Coronavírus: O dia em revista

PorSara Almeida,20 abr 2020 19:05

Com seis novos casos de COVID-19 hoje anunciados, eleva-se para 67 o número de infecções confirmadas em Cabo Verde. Outro tema que marca esta segunda-feira é o que fazer com o resto do ano lectivo, apanhado pela pandemia a 2/3 do seu término.

Quatro na Praia, um na Boa Vista e um em Tarrafal de Santiago, que se torna assim no quarto concelho do país afectado pela COVID-19. Foram seis os casos registados hoje, o que corrobora um aumento exponencial de casos identificados, semelhante ao de outros países. Há ainda mais sete novos suspeitos, na Praia e Boa Vista.

Mas hoje, na conferência diária sobre a COVID-19, houve uma notícia ‘boa’: todos os casos positivos activos no país têm uma situação clínica estável.

Sobre a COVID-19, na cidade da Praia, as autoridades de saúde decidiram agora não identificar os bairros onde surgem os casos, alegando que essa informação poderá causar o pânico e escusando-se a responder aos jornalistas sobre a questão geográfica.

Para o combate à doença, Cabo Verde recebeu hoje da China um donativo de materiais médicos emergenciais, no valor de 3,67 milhões de escudos. No dia 22 chegam ao país 33 especialistas, incluindo médicos, epidemiologistas e enfermeiros, fruto de uma cooperação tripartida entre Cabo Verde, Cuba e Luxemburgo. Ainda falando em apoio, as Nações Unidas estão a mobilizar cerca de 120 milhões de dólares dos parceiros internacionais, para fazer face aos impactos da pandemia da COVID-19.

Na educação, parece estar cada vez mais longe a hipótese (ainda não descartada) de um regresso às aulas presenciais ainda este ano lectivo (pelo menos nas ilhas afectadas). A partir da próxima segunda-feira, 27, vai começar a transmissão de programas de ensino-aprendizagem através da rádio e televisão, um sistema desenhado para manter os estudantes em contacto com o contexto educativo (a ministra da educação já tinha dito que avaliação não é a questão prioritária).

Os sindicatos dos professores têm vindo a alertar que o ensino a distância (seja qual médium usado) é impraticável em Cabo Verde, como definiu o SINDEP

Hoje foi conhecido um inquérito do SINDPROF, junto a 51 professores que aponta que 99% desses docentes são contra o ensino a distância. O Sindicato mostra-se, contudo, favorável ao ensino a distância, como terapia educacional e sem intuitos de avaliação.

Também a Siprofis, da ilha de Santiago, não perspectiva muita eficácia no ensino a distância, tendo em conta a realidade do país, e defende uma reprogramação do ano lectivo com a avaliação dos dois trimestres do ano em curso e o início do próximo ano mais cedo.

Enquanto se aguardam as decisões finais sobre aulas e avaliações, que irão depender do evoluir do cenário da COVID-19 em Cabo Verde, o programa educativo "Aprender e Estudar em casa”, sem fins avaliativos, começa então dia 27, para o 1.º ciclo.

COVID-19 no Mundo

A questão do regresso ou não às aulas presenciais e como levar o ano lectivo até ao fim, está também a marcar a actualidade em vários países.

Em Portugal, onde já se decidiu que este ano (lectivo) não há regresso à escola, a opção passa pelo regime de telescola, com aulas de 30 minutos. O Projecto abrange mais de 850 mil alunos e envolve 112 professores. Trata-se de uma medida complementar ao ensino a distância, que é proporcionado por cada estabelecimento de ensino português.

Em Espanha, o regresso às aulas também está a estudado, com os assessores do governo a defender que deve ser procrastinado até Setembro. A verificar-se essa data, 8,2 milhões de estudantes estarão mais de cinco meses sem ir à escola (El País). 

Entretanto, os pais espanhóis relataram alterações comportamentais nos seus filhos, e os especialistas alertaram para as questões de saúde mental que o confinamento pode causar. Há cerca de cinco semanas que a maioria das crianças espanholas não saía de casa, uma vez que no país até os pequenos passeios perto de casa não estavam permitidos a crianças. Com o prolongamento do estado de alarme, iniciado sábado, essas pequenas saídas já são permitidas.

Enquanto uns optam por adiar o regresso às escolas, outros não pretendem esperar . Dinamarca foi o primeiro país europeu dar este passo de volta à escola. Na semana passada, as escolas primárias reabriram, embora com fortes medidas de contenção do coronavírus. Para prevenir a infecção, diminuiu-se o número de alunos por turma, as secretárias estão espaçadas e é obrigatória a lavagem das mãos de hora em hora. 

Na China, o regresso às salas de aula foi feito após quatro meses de confinamento (El País). Até lá, as aulas, para 280 milhões de estudantes, foram dadas online, um sistema que “evidenciou as diferenças entre os alunos mais abastados e os menos”.

Ainda sobre as crianças, um relatório das Nações Unidas, lançado no dia 15, mostra os impactos terríveis que a COVID-19 pode ter nos mais pequenos. De acordo com o relatório, cerca de 188 países fecharam todas suas escolas, afectando mais de 1,5 mil milhões de crianças e jovens. “Algumas escolas estão a oferecer ensino a distância, mas não está disponível para todos. Além disso, crianças em países com serviços de internet lentos e caros estão em desvantagem. Em todo o mundo, quase 369 milhões de crianças dependiam das merendas escolares para ter uma refeição segura”. (ONU News). A par com a desnutrição que se agrava pela falta dessa refeição quente, muitos pais podem perder (ou já terem perdido) os seus empregos agravando a falta de acesso aos alimentos. Soma-se ainda um adiamento das necessidades de saúde (um exemplo dado é a suspensão da vacinação contra a poliomielite). Enfim, várias questões, que colocam as crianças, principalmente as que já se encontram numa situação vulnerável, num risco "potencialmente catastrófico".

Números

Ao fim da tarde desta quinta-feira, contabilizavam-se 2.464.365 casos de infecção em todo o mundo (2.373.850, ontem), 644.093 dos quais recuperados (612.415, ontem). O número de mortes é de 169.116 (163.673, ontem).

(fonte: https://coronavirus.thebaselab.com/ às 18h35 de dia 20/04)

Sugestão do dia

Lembram-se do jogo do Pacman, o bichinho amarelo que comia os fantasmitas. Esta é a versão PACorona. (via Meu “não resisti” do dia)

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Autoria:Sara Almeida,20 abr 2020 19:05

Editado porSara Almeida  em  30 nov 2020 23:21

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