começou a ser difundida, há cerca de duas semanas, nas redes sociais. Depois foi também replicada por alguns órgãos de comunicação social. 

A estória é esta:

“Um dia, há muitos anos, um aluno perguntou à antropóloga Margaret Mead qual era, para ela, o primeiro vestígio de civilização humana. A antropóloga americana, autora de “Adolescência, sexo e cultura em Samoa”, respondeu: “Um fémur com 15 mil anos encontrado numa escavação arqueológica.”

O aluno esperava que a professora falasse de anzóis, ferramentas ou barro cozido, mas Mead continuou: “O fémur estava partido, mas tinha cicatrizado. É um dos maiores ossos do corpo humano (liga a anca ao joelho) e demora seis semanas a curar. Alguém tinha cuidado daquela pessoa. Abrigou-a e alimentou-a. Protegeu-a, ao invés de a abandonar à sua sorte”.

Na natureza, qualquer animal que parta uma perna está condenado. Se for um predador, não consegue caçar; se for uma presa, não consegue fugir. Está morto. Então, concluía Mead, que lutou pelos direitos das mulheres nos anos 50 e 60 e foi galardoada com a medalha da liberdade, o que nos distingue enquanto civilização é a empatia, a capacidade de nos preocuparmos com os outros.

Mead nunca enfrentou uma pandemia, mas fez a sua parte na II Guerra Mundial onde terá visto o pior e o melhor dos homens. Esta história, contada por um colunista da revista americana Forbes comovido com uma vizinha dos pais idosos e isolados pela covid que se disponibilizou para os ajudar no que fosse preciso, trouxe-me à cabeça uma imagem óbvia: partimos o fémur e vamos precisar de tomar conta uns dos outros. “ – como contada por Rui Gustavo na newsletter Expresso matinal (do jornal português Expresso).

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Autoria:Expresso das Ilhas,1 abr 2020 18:39

Editado porSara Almeida  em  30 mai 2020 23:20

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